
A Ponte Sobre o Oceano (Ramayana - Noite Cinco)
Essa é a quinta noite, de um total de seis, aonde vamos navegar pelo Épico Ramayana. Escute esta linda história, com foco em paz, amor e proteção, para desacelerar e permitir que sua mente desperte para uma outra realidade.
Transcrição
Olá,
Eu sou Priscila Alves,
Seja muito bem-vinda,
Seja muito bem-vindo.
Este é um espaço de repouso,
Um espaço onde o tempo desacelera,
Onde o corpo pode soltar e a mente pode pousar.
Antes de começarmos a história desta noite,
Permita-se chegar.
Não há nada para resolver agora,
Nada para responder,
Nada para decidir,
Apenas estar.
As histórias do Ramayana não são apenas narrativas antigas,
Elas são espelhos da jornada interior,
Transmitidas há milhares de anos.
Essas histórias atravessaram o tempo porque falam ao coração humano.
Esta noite,
Não estamos aqui para analisar,
Estamos aqui para sentir.
Permita que as imagens surjam de forma suave na sua mente,
Como se você estivesse observando um céu noturno.
Então deixe que a história desta noite se revele lentamente como a lua surgindo no horizonte.
Iniciamos agora a noite 5,
A ponte sobre o oceano.
Na noite anterior,
Hanuman atravessou o oceano,
Encontrou Sita,
Incendiou Lanka e retornou trazendo esperança.
Agora,
A esperança precisava tornar-se ação.
Brahma caminhou até a margem do oceano.
Diante dele,
A mesma vastidão que Hanuman havia cruzado.
Mas agora,
Não era um salto individual,
Era uma travessia coletiva.
Brahma então orou ao oceano,
Pediu passagem,
Mas o mar permaneceu em silêncio.
Então Brahma compreendeu,
Alguns caminhos não se abrem,
Mas precisam ser construídos.
Foi então que surgiu a ideia da ponte.
Pedras começaram a ser trazidas,
Árvores foram cortadas,
Montanhas menores foram deslocadas.
Os Vanaras trabalhavam com alegria,
Mas havia algo extraordinário.
Cada pedra lançada ao mar,
Afundava,
Até que alguém escreveu nela o nome Rama.
E então,
A pedra passou a flutuar.
Uma após outra,
Como se o próprio oceano respeitasse aquele nome.
A ponte crescia,
Dia após dia,
Ligando os dois mundos.
Então,
Por fim,
Com a ponte construída,
O exército atravessou.
O impossível havia sido organizado.
Lanka não era apenas uma cidade,
Era uma fortaleza de ego.
Quando os exércitos se encontraram,
O céu escureceu imediatamente.
Conchas foram sopradas,
Arcos retezados,
A batalha começou.
Hanuman movia-se como o vento.
Sugriva liderava com bravura.
Lakshmana enfrentava guerreiros temíveis.
Houve perdas,
Houve momentos de dúvida.
Em um instante dramático,
Lakshmana foi atingido por uma arma poderosa e caiu inconsciente.
Então,
O silêncio tomou conta do campo.
Hanuman foi enviado às montanhas do Himalaia em busca de uma erva sagrada.
Mas,
Incapaz de reconhecer qual era,
Ele ergueu a montanha inteira.
E voltou voando com ela.
Essa é a devoção que não se calcula.
Lakshmana foi salvo.
E o exército respirou novamente.
Então,
Chegou o momento inevitável.
Rama diante de Ravana.
Ravana,
Aquele rei de dez cabeças.
Cada cabeça representando um vício.
Orgulho,
Desejo,
Raiva,
Apego,
Inveja,
Ilusão.
Ele era poderoso,
Erudito,
Devoto de Shiva.
Mas,
Havia permitido que o ego governasse a sua sabedoria.
O combate foi intenso.
Flechas cruzavam o céu como estrelas cadentes.
Armas divinas eram invocadas.
A terra tremia.
Rama permanecia centrado.
Ele não lutava por vingança.
Ele lutava para restaurar a ordem.
Em determinado momento,
Ravana foi desarmado.
Rama poderia tê-lo destruído ali.
Mas,
Permitiu que ele retomasse no dia seguinte,
Armado novamente.
Porque a consciência não vence pela humilhação.
Ela vence pela integridade.
No último confronto,
Rama invocou uma flecha sagrada.
Concentrou-se.
Respirou.
E disparou.
A flecha sagrada atravessou o peito de Ravana.
As dez cabeças silenciaram.
O corpo caiu.
E com ele,
O peso do orgulho.
Quando a poeira baixou,
Não houve uma celebração barulhenta,
Ruidosa.
Houve silêncio.
Lanka estava transformada.
E o irmão de Ravana,
Que era justo e íntegro,
Foi coroado rei.
E assim,
A ordem foi restaurada.
Mas o coração de Rama ainda aguardava um encontro.
Sita foi informada sobre a guerra.
Sobre a presença de Rama em Lanka.
Seu coração tremeu,
Mas não de medo.
Após meses de separação,
O momento havia chegado.
Ela foi conduzida,
Sem adornos reais,
Sem ornamentos.
Apenas a sua presença.
Quando Rama a viu,
Houve um silêncio profundo entre eles.
E não era frieza.
Era a vastidão de tudo o que haviam atravessado.
Olhos que carregavam exílio,
Guerra,
Esperança,
Saudade.
E eles estavam ali,
Diante um do outro.
Mas já não eram os mesmos de antes.
A jornada havia transformado ambos.
Rama precisava agir agora como rei.
Sita permanecia como verdade viva.
E esse reencontro não foi explosão emocional.
Foi um reconhecimento.
Como duas chamas que se aproximam,
Sabendo que ainda haverá uma última purificação.
E é nesse ponto que deixamos a noite repousar.
E amanhã o fogo revelará o que nunca foi tocado.
Legendas pela comunidade Amara.
Org
Conheça seu professor
5.0 (4)
Avaliações Recentes
Meditações Relacionadas
Trusted by 35 million people. It's free.

Get the app
