Será que nos vemos muitas vezes enredados,
Enredadas em pensamentos?
Que não conseguimos desacelerar-se ou parar?
Será que temos,
Será que os podemos parar?
A verdade é que os pensamentos estão connosco sempre.
Aliás,
Temos entre 60 mil a 80 mil pensamentos por dia.
E não existe verdadeiramente um botão mágico para os desligarmos.
Nesta prática,
Começamos por encontrar uma posição confortável,
Mas estável,
Que nos permita manter-nos simultaneamente relaxados,
Relaxadas,
Mas também alerta.
Se for confortável,
Se for possível,
Neste instante,
Fechando os olhos totalmente,
Ou então mantendo-os apenas semi-cerrados,
Fixando um ponto,
Ou então mantendo-os apenas semi-cerrados,
Fixando um ponto na nossa frente,
No chão,
A cerca de um metro de distância.
E permitindo-nos,
Começando agora,
Por ficar na respiração.
As sensações associadas à inspiração e à expiração.
Observando o que sentimos quando o ar entra no corpo,
Sempre que inspiramos,
E o que sentimos quando o ar sai do corpo de cada vez que a expiramos.
Inspirando,
Expirando.
E se sentirmos,
Se observarmos,
Notarmos que a atenção vagueia,
Ou que ficamos emocionalmente envolvidos,
Voltando à respiração,
Vezes e vezes,
Sem conta.
Inspirando,
Pausa,
Expirando.
E agora ficando alguns instantes em silêncio,
Dando conta dos pensamentos que estão a surgir na mente.
Pensamentos sobre o passado,
Recordações,
E pensamentos sobre o futuro,
Antecipações,
Preocupações.
Observando-os,
Eventualmente nomeando-os,
Dando-lhes um nome,
Rotulando-os,
Em vez de nos deixarmos enredar nas histórias ligadas ou associadas aos pensamentos.
E voltando à respiração.
Observando as recordações,
O planeamento,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Os pensamentos,
Observando as recordações,
O planeamento,
Os pensamentos,
De crítica,
De autocrítica,
De heterocrítica.
Observando,
Rotulando,
Nomeando,
E respirando.
Voltando à respiração.
Como foi esta breve experiência?
Perderam-se?
Conseguiram observar e rotular,
Nomear os pensamentos?
Será que houve algum pensamento que vos puxou,
Que vos agarrou mais neste momento?
É natural e comum que a mente possa vaguear e possa inclusive ficar presa em alguns pensamentos?
Vejam se vos faz sentido visualizarem e imaginarem a mente como o céu,
Ou imaginarem-se deitados,
Deitados na relva,
A olhar para o céu.
O que é então a mente?
Simplesmente deixando os pensamentos aparecer,
Ter um tempo e passar,
Desaparecerem como as nuvens no céu,
No céu que é a vossa mente.
E observando com muita curiosidade e abertura o impacto emocional dos pensamentos,
O que é que sentem emocionalmente?
Quando pensam algo,
Ao terem pensado algo,
A antecipação,
A recordação,
O que sentem no corpo,
Que sensações surgem,
Que sensações surgiram?
Notando a força dos pensamentos,
A forma como ficamos muitas vezes,
Tantas vezes na história da mente,
Fusionados,
Fusionadas.
Ora,
Não temos que mudar os pensamentos,
Basta observá-los,
Vê-los em perspectiva e voltar à respiração,
À realidade,
A este momento,
Ao aqui,
Ao agora.
E o que é que podemos dizer a nós próprios,
A nós próprias,
Quando estamos a ter estes pensamentos?
Durante a prática e quando surgem no dia-a-dia?
Será que podemos dizer a nós mesmos,
A nós mesmas,
Que eu possa ser bondoso,
Bondosa comigo mesmo,
Comigo mesma?
Que eu me lembre que permaneço,
Apesar das contrariedades,
Que eu me possa lembrar que sou suficiente,
Que eu possa lembrar que dei e que faço o meu melhor.