Olá,
O meu nome é Inês Nunes Pimentel e este é o meu podcast,
Ou melhor,
O nosso.
Este é um lugar para conectarmos profundamente connosco e falarmos abertamente de alma para alma.
Aqui partilho as minhas histórias,
Lições,
Trago-te as pessoas que mais me inspiram e dou-te as ferramentas e inspiração que precisas para apareceres ao mundo como a tua melhor versão e manifestares a vida dos teus sonhos.
Olá a todos,
Sejam muito bem-vindos a mais um episódio.
Espero que estejam bem no meio deste novo confinamento que estamos a viver.
Da minha parte estou aqui sempre a trazer-vos muitas ferramentas e as pessoas mais inspiradoras para vivermos esta fase da melhor forma,
Esta fase super desafiante,
Mas que consigamos viver em conexão connosco e evolução sempre.
Hoje trago-vos uma pessoa muito especial que eu adoro,
Uma das pessoas mais autênticas no mundo online que partilha diariamente a sua jornada,
O bom ou o menos bom,
Com milhares de seguidores.
Ela é Health Coach e ajuda-nos a viver uma vida mais alinhada,
Conectada,
Saudável.
Tem uma história de vida muito bonita,
Inspiradora e mostra-nos como é possível superar e ainda aprender com os momentos mais desafiantes.
Ela é a querida Patrícia Rebelo,
Mais conhecida no Instagram por TheJuicyEditor.
Olá!
Bem-vinda,
Querida!
Como é que estás?
Olha,
Vou já pôr um babete!
Uma honra estar aqui no teu maravilhoso cantinho do podcast,
Que eu amo de paixão mesmo,
Mas sabes que também gosto muito de ti,
Muito,
Muito,
Muito!
Obrigada,
Super feliz de ter aqui,
Gosto muito de ti,
Como disse,
E sabes que eu vou recebendo sempre mensagens de tópicos que as pessoas gostavam de ouvir,
Temas,
E sem dúvida que tenho recebido muito,
Assim,
Nos últimos tempos,
Pessoas a pedir perguntas,
Perguntas,
Perguntas,
Pessoas a pedir para falar do luto,
Mas principalmente sobre perdas estacionais,
E isto é algo com que tu lidaste e partilhaste sempre com muita verdade nas tuas plataformas,
E mostraste-nos realmente que é possível passarmos por esses momentos tão desafiantes,
Aprender com eles,
Evoluir,
E tens sido mesmo uma inspiração para tantas mulheres,
E é mesmo importante mostrarmos a essas mulheres que não estão sozinhas,
Mulheres e homens,
A questão do luto,
E mesmo esta perda,
Mas realmente há muitas mulheres que vivem esta situação em silêncio,
E hoje estamos aqui mesmo para desmistificar tudo isso,
E falarmos da tua jornada tão bonita,
Tão inspiradora,
Portanto,
Para quem não te conhece,
Conta-nos um bocadinho de ti,
Quem tu és,
E depois passamos então aos tópicos todos,
Conta-nos,
Minha querida.
Eu sou a Patrícia,
No Instagram,
Acho que a malta trata-me de Josie,
Ficou uma coisa,
Sabes,
Eu já pensei muitas vezes em mudar o nome,
Mas pensei,
Não dá,
Já está tão envezada,
Como tu disseste e muito bem,
Tirei o curso de Health Coach,
E foi uma coisa que agora é a minha profissão,
E sou muito grata por isso,
Estou neste momento em que estamos a gravar.
O processo de mudança de casa,
Assim,
Foi uma coisa muito interessante,
Um bocadinho muito diferente,
A fugir um bocadinho ao meu conforto também,
À minha zona de conforto,
O que é ótimo,
O que é que eu te posso dizer mais?
Tenho um cãozinho maravilhoso,
Que é o Churro,
Tenho uma relação há quase 13 anos,
O que é incrível,
Tipo,
Olha o meu Deus!
Não sei,
Eu não sou muito boa a falar de mim,
Sabes?
Mas é tão bom,
E tu tens partilhado muito também da tua jornada de tornar-te uma mulher,
E eu acho que é muito bom,
E tu tens partilhado muito também da tua jornada de tornar-te Health Coach,
Não é?
Que muitos medos surgiram,
E hoje estás a fazer os teus programas,
A ajudar muitas mulheres.
Sim,
Tem sido maravilhoso,
E tu foste uma ajuda incrível mesmo,
E sabes que sou muito grata por isso,
Mas eu acho que nós vamos,
Quando nós saímos da nossa zona de conforto,
Vamos ter sempre medos,
Não é?
São sempre crenças limitadoras que vamos ter que ir trabalhando,
E vamos trabalhando para o resto da nossa vida.
Exatamente,
Para sempre mesmo,
E portanto estás nessa fase de transição,
E já foste o teu trabalho,
Começaste esta jornada,
E tem sido incrível.
E no meio de tudo isto,
Partilhas também muito da tua vida,
Da tua jornada pessoal,
E portanto falando agora destes temas tão difíceis,
Mas tão importantes,
Não é?
E tu estás cá para partilhar mesmo,
Eu acredito que com a nossa história nós curamos.
Conta-nos,
Patrícia,
Como é que foi para ti viveres o luto da tua mãe,
Não é?
Teres passado por isso,
Como é que foi essa jornada para ti?
Eu sei que tu tiveste cerca de 10,
11 anos para realmente fazer o luto,
Não é?
Foi realmente uma vivência muito difícil.
Conta-nos como foi,
Que idade é que tu tinhas,
E como é que foi tudo?
Olha,
Eu tinha cerca de 18 anos,
Quando ela morreu.
Ela teve um cancro da mama,
Acho que eu devia ter uns 16,
17 anos nessa altura.
Deve ter sido 16 anos.
E o engraçado é que eu sempre senti que ia perder a minha mãe cedo,
Sabes?
Tinhas ali uma intuição.
Sim,
Não sabia de onde é que vinha,
Mas sentia muito isso.
Entretanto,
Lembro-me que quando ela morreu,
Que eu tive muito tempo em que não falava com ninguém,
Em que não chorava,
Era muito difícil lidar com as minhas emoções,
Lidar com este processo todo de luto.
O Fábio,
Que era a pessoa mais próxima de mim,
Ele sabia quando eu não estava bem,
Ele perguntava-me,
Então,
O que é que tens?
E eu dizia-lhe que não tinha nada,
E era só a décima vez que eu desabafava com ele.
Foi muito,
Muito complicado fazer essa gestão.
Entretanto,
Imagina,
O tempo vai passando e o que é que nós vamos fazendo?
Vamos pôr tudo para baixo do tapete,
Fica lá arrumadinho,
E parece que tu nem te lembras.
Parece que está tudo bem,
Mas está ali tudo comprimido,
As emoções todas recalcadas.
Sim,
Sim,
Sim.
Exatamente.
E eu sinto que,
Eu pensava que tinha feito o luto,
Entretanto,
Como sei,
Quando estávamos em Londres,
Porque nós fomos para Londres em 2012,
Foi mais ou menos em 2015,
2016,
Quando começámos a pensar ok,
Olha,
Se calhar faz sentido começarmos a pensar em construir a nossa família.
Mas eu sabia que,
Antes de estar grávida,
Eu queria curar toda a minha parte emocional.
Exatamente,
Que é super importante.
Sim,
Queria muito.
.
.
.
.
.
A geração,
Não é?
Exatamente.
Esperarmos tudo que temos para trás,
Porque depois vamos passando geração em geração.
Sim,
Sim,
Sim.
Olha,
Foi quando eu voltei,
Eu voltei em 2017,
Entretanto conheci a Joana,
E foi ela que me recomendou o psicoterapeuta dela,
E foi incrível.
Eu ainda hoje falo com a Rita,
E digo-lhe que estou muito grata,
Estou-lhe eternamente grata,
Porque ela trouxe muitas ferramentas.
E muitas coisas que ela me dizia.
Imagina,
Ela trabalha muito com a questão da consciência corporal,
Tiques que tu tens,
Que são inconscientes e que querem dizer alguma coisa.
Então eu tinha muitos.
E ela explicava-me porquê,
Porque é que isto acontecia.
Trabalhámos muito também a questão da minha mãe,
A questão da morte,
E para mim foi incrível.
Eu adoro e recomendo a todas as pessoas que façam alguma terapia.
E imagina,
É importante desmistificarmos que nós ao pedirmos ajuda,
Não quer dizer que somos fracos.
Eu acho que ainda existe muito aquele estigma de ''Ai,
Vais ao psicólogo,
Então és maluca'',
Sabes?
Não,
Não é nada disso.
E hoje em dia eu acho que cada vez mais é importante as pessoas cuidarem da sua saúde mental tal como cuidam da sua saúde física,
E procurarem ajuda,
Procurarem terapeutas.
Acho que é mesmo um dos primeiros passos.
Perceber que não temos que viver esta jornada sozinha,
Portanto isso trouxe logo uma enorme transformação.
E nessa altura,
Quando começaste a fazer esse trabalho,
Quais foram as coisas que te ajudaram nesse processo de luto?
Olha,
Foi muitas conversas com a Rita.
Ela ensinar-me que é ok nós falarmos,
E desabafarmos e metermos cá para fora o que é que estamos a sentir.
Ela costumava dizer muitas vezes que eu tinha uma tampinha na garganta,
Ou seja,
Eu ia acumulando,
Acumulando,
Acumulando,
E depois não libertava aquela tampa.
Mas ela trouxe muitas ferramentas.
Imagina,
Colocar os meus próprios limites.
Porque depois é muito engraçado,
Imagina,
Tu vais trabalhando no teu luto,
E vais trabalhando em vários aspectos da tua vida.
A maneira como te apresentas aos outros,
Os limites que tens que colocar para também te protegeres a ti.
Foi muito bom,
Mesmo.
E eu agora sou muito fã dela e recomendo-a a toda a gente.
Como é que ela se chama?
Rita Xerepe.
Ok,
Depois deixamos também nos links do episódio,
Porque as pessoas depois vão querer,
E se recomendas é ótimo.
Sim,
Gosto muito dela.
Como é que tu sentiste que.
.
.
Portanto,
Tu demoraste 11 anos para fazer o tal luto.
Eu vi também recentemente,
Tu foste à televisão também partilhar esta jornada,
E uma das coisas que referiste é que sentias também alguma culpa por não teres ido ao hospital.
Sim.
Porque a tua mãe estava no hospital,
E isso talvez tenha sido uma coisa que te dificuldou.
Sim.
Quando a minha mãe estava internada,
E imagina,
Naquela altura nós fomos miúdas,
E estás do género,
Ah,
Vai ficar tudo bem,
Tenho mais coisas com o que me preocupar.
Não tens aquela consciência que se calhar precisas.
Que idade tu tinhas,
Patrícia,
Nessa altura,
Quando a tua mãe.
.
.
Eu tinha pai uns 16,
Quando ela ficou doente.
Eu lembro-me que foram aos 16 ou 17,
Porque antes de ter o câncer ela tinha tido um AVC,
E recuperou muito bem,
Muito rápido.
Mas foi uma coisa logo,
Um muito seguida à outra.
Portanto,
Eu lembro-me,
Deve ter sido dos meus 15 aos meus 18,
Em que havia sempre doente.
E lembro-me que estava sempre a adiar ir ao hospital,
Do género,
Ah,
Posso ir amanhã,
Posso ir amanhã.
Eu lembro-me que estava assim,
Numa secretária,
Estava a estudar,
E tinha passado esse dia tudo assim,
A suspirar sempre.
Mas eu nunca me tinha acontecido aquilo.
E o meu irmão,
Na noite anterior,
Também disse,
Olha,
Estou com um mau pressentimento,
E eu disse,
Ah,
Não sejas barba,
Não vai acontecer nada.
Entretanto,
Eu lembro-me que estava a estudar,
E o meu pai ligou-me e disse,
Olha,
Não venhas ao hospital,
Porque eu ia nesse dia,
Não venhas ao hospital,
Porque a mãe está em coma.
Entretanto,
Entrei,
Fui ao hospital,
Levei uma amiga minha na altura,
E estava lá também uma prima minha,
E entrei no quarto,
Ela estava com a máscara de oxigênio,
Lembro-me perfeitamente do som que ela fazia,
A respirar,
Despedi-me dela e disse-lhe que gostava muito dela,
Depois,
Quando eu saí,
O meu pai entrou,
Ficou com ela,
Passados 5 minutos,
Ela morre.
Pois.
Bem,
É mesmo,
Realmente,
Talvez ela estivesse mesmo à espera para se despedir de ti,
Não é?
Sim,
Sim,
Eu acredito muito nisso.
E depois,
Durante algum tempo,
Culpei-me muito por não ter ido mais cedo ao hospital e ter falado com ela,
Mas agora olho para trás e já me perdoei há muito tempo.
Exatamente,
É tão importante o perdão,
Eu acho que,
Sem dúvida,
Nós temos que fazer esse trabalho de cura,
E o perdão,
Eu acho que é das primeiras coisas,
Porque ficamos com uma coisa dentro de nós,
E porquê é que eu não disse mais vezes aquilo,
Ou porquê é que eu não fui lá,
Não é?
A pessoa começa a questionar,
E temos que nos perdoar,
Porque tu eras uma menina com 16 anos,
Estavas a viver a tua adolescência,
Não tinhas tanta consciência de tudo o que estavas a viver,
E a tua mãe viveu exatamente o que tinha que viver,
Cumpriu o seu propósito,
Deixou filhos incríveis,
E é mesmo importante fazer essa cura,
E tão bonito que ela estivesse esperada pela vossa despedida,
E eu acho que é algo que deves guardar no teu coração,
Mesmo como algo bonito,
Não é?
Sim,
Foi muito bonito,
E depois lembro,
Quando cheguei a casa,
E o meu irmão tinha 10,
11 anos na altura,
Porque nós temos 7 anos de diferença,
Lembro-me,
Olha,
Eu disse,
Olha mano,
Tenho uma coisa para dizer ele,
Já sei,
Ele sabia,
Sabe,
Ele sentiu que a mãe tinha morrido,
Sim.
Tinhas que ter ido lá.
Sim,
Foi,
E perdoei-me,
Sabes?
Perdoei-me,
Tipo,
Por não ter ido lá mais cedo,
E acho que é muito importante o que tu estás a dizer,
Nós temos de nos perdoar,
Porque naquele momento foi a escolha que nós fizemos.
Exatamente,
Estavas a fazer o melhor que podias,
O que achavas certo,
E é mesmo importante nós perdoarmos,
E uma das coisas também muito bonitas que tu partilhaste na entrevista à televisão foi realmente nós dizermos sempre tudo,
E que foi uma das lições que tu retiraste,
Dizermos sempre tudo às pessoas que nós gostamos,
Não é?
Às vezes vivemos uma vida tão ocupada e esquecemos de se calhar dizer aquilo que sentimos,
Dizer,
Olha,
Gosto mesmo de ti,
Adoro,
Desculpa por ter feito isto,
Não é?
Dizermos tudo,
Não deixarmos nada por dizer,
Foi também uma das grandes lições que tiveste,
Não foi,
Patrícia?
Foi,
Foi,
É muito importante,
E até mesmo aos meus amigos eu digo,
Digo ao Fábio,
Digo sempre,
É o meu churrinho também,
Sabes?
É muito importante.
Sim,
É mesmo importante.
Não sabemos mesmo o dia da manhã e temos mesmo de dizer o que sentimos hoje.
Claro.
E portanto,
Fizeste todo este processo,
Não é?
De luto,
De preparação também para te tornares mãe,
E que foi algo muito desejado por ti,
Eu lembro-me de quando eu já estava grávida de Iris,
Fomos fazer um almoço.
Pois foi,
Eu,
Tu e a Inês.
Tu e a Pais,
Também grávida,
Duas,
Do mesmo tempo,
Mais ou menos.
Foi muito lindo.
Comida maravilhosa.
É,
Comida muito boa.
Como é que se chamava o restaurante?
Aquele restaurante era muito bom.
É um restaurante libanês,
Não sei o nome.
Pois,
É delicioso.
Bem,
Agora a pessoa não pode sair,
Estamos a sair de casa,
Mas quando quiser,
É muito lindo.
E naquela conversa foi muito bonito,
Porque eu e a Inês já estávamos grávidas,
E tu,
Eu sinto que já a tua alma,
A alma que vinha para ti já estava contigo,
Sabes que eu sinto,
E hoje em dia olho para fotografias minhas antigas,
Antes de eu estar grávida da Iris,
E há momentos que eu noto que já estava grávida,
É muito engraçado.
Ah,
É tão lindo.
Tu também já estavas,
Porque a gravidez não é só o momento físico,
A alma está connosco,
E às vezes está connosco 3,
4,
5 anos até nós estarmos realmente preparados para receber,
E foi muito bonito,
Que eu sinto que tu já estavas a viver tanto aquela maternidade,
Estávamos as três a viver muita maternidade,
Eu e a Inês já grávidas,
E tu sem dúvida que já tinhas isso contigo,
E foi muito bonito,
Porque depois até criámos um grupo no WhatsApp.
Pois foi.
Pois.
Mas foi.
Faltam já para nos falar esses temas.
Foi muito bom,
E pouco tempo depois,
Eu penso que ainda estava grávida,
Não é,
Da Iris,
Tu ligaste-me e contaste-me da tua gravidez.
Pois foi,
Sim.
E foi muito feliz,
E que realmente tu preparaste tanto,
E para aquele momento foi algo tão desejado,
E depois viveres desta perda,
Como é que foi,
Patrícia?
Sem dúvida que foi um dos momentos mais difíceis que tu passaste.
Sim,
Foi.
Eu acho que 2020 para mim foi um ano transformador,
Em todos os sentidos,
E o engraçado é que quando as pessoas antes me perguntavam se eu queria ser mãe,
Eu dizia que não,
Dizia não,
Não quero ser,
Até cheguei a ter uma conversa com o Fábio,
E disse-lhe,
Olha,
Eu não quero ter filhos,
Como é que estás tu com isto?
Mas depois,
Não sei,
Houve algo que despertou.
É um relíquio,
Não é?
Passados uns anos,
Sim.
E então,
Nós começámos,
Tive as consultas todas com a Rita,
Depois comecei a fazer acompanhamento com a minha doula,
De pré-concessão,
Com a Catarina Gaspar,
Em 2019,
E em janeiro de 2020,
Engravidei,
Do ano passado.
E obviamente fiquei super feliz,
Porque era a mesma coisa.
Logo no início do ano.
Sim,
Logo no início do ano,
Era a mesma coisa que nós queríamos,
Super,
Super contente,
Liguei-te a ti,
Liguei-te a ti,
Liguei.
.
.
Imagina,
Eu sinto que,
Para nós,
Nunca fez sentido,
Aquele de,
Ah,
Não contas até às três semanas,
Porque pode acontecer alguma coisa.
Pode sempre acontecer.
Exatamente.
Para mim,
Isso sempre fez sentido,
Ter as pessoas ao meu lado,
Se acontecesse alguma coisa,
Eu sabia que elas lá iam estar.
Eu contei a muita gente,
Eu agora olho para trás e penso,
Que se calhar me devia ter resguardado,
Não pela questão da perda,
Mas porque depois foi muito desgastante,
A nível emocional,
Ter de contar a toda a gente.
A toda a gente.
Mas eu estava tão feliz,
Sabes,
Eu só queria ir com o megafone,
Para a rua,
E dizer,
Estou grávida.
Estou grávida.
Sim,
Sabes,
Estava muito,
Muito feliz.
Entretanto,
Nós fizemos a ecografia das seis semanas,
Sete semanas,
Estava tudo bem,
E fomos fazer,
Então,
A ecografia do primeiro trimestre.
E foi aí que sabemos que o nosso bebê não era a altura de ele vir,
Ele parou de se desenvolver às oito semanas,
E eu tive um aborto retido,
Que era uma coisa que eu nunca tinha ouvido falar,
Eu tinha ouvido falar de aborto espontâneo,
Em que nós temos perdas de sangue,
E percebemos o que é que pode estar a acontecer.
Um aborto retido,
O meu corpo não deu sinais nenhums,
A única coisa que eu tive foi a diminuição dos sintomas de gravidez,
Eles desapareceram,
E depois,
Quando estava a falar com a Catarina,
Ela disse que,
A nível espiritual,
O meu corpo não queria deixar ir aquela gravidez,
Sabes,
Não queria que acabasse.
Sim,
Claro.
Portanto,
Eu tive mais ou menos,
Eu falei,
Entretanto,
Com a Mariana,
Porque há várias formas depois de tudo acontecer,
De existir a expulsão,
Nós decidíamos aguardar,
Como o corpo fizesse pela forma natural,
Imagina,
Não há um tempo máximo que tens que ir vendo,
Consoante o médico,
Não é?
E se tem sinais de infecção ou não,
Nós decidíamos aguardar três semanas,
Portanto,
Eu tive,
Desde as oito semanas até às doze,
Em que o bebê já tinha morrido e eu não sabia,
E depois tive mais três semanas à espera,
Como o corpo fizesse todo o processo.
E isto foi no meio da pandemia,
Do primeiro confinamento.
Eu também sou acompanhada pela Filipe,
Em medicinas chinesas,
Ela mandou-me uns óleos para ir fazendo,
Mas também atrasou por causa do confinamento,
Mas comecei a fazer.
E senti,
Comecei a sentir algumas mudanças,
Mas já tinha chegado ao fim das três semanas e eu disse,
Olha,
Mariana,
Isto não está a dar,
Como é que é?
Esperamos mais,
Como é que fazemos?
E a Mariana é sempre muito querida,
Muito descomplicada e disse,
Olha,
Nós estamos a esperar mais,
E disse,
Olha,
Nós podemos passar a pedir ajuda a recursos de fármacos e está tudo bem com isso,
Não é?
Não tens de fazer já,
Fazes quando sentires.
Quando sentires.
E então eu fui,
Eu comprei e fiz porque eu sentia que também precisava que ocorresse a expulsão para ser também um fechar,
Sabes?
E o início do luto.
E isto,
Para quem está a ouvir,
Não há escolha certa,
Eu acho que depende muito de cada mulher.
Há mães que não se vão sentir confortáveis com o facto de saberem que tem um bebê dentro delas que não está vivo e há outras que estão bem.
E para mim,
Eu estava bem com essa decisão.
Entretanto,
Fiz os comprimidos porque foram inseridos vaginalmente.
Olha,
Eu olho para trás e penso assim,
Meu Deus,
Foram umas duras,
Não estás a perceber?
Pois.
Porque aquilo é mesmo,
É como se estivesse a ter um parto.
É um parto mesmo.
Mas obviamente que é um útero mais pequeno,
Mas é um parto.
Tens as contrações,
Tens tudo.
E foi mesmo muito forte.
Eu lembro-me que a Mariana me perguntou se eu tinha,
Tipo,
Um paracetamol em casa e eu disse que sim,
Mas ela disse,
Olha,
Vou te recetar outra coisa porque há mulheres que têm mesmo muito mais dores.
E eu disse,
Ok.
Lembro-me que acordei por volta das 2h30,
3h e senti muita necessidade de ir andar,
Sabes?
Tipo,
Começar a fazer assim.
É muito engraçado como o nosso corpo funciona,
Não é?
E pensei,
Ok,
Olha,
Vou tomar um comprimido só para descansar,
Foi o único que eu tomei e lembro-me que acordei às 7h,
Das 7h às 1h,
Tipo,
Eu não dormi.
Estava muitas vezes a ir à casa de banho,
Quando estava deitada na cama,
Senti,
Tipo assim,
Um ploque e de repente fiquei toda molhada.
Deve ter sido o saco amoniótico a recomper,
Não sei.
E pronto,
Depois foi todo esse processo.
Estive na casa de banho com muitas perdas de sangue,
Muitos coágulos.
Fui também,
Fui para o ducho,
Apetecia muito estar na água,
Mas o que é que isso fez?
Eu desmaiei na banheira,
O Fábio estava a falar comigo e deixou de me ouvir por causa do quente,
Sabes?
Eu estava a perder muito sangue,
Estava muito quente e acabei por desmaiar,
Mas depois ele trouxe-me para a cama e passou,
Imagina,
Começou e depois parecia uma tempestade,
Sabes?
Está a chover tanto,
Tanta trovoada e depois de repente um sol.
Foi muito isso que eu senti.
Depois,
Passado para aí e depois de ter,
Outra vez,
Contrações utrinas,
Do outro a voltar ao lugar e foi muito isso,
Foi depois a parte desta expulsão,
Depois olharmos,
Ficarmos nós os dois e irmos fazer então o nosso luto,
Sabes?
Exatamente.
Eu sinto que se não tivesse feito o luto da minha mãe tinha sido muito difícil ter feito este luto.
Muito,
Muito,
Muito.
No fundo,
Foi uma preparação também para viver desta fase,
Não é?
Certas coisas que tu compreendeste no luto da tua mãe que te ajudaram a viver isto de uma melhor forma.
Sem dúvida,
Sem dúvida.
Eu lembro-me que mandei uma mensagem a Inês e disse-lhe,
Amiga,
Eu,
Porque houve uma parte que é que eu me senti mal porque entretanto quando eu partilhei isto no Instagram recebi muitas mensagens de mulheres que também tinham passado pelo mesmo e que disseram que demoraram um ano,
Seis meses a fazer este luto e eu disse-lhe,
Amiga,
Eu sinto mal porque eu fiz o meu luto em menos de um mês,
É o caminho.
Exatamente.
Cada jornada é única e cada pessoa tem o seu trabalho individual a fazer.
Exatamente.
Sim,
Sim,
Eu permiti-me sentir tudo e é muito engraçado que tu tens as fases do luto que é a negação,
Tens a raiva,
Tens a tristeza.
Nunca me culpei,
Isso é muito importante porque há muitas mulheres que se culpam e é importante que percebam que não foi nada que vocês tenham feito que levou a este desfecho.
Nunca me culpei mas lembro-me que a primeira vez que cheguei a casa para assistir e ter feito a ecografia eu disse,
Ah,
Não,
Não,
O médico está errado,
Eu vou ligar a Mariana e vamos marcar uma ecografia,
Sabes?
E a fase de negação,
Não é não?
Sim,
A fase de negação.
Lembro-me também quando o médico meteu a sonda eu percebi logo que alguma coisa estava errada porque eu já tinha visto ecografias de primeiro trimestre e tu vias que estava muito diferente.
E o Fábio também passou pelo processo de luto dele,
Não é?
Na forma dele.
Mas olha,
Aqui estamos,
Mais fortes que nunca,
O Fábio mais fortes que nunca,
Uniu-nos muito,
Eu sei que às vezes estes processos podem afastar um casal,
Totalmente,
Ou podem unir,
Nós ficámos muito,
Muito unidos.
É mesmo diferente para cada pessoa e lá está,
Vivermos também com o nosso parceiro esta fase e tentarmos cada um da sua forma viver da melhor forma.
Sem dúvida,
Sim,
E imagina,
O que eu percebi depois das histórias que me foram chegando é que isto não é uma coisa que se faz em casa,
Não,
É que isto não é um assunto falado,
Porque primeiro as pessoas,
Por norma,
Só contam às três semanas e depois tu passas por uma perda sem ninguém saber e ficas com aquela carga toda em ti e não tem de ser.
Eu acho que as pessoas também têm,
Depois de aprender a falar,
Aprender a pedir ajuda que é muito importante se assim o sentirem e não colocarem tudo para baixo do tapete.
Isso é uma coisa que a Catarina me disse,
Nós tínhamos passado uma sessão marcada com ela e decidimos manter e foi o que ela nos disse,
Ela disse vocês têm que trabalhar este luto todo agora e não colocarem para baixo do tapete porque senão ele vai voltar,
Numa próxima gravidez ele volta e eu acho que é muito importante nós tirarmos tempo e olharmos e permitirmos nos sentir,
Chorar,
Gritar,
Estar com raiva,
Sabes,
Isso faz tudo para fora,
Viver todas as emoções e não deixar que elas fiquem ali recalcadas,
E não deixar tudo para fora e só assim é que podemos libertar e curar.
E em termos espirituais,
Para ti também foi muito importante compreender esta questão,
Eu lembro que tu até partilhaste um livro comigo.
Sim,
Que é o Spirit Babies,
A minha filha Catarina que é lindo,
Esse livro é tão lindo,
Ele fala muito também sobre a questão da alma do bebê,
Já estar com os pais durante muito tempo,
Que às vezes está só à espera que aconteça alguma mudança na vida dos pais para eles poderem então vir,
E ele falou,
Há uma parte do livro em que ele fala sobre as perdas estacionais ou a interrupção voluntária da gravidez,
E na parte da perda estacionada ele diz que normalmente são sempre as mesmas almas que voltam numa próxima gravidez,
E também disse que aquele bebê ou não ficou porque ainda não estava preparado ou porque os pais tinham que trabalhar alguma coisa neles ou a mãe,
E eu olho para trás e digo,
Fogo,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
Não,
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