Olá,
O meu nome é Inês Nunes Pimentel e este é o meu podcast,
Ou melhor,
O nosso.
Este é um lugar para conectarmos profundamente connosco e falarmos abertamente de alma para alma.
Aqui partilho as minhas histórias,
Lições,
Trago-te as pessoas que mais me inspiram e dou-te as ferramentas e inspiração que precisas para apareceres ao mundo como a tua melhor versão e manifestares a vida dos teus sonhos.
Olá a todos,
Sejam muito bem-vindos a mais um episódio,
Espero que estejam bem,
Por aqui tudo ótimo ainda com a íris na barriga,
À espera que ela chegue em tempo divino e para hoje trago-vos talvez um dos episódios mais especiais e intensos que já gravei,
Que na verdade é mais do que um episódio,
É uma verdadeira jornada de cura.
Neles,
Junto-me à minha prima maravilhosa,
Margarida Pereira,
Que guia,
Apoia e empodera milhares de mulheres diariamente através das suas redes sociais e através do trabalho que realiza como facilitadora de círculos femininos,
Idola de gravidez,
Parto e pós-parto.
Estando eu a viver toda esta fase de gravidez e quase a receber a minha íris,
Senti que era o momento de conversar com ela,
Mas antes de mergulharmos em todo o universo da maternidade,
Eu senti que tinha que partilhar a história da Margarida com vocês,
Porque para mim a minha prima é verdadeira prova de como os empurrões do universo,
Mesmo os que conseguem fazer desabar tudo o que conhecemos,
Estão lá para nos guiar no caminho do nosso propósito e neste episódio a Margarida abre pela primeira vez o coração com toda a verdade e vulnerabilidade para partilhar com o mundo como foi crescer sem mãe,
Como esta perda encaminhou nesta busca pelo universo feminino.
E como nada acontece por acaso,
Eu sou em plena gravação do episódio com a Margarida que faziam precisamente 20 anos desde a partida da mãe dela,
Que era a irmã mais nova do meu pai e a minha madrinha e naquele momento eu senti de imediato que se estava a abrir um portal muito importante para esta nossa eterna jornada de cura.
Aqui a Margarida partilha também como quando finalmente se começa a conhecer como mulher engravida sem planear e lida com a interrupção voluntária da gravidez,
Como quase interromper a gravidez e já com o comprimido na mão algo impede de o fazer,
Como escolhe levar a gravidez em frente mesmo perante os seus maiores medos,
Como decide separar-se do pai da sua filha e viver a maternidade a solo,
Como o perdão tem sido a sua maior cura e como todos estes empurrões do universo levaram a viver o seu propósito e eu hoje a ter um este papel tão ativo no empoderamento de mulheres.
Este é daqueles episódios que não importa a fase da vida em que estamos,
Todos temos tanto a aprender.
A minha prima Margarida é por conhecimento e poesia e a sua história de vida mostra-nos a todos que mesmo perante toda a escuridão é mesmo possível encontrarmos a luz.
Por isso sem mais demoras vamos então dar as boas-vindas à maravilhosa Margarida Pereira.
Olá minha querida Margarida,
Bem-vinda!
Olá,
Obrigada por estar aqui contigo.
Tão bom,
Muito feliz de te ter aqui,
É mesmo uma honra poder ter-te aqui comigo para falarmos todos estes temas da maternidade,
Parte nesta fase que eu estou a viver,
Tu és sem dúvida a pessoa perfeita para falar de tudo.
Vou-te pedir só brevemente para te apresentares,
Ao longo deste episódio nós vamos abordar muito a tua história,
A tua jornada,
Mas brevemente para quem não te conhece,
Diz-nos só quem és,
O que fazes.
Então,
Para mim também é um grande prazer estar aqui a falarmos agora nesta tua fase final e queria muito ainda termos uma conversa antes de a ter,
Porque é realmente um momento muito importante e marcante das nossas vidas e devemos ter a nossa rede de apoio próxima,
Nem que seja de constância física,
Mas próxima aqui connosco,
Do coração e do emocional.
Então,
Eu sou Margarida Pereira,
Sou a mãe da Jasmin e a minha filha tem um ano e meio e eu depois de a ter logo a seguir ao parto,
Formei-me como doula,
Ou seja,
Eu já estava no meio dos círculos femininos,
Da educação mestrual,
Mas depois foi aqui a entrada na maternidade que me levou também para outra vertente do universo feminino,
Que é a questão da maternidade e dos partos e hoje também trabalho como doula,
Aqui a ajudar as mulheres e os casais a entrarem-se na gravidez e para o parto e preparar-se para esta fase tão especial e marcante na vida de uma pessoa ou de um casal.
Então,
Sinto que realmente o propósito está muito alinhado também sempre com aquilo que eu vivo a um nível mais pessoal,
Então fez muito sentido depois da minha gravidez entrar neste mundo também das mamães,
Porque antes disso realmente eu não tinha qualquer relação com esta fase da mulher,
Porque eu também não a tinha vivido,
Então o meu propósito e aquilo que eu partilho está sempre de mãos dadas com aquilo que eu estou a viver,
Porque eu gosto de falar também da primeira pessoa e de sentir no corpo e depois aquilo que eu aprendo com o meu corpo é aquilo que eu também passo às outras mulheres e às outras pessoas.
E para quem não sabe,
A Margarida é a minha prima,
Aliás é prima e irmã,
Nós temos mesmo assim uma relação muito próxima,
Crescemos juntas,
Eu vi a Margarida nascer,
Não vi mas acompanhei desde sempre e para mim é mesmo muito especial acompanhar todo este teu crescimento,
Todo este teu trabalho incrível e ver como a tua história te tem feito chegar aqui,
Tu para mim és um grande exemplo de tudo aquilo que eu vou partilhando muito no meu trabalho também e neste podcast,
De que como os empurrões do universo,
Como eu costumo chamar,
As coisas que vão acontecer na nossa vida que nós não estamos à espera e que por vezes olhamos para elas e olhamos como algo negativo,
Estão lá a acontecer para um motivo e para nos encaminhar para esse nosso propósito e tu és mesmo a prova disso e por isso neste primeiro episódio em conjunto eu gostava mesmo de mergulhar na tua história que é tão bonita,
Tão inspiradora e como ela te tem encaminhado para este teu propósito de vida,
Não é?
Para começar,
Gostava de abordar o facto de teres crescido sem mãe,
Para quem não sabe,
Então somos primas,
A mãe da Margarida era a irmã do meu pai e a Margarida perdeu a mãe com 4 anos e eu perdi a minha madrinha,
Nós perdemos uma pessoa muito especial na nossa família e sem dúvida que isso teve um impacto muito grande na tua vida porque tu cresceste sem mãe,
Sem essa energia feminina e eu queria que tu partilhasses como é que teres crescido sem mãe,
Sem essa energia te fez mergulhar neste mundo feminino,
Te fez ir à procura do feminino,
Que é o feminino e como isso te fez chegar até aqui.
Uma das coisas que me estão a surgir,
Primeiro que tudo,
Uma das grandes lições que eu levo da minha jornada até agora é realmente esta questão de aquilo que nós achamos que não serve,
Que é negativo,
Que vou dizer mesmo em 2 aspas,
Aquilo que nós achamos que é uma merda é adubo de que vai fertilizar uma outra coisa,
Aquilo que já não serve é adubo na terra para fertilizar novos seres,
Novas plantas,
Novas potências,
Então trazer também aqui o poder das dores,
O poder das perdas,
O poder daquilo que já não nos serve e que nós queremos,
Aquilo que nós achamos que é negativo e tornar isso como adubo também das nossas vidas e como fertilizante é muito,
Muito importante e às vezes não temos essa perceção que realmente,
Em 2 aspas novamente e desculpa a expressão,
Mas é mesmo assim,
A merda é adubo para a nossa vida,
Então aquilo que nós achamos que nos coloca lá no fundo,
É aquilo que depois,
É realmente o que nos coloca lá no fundo porque é debaixo da terra que a semente pode brotar,
É nessa escuridão,
É nesse fundo que depois pode brotar então a planta e a vida,
Então eu acho que é muito importante termos essa visão durante as coisas,
É difícil quando estamos embaralhadas nesse processo,
É difícil ter esse propósito,
É difícil perceber que estamos aí debaixo da terra,
Debaixo da escuridão para assim nascermos,
É difícil percebermos essa relação na altura mas quando realmente começamos a ver isso acontecer na nossa vida,
Começa a tornar-se mais fácil encaixarmos essa perspectiva.
Depois,
Outra coisa também que acho importante e simbólica,
E não é por acaso também que estamos a falar disto agora e isto é um assunto que eu falo muito pouco porque é algo que eu também estou a processar,
Esta questão dos glúteos e fez agora anteontem,
20 anos que a minha mãe morreu,
Então nós estamos a falar disto agora,
20 anos depois.
Bem,
Incrível,
Nada é por acaso.
E a partilha faz parte da cura,
Sem dúvida.
Sim,
Sim,
Sim.
Então,
Eu gosto muito de trabalhar aqui com estes três pilares que eu acredito que são os pilares da vida que é a vida,
A morte e a sexualidade.
A pessoa quando sabe encarar a morte,
Sabe encarar a vida e vive melhor a sua sexualidade e sexualidade,
Digamos,
Prazer de viver,
Êxtase,
Estar num corpo,
Conexão com o corpo.
Então,
Eu acho que estes são realmente os pilares e são pilares que são tabus,
Que as pessoas não querem ver o nascimento não querem fazer os glúteos da morte e reprimem a sua sexualidade,
Então eu acredito que o que germina desta repressão não é assim tão saudável e é um pouco mais tóxico do que nós desejaríamos.
Então,
A minha vida também,
O meu desenvolvimento pessoal também parte muito por encarar a morte,
Que significa também encarar a vida,
Uma não vive sem a outra e exaltar aqui a parte da sexualidade,
Que são os instintos mais naturais,
Que é a natureza em nós,
Que é aquilo que nós não controlamos e que é aquilo que nós temos medo de olhar e temos medo de sentir.
E como nós também vamos falar,
Temos medo de sentir o parto e anestesiamos,
Temos medo de sentir a morte e não queremos ver,
Temos medo de sentir o sexo e não temos medo de sentir o prazer do corpo e renegando-o das mais diversas formas e sentindo-nos culpadas por ele.
Então,
Há aqui coisas muito importantes e estruturais,
Que a partir destes três pilares,
Vida,
Morte e sexo,
Eu acho que nós resolvemos a totalidade das nossas questões,
Sim,
E sustanciales.
Então,
Realmente,
Como eu dizia,
É um assunto que eu abordo pouco,
Assim,
Nitidamente,
Eu escrevo sobre muitas coisas no Instagram,
Mas nunca escrevi sobre a minha mãe especificamente,
Porque é algo que é um pouco mais fácil de falar aqui,
Assim,
Entre nós,
Mas publicar e escrever sobre isso é realmente mais difícil,
É um processo que eu ainda não estudei lá e sinto que estou a caminhar devagarinho também para isso,
Por isso é que me formei como doula de nascimento e também estou muito interessada nas doulas que acompanham o fim de vida.
Então,
É que as doulas são mulheres também que acompanham estas transições,
Que apoiam os nascimentos ou as mortes e os processos emocionais e as transições que estão vinculadas a esse processo.
Então,
Eu acredito que a doula também foi uma figura que eu conheci só depois,
Só quando engravidei e,
Realmente,
Eu acho que todas as pessoas precisam de ser douladas,
Entrar depois nestes processos,
Porque precisa de alguém que realmente,
É alguém que está ali a apoiar,
A amparar a agitação deste processo,
Quer sejam contrações para fazer nascer vida,
Quer sejam lágrimas para processar uma perda,
Então,
Um é algo que já cria tanta agitação interna,
É alguém que está cá fora a ponter,
A abraçar,
A trazer os limites novamente do corpo àquela pessoa,
Para que ela possa enraizar-se e ficar mais presente.
Então,
Isso é,
Assim,
Muito genericamente aquilo que uma doula faz,
Tanto seja de vida como de morte,
E,
Realmente,
Foi um processo importante para mim tornar eu também a minha própria doula nesse aspecto dessas transições.
Realmente foi,
Eu entrei no mundo do sagrado feminino quando estava,
E dos círculos de mulheres,
Quando estava muito desconectada daquilo que eu estava a estudar,
Na altura estava a estudar Comissões Internacionais,
Que era uma área que o meu pai queria muito que eu estudasse,
E eu segui super sem saber quem era e quem as pessoas à minha volta queriam que eu fosse,
Não é?
Então,
Eu segui por esse caminho,
Que na altura era o mais fácil.
Depois,
Houve ali um confronto tão grande com já não dá mais para não ser eu.
Então,
Não sei como,
E agradeço muito à internet por nos permitir isto,
Mas comecei a seguir mulheres brasileiras que falavam de círculos,
Porque no Brasil as mulheres estão um bocadinho mais à vontade com essas questões,
Que se ligavam ao corpo e o corpo à natureza,
Que se juntavam entre elas.
Então,
Eu achava aquilo uma coisa muito estranha e muito poderosa ao mesmo tempo.
E depois encontrei-se em Portugal e fui ao meu primeiro círculo de mulheres,
Penso que foi em 2017.
Fui ao meu primeiro círculo de mulheres,
Intencionalmente,
Não é?
De tomar essa decisão de uma forma intencional e de um lugar já consciente do que é que estava a começar.
Mas nunca associei isto à minha mãe,
Não é?
Nunca associava.
.
.
Eu sabia que era uma coisa que estava lá longe por trabalhar algum dia,
Mas quanto menos um círculo melhor,
Às vezes é assim.
E então,
Nesses primeiros círculos de mulheres que eu fui,
Depois quando comecei a ouvir a expressão da frida materna,
Eu pensei bem,
Ok,
Eu não vi para o sítio certo,
Porque eu não quero falar sobre isto,
Isto não é para mim e eu nunca mais volto aqui.
Estava ali um bloqueio ainda muito forte,
Não é?
Então,
Realmente foi um espelho que me trouxe uma consciência de que,
Ok,
Há aqui um bloqueio sobre um destes três pilares,
Não é?
Que trabalha a morte e que se vai refletir na vida,
E que eu preciso trabalhar uma vida mais integral e mais empoderada.
E aí foi assim um bocadinho começar,
Foi a primeira vez que eu comecei a falar disso em público,
Porque depois a morte,
Tal como o sexo,
É um assunto tabu,
Então eu também cresci com isso de uma forma muito fechada.
O meu pai não quis mais tocar no assunto,
Nunca mais tive familiares a falar sobre isso,
Então foi uma figura que se apagou completamente.
Então eu sempre cresci com esta parte da mãe e do feminino como uma figura proibida,
Uma figura que não se fala,
Que não existe,
Que está lá,
É quase como o elefante no meio da sala,
Não é?
É impossível não falar da mãe da origem da vida,
É impossível não falar disso,
Mas é impossível não falar do sexo e da origem da vida,
Mas como toda a gente está desconfortável com isso,
Porque realmente o contato é com a nossa essência,
É o elefante no meio da sala.
Então eu comecei a ter contato com isso,
Se eu realmente quero mover-me com a liberdade,
Eu não posso ignorar aqui o elefante no meio da sala.
E então comecei suavemente a ter percepção de que isso era alguma coisa que eu deveria trabalhar no desenvolvimento pessoal e que realmente teve-me muito recalcado,
Que foi um assunto tabu durante anos e anos e anos.
Aconteceu,
A minha mãe morreu quando eu tinha acabado de fazer 5 anos,
No final de março eu fiz 5 anos e a meio de abril a minha mãe faleceu.
E realmente era um assunto,
Eu sempre tive muita vergonha de falar sobre isso,
Lá está,
Porque a vergonha também esconde os medos,
Esconde aqui esta culpa.
E então,
Como nunca foi falado,
E é muito importante as crianças terem as palavras organizadoras dos adultos,
Porque a criança não se organiza por si própria,
A criança não faz um match entre aquilo que acontece fora e aquilo que acontece dentro sozinha.
Então precisa de um adulto a organizar essa estrutura,
A dizer,
Olha,
Se ele está assim internamente porque alguma coisa aconteceu externamente,
Faz sentido,
É válido,
Pode sentir.
Então é muito importante a criança ter esta validação e ter esta organização e este apoio de alguém que já tem uma estrutura emocional construída e que pode apoiar a construção também de uma criança.
Daí então é importante nós abordarmos o tema da morte com as crianças,
Que foi algo que eu,
Por acaso,
Falei num dos últimos podcasts,
Que abordei a questão da morte.
Porque é muito importante,
Porque de facto ficam ali bloqueios e torna-se um tema tabu que a pessoa não consegue resolver,
Não é?
E não fazendo o luto,
A pessoa não consegue avançar.
E portanto,
No teu caso,
Tu só conseguisses fazer isto muito mais tarde por ti.
Sim,
Porque até então foi mesmo.
.
.
E mesmo quando alguém por acaso tocava no assunto,
Por exemplo a minha avó paterna,
Que era muito ligada à mim,
Houve um pontinho ou outro que ela tocava,
Mas eu sentia-me super desconfortável ao ouvir falar sobre isso,
Eu ignorava.
Eu escondia,
E isto são coisas que depois eu trago à memória e vejo como estava refletido,
Por exemplo,
Na escola,
Quando nós escrevemos com quem vivemos,
Naquelas fichinhas de descrição,
Eu tinha sempre vergonha de escrever essas coisas.
Portanto,
Quando nós vamos aqui ao trabalho com os pais,
É quando nós realmente descobrimos muita coisa sobre nós.
Nesta relação com os pais,
Espera-se também a relação com companheiros,
A relação com filhos.
Portanto,
A primeira relação que nós temos,
Que é a relação com a mãe e com o pai,
Diga muito sobre as nossas relações no futuro,
Quer seja com amigos,
Com companheiros,
Companheiras,
Com os filhos.
Por isso é que a maternidade é mais um impulso para nós voltarmos a conectar com,
Agora que eu sou mãe,
Conectar-me com a figura da mãe,
Com a filha também em mim,
Com a maternidade que eu já vivi no papel de bebê,
E agora estou vivendo no papel de mãe,
Mas o contexto é o mesmo.
É muito interessante ver como os filhos espelham também o bebê dentro de nós,
O bebê que eu fui está espelhado na filha que eu tenho à minha frente.
Porque estamos envolvidas da mesma sensibilidade,
Do mesmo contexto maternal,
Da mesma origem de vida,
Não é?
Então,
Para mim foi realmente um assunto muito tabu esta questão da morte e do feminino.
Eu lembro-me que depois também,
Como houve coisas que eu experimentei um pouco mais sozinha,
Eu tinha vergonha de ir comprar sutiãs,
Ir a comprá-los sozinha.
Comecei a desbloquear um bocadinho a vergonha de pedir pesos higiênicos ao meu pai quando foi o início da menstruação,
Por exemplo.
E tudo isto me mostrou realmente estes bloqueios que várias mulheres têm.
Quando eu comecei a perceber que aquilo que eu sinto,
Muitas de nós também sentimos,
Houve aqui uma magia que se abriu e o poder dos séculos femininos é isso.
É ter mulheres a amparar a nossa história,
A cuidar e a dar cola à nossa história,
Como nós muitas vezes não temos na vida diária.
E a perceber que é muito mais aquilo que nos une do que nos separa,
Não é?
Apesar das origens de onde vieram as questões,
Há muitas mulheres com esta dificuldade em realmente fazer lutos de identidades que já não são verdadeiras para elas.
Fazer lutos de relações,
De maridos com os quais se divorciaram,
Ou o que é que seja.
Então,
O luto está presente em muitas formas e é preciso aprendê-lo a viver e aprendê-lo a termos dolas,
A termos pessoas que podem ser uma dola,
Podem ser uma amiga.
Às vezes as amigas são as melhores dolas que nós temos,
Que realmente estão ali para acolher,
Para nos conter,
Para nos trazer para o corpo e para a presença e para o prazer de viver.
Nós não queremos sair do corpo.
Depois também há muito isso,
É o impulso subconsciente de morte,
Que é quando alguma coisa acontece,
Eu quero sair daqui,
Eu quero ir para outro lugar,
A vida não é segura,
Nada disto faz sentido,
Eu quero morrer.
Às vezes há mesmo,
Em mulheres e em homens que se separam com estas questões,
Às vezes há mesmo esse impulso,
Eu quero ir para outro sítio melhor do que a vida,
Não é?
Mas depois temos de ter alguém que nos traga aqui para o prazer de viver,
Para o corpo,
Para a terra e perceber como isto também pode ser um lugar seguro.
Então é importante também ter esse apoio,
Não é?
Então,
Continuando,
Realmente eu senti que não foi objetiva a forma como eu entrei nos tipos de mulheres e no Sagrado Família,
De olha,
Vou entrar aqui e procurar isto,
Não foi nitidamente.
Eu senti-me encaminhada,
Senti-me chamada e depois percebi que eu trazia as questões também com a minha mãe,
Não é?
Depois foi um processo que comecei,
Comecei a falar mais sobre esse assunto,
Comecei a fazer constelações familiares,
Onde realmente comecei a desbloquear algumas coisinhas,
As primeiras,
A pontinha do iceberg.
Estava a começar-se.
E depois realmente comecei a aprofundar um bocadinho mais a questão do ciclo menstrual,
Comecei a perceber o corpo da mulher,
Comecei a perceber os tabus à volta do sangue,
Os tabus à volta da sexualidade.
Depois entrou muito aqui a conexão com a terra também,
Porque a terra também é a figura da mãe,
A mãe terra,
A mãe natureza,
Então ligarmos à origem,
Ligarmos à terra.
Então comecei também a ligar-me às práticas de ecologia,
Ao veganismo,
Aos pensinhos menstruais ritualizáveis,
Que me faziam ligar à mãe,
Que me faziam ligar ao sangue,
À vida.
Não sei como esses processos mais sutis,
De rituais,
De ligação com a mulher e à terra,
À grandeza,
À manifestação do poder criativo e maternal,
E que sempre nos apoia.
O grande colo que nós temos sempre é da mãe terra.
E depois,
Quando realmente comecei a entrar mais nesse mundo do ciclo menstrual,
Engravidei,
Desesperadamente.
Não queria engravidar,
Não foi planeado,
Não foi desejado,
Foi assim outra vez um trampolimão enorme,
Um dos grandes trampolimões também que eu pedi de enfrentar.
Às vezes a gravidez é uma merda para muitas mulheres,
Não é sempre aquela coisa de,
Era isto que eu queria,
Era a melhor coisa que podia acontecer.
Às vezes o estado de gravidez não é de todo um estado de graça,
Mesmo que depois possa vir a ser,
Pode não ser logo no início.
E o amor à primeira vista também não é uma realidade para todas as mães com os seus bebés,
Portanto estamos aqui a respeitar o tempo das coisas.
E realmente a gravidez,
Quando eu descobri que estava grávida,
A minha primeira reação foi marcar uma interrupção de gravidez,
Porque não havia outra opção.
Eu estava também a começar o meu trabalho de conta própria,
Ia estudar muito ainda,
E com uma relação de seis meses à distância,
Porque o pai das duas minhas é do Algarve e eu sou aqui da Almada,
Então não era de todo uma realidade que eu queria viver.
Foi mesmo algo que se colocou assim na sombra.
Surgiu mais um empurrão e no fundo todos estes empurrões te foram encaminhando cada vez mais,
Mesmo sem tu ires a percebendo,
Não é?
Teres crescido sem a tua mãe foi-te levando a este caminho do feminino,
De repente entras profundamente nesse mundo feminino,
Do sagrado feminino,
Começas a conectar com a terra,
Com o teu ciclo,
E quando começas a conhecer o teu ciclo,
A organizar tudo,
De repente tens então uma gravidez não desejada e lidas então com essa grande sombra do aborto,
Que também te trouxe muitas lições.
Sim,
Do aborto e da gravidez em si.
Tanto uma coisa como outra foi um tema muito tábulo.
Depois é um bocadinho,
A questão da gravidez também traz a parte da sexualidade,
Nós assumimos que estamos grávidas e assumimos também que temos relações sexuais e às vezes isso,
Nós ainda temos aquele inconsciente de que,
Ai os meus pais acham que eu sou bem geniais há 30 anos,
Não é?
Mesmo já sendo casada,
Então a gravidez é aquilo que assume a sexualidade,
Sai da terra de sim,
Há relações sexuais,
Há aqui esta vivência activa.
Então também trouxe muita parte da sexualidade,
De assumir essa parte,
De assumir esse lugar e então o meu primeiro objetivo era mesmo guardar esta experiência para mim de abortar e ponto final,
E ninguém sabe,
E que muitas mulheres vivem isto,
Muitas mulheres nunca partilharam com ninguém que fizeram abortos e o aborto está cada vez mais,
Há mulheres que fazem várias vezes por ano o aborto,
Então está muito vulgarizado também,
Há muitas mulheres que passam por isto e muitas delas não têm,
Também é necessário esse apoio,
Também é necessário,
E felizmente já tive essa oportunidade de acompanhar também mulheres em partos abortivos porque o aborto é também um parto que muda a identidade,
Que faz,
Que é uma transição a um ponto que nós atravessamos,
Porque uma primeira gravidez é sempre primeira gravidez já fomos mães,
Mães no sentido que já apoiamos aqui uma possível gestação e isso é preciso ser trabalhado também,
Então já tive o prazer e o privilégio também de acompanhar mulheres em partos mas num parto abortivo,
Vamos estar aqui a retirar a importância do parto quando é um aborto,
Não é por ser um aborto que deixa de ser uma transição,
Que deixa de ser um rito de passagem então isso também tem de ser visto,
Esse nascimento e essa morte também tem de ser vista,
O mesmo quando são perdas gestacionais,
O mesmo quando são partos de termos mas que o bebê tem algum problema e nasce morto,
Então isso é preciso ouvir,
Ver,
Apoiar ao mesmo,
Então o aborto também é necessário trazer esse lugar do parto dentro da questão do aborto e então eu contactei muito com essa experiência,
Não cheguei a comportizar,
Mas foi logo o meu primeiro impulso,
Marquei uma interrupção de gravidez fui e realmente depois de um momento que comecei a vacilar,
Eu já ia,
Na verdade como eu tinha começado a monitorizar o ciclo menstrual,
Eu percebi que estava grávida logo muito,
Muito no início então estava à espera que houvesse batimento cardíaco,
Estive um mês à espera que ela tivesse batimento cardíaco,
Porque só se pode adotar quando se confirma a gravidez e só se confirma a gravidez com o batimento cardíaco então estive um mês à espera,
Fazia uma ecografia e ainda não havia batimento cardíaco,
Fazia outra.
.
.
Imagino como doloroso é isso,
Estares à espera de haver vida para causar essa morte,
No fundo é um combinar de situações mesmo muito complicadas sim,
Porque na verdade não é inócuo para o corpo,
Então nós não vamos estar a querer fazer sem evidência específica que há gravidez e neste caso,
Perante o hospital a única evidência é um batimento cardíaco então tive de estar à espera e esse mês de espera,
Se eu pudesse ser feito logo,
Eu fazia logo,
Eu não tinha dúvidas nenhumas,
Se eu pudesse interromper logo,
Eu interrompia logo mas como não pude interromper logo,
Fiz uma ecografia,
Não havia batimento,
Mas já havia a vesícula gestacional,
Então isso não era suficiente porque no relatório só havia,
Parece haver,
Uma vesícula,
Então eu já tinha a certeza que estava grávida devido à temperatura,
Devido a tudo mais eu já tinha a certeza que estava grávida,
O teste também do Lina dava gravidez,
Mas não é suficiente para um hospital então tive de estar realmente esse mês à espera da confirmação e quando tive a confirmação,
Ok,
Finalmente vou poder avançar mas na verdade já tinha estado um mês a viver uma gravidez,
Até às 6 semanas,
Eu sou logo muito precocemente,
Então já tinha estado ali um mês,
Já sentia as mangas diferentes já estava a entrar um bocadinho no mundo,
Mas depois é,
Não,
Não vou fazer isto,
Isto é impossível,
Isto é,
Eu na altura engravidei com 22 e depois fiz 23 ela nasceu quando eu tinha 23,
Então é realmente precoce para a nossa sociedade,
Ainda para mais nestes termos onde eu não estava numa relação estável,
Era uma relação recente então nada fazia sentido e eu queria mesmo essa questão de não avançar depois fui realmente fazer,
Fui à consulta,
Deixei passar as mulheres à minha frente,
Porque eu já estava a vacilar,
Estava na sala de espera,
O pai das duas meninas estava comigo nesse dia e nós já estávamos,
Nós na altura ainda estávamos juntos,
Mas já estávamos a abandonar,
Porque é um peso muito grande,
Que a relação ou fica mais forte ou quebra o movimento e nós já estávamos ali por um fio e depois esta indecisão de quer não quer,
Quer não quer,
Tanto da minha parte como da parte dele,
Foi mesmo o apaldo final e este dia final foi realmente quando eu depois então decidi avançar porque no momento de tomar o comprimido,
Eu tinha muito a nível racional,
Mas o meu corpo apagou-se completamente naquela altura Eu vi isto mesmo,
O teu corpo e a tua intuição Comecei a suar,
Comecei a ficar branca,
Comecei a ter de me encostar para trás,
O corpo foi mesmo uma falência,
Eu estava com o comprimido na mão e foi tipo o meu corpo acabou-se E depois eu voltei e só ouvi a enfermeira a dizer,
Olha então tem que tomar já aqui outro para não vomitar o primeiro comprimido abortivo,
Se já está a sentir-se mal,
Toma já aqui outro Eu comecei a ver uma fila de comprimidos,
Eu comecei a ver a minha fila toda a andar para trás e saí,
Comecei a chorar imenso,
Porque agora estava num impasso,
Não conseguia votar,
Mas também não queria estar grávida Então foi ali um impasso imenso,
Eu fiquei no hospital sentada ali um canto a chorar,
Sem saber o que eu havia de fazer E depois comecei um conflito também com o pai da Jasmine,
Porque ele também com os processos todos de entrar neste mundo e ele também não era um desejo que ele tinha de ser pai Então estes conflitos todos e depois de pessoas desestruturadas a tentar se alinhar,
É muito difícil,
Estávamos os dois sozinhos,
Só nós é que sabíamos Então mais a minha irmã,
Mas realmente estávamos pouco apoiados nesse aspecto e então ficámos muito destruturados e eu ao sentir que se avançasse e avançasse nesta coisa destruturada de relação,
Ainda menos coragem dava Então eu volto para lá,
Olha agora é que eu vou mesmo tomar,
Agora é que eu quero,
Agora já não dava Agora ela já não te queria andar Já tinha passado a vez,
Ela disse,
Olha eu vou acabar agora isto tudo,
Já não pode entrar agora assim,
Avisei que agora é que toma,
Já já apaguei a sua ficha Então depois eu fui logo lá abaixo marcar outra interrupção,
Então eu vou marcar outro dia,
Se não dá para hoje,
Eu vou marcar outro dia E fiquei com outra marcação,
Voltei para casa,
Comecei a respirar,
Voltei para casa e pronto,
Estava descansada,
Porque tinha um outro dia onde o hospital estava à minha espera para fazer uma nova interrupção Entretanto eu e o pai da Jasmine,
A coisa começou mesmo a ficar muito frágil e nesse último dia,
Nesse dia que eu já tinha marcado,
Depois fui com a minha irmã e fui só dizer que não E saí do hospital e fui com a minha irmã comprar o primeiro body da Jasmine e foi também um grande marco no sentido de eu estou grávida,
Eu vou subir a minha gravidez Fui materializar isso na primeira roupinha dela para a minha mãe começar a trazer beleza e felicidade a esta questão Entretanto senti-me muito mal,
Ainda apostava a ter muitos conflitos internos aqui na cidade,
Aqui junto da família,
Então fui para o meio da Serra da Rábida,
Conectar-me só com a natureza Fui viver uma espécie de comunidade voluntariada e fiquei ali mesmo só envolvida com montanhas,
A ligar-me à gravidez,
A ligar-me à natureza,
A estruturar isto tudo dentro de mim E a afirmar para pessoas que eu nunca tinha visto que estava grávida,
Que às vezes ajuda muito a nossa identidade e foi aí que eu comecei também a construir,
Eu apresentei-me já como grávida Ainda ninguém sabia e eu naquela comunidade comecei realmente,
As pessoas começaram a ter cuidado comigo porque eu estava grávida,
Então foi aí que eu comecei a contactar com a gravidez num sítio completamente diferente Num meio das montanhas,
Numa comunidade,
E aí afirmaram-me como mãe,
Como grávida,
Então isso foi também uma grande construção da identidade E depois vim cá contar ao meu pai,
Vim cá contar à restante família que estava grávida,
Foi quase como lançar a bomba porque ninguém estava à espera,
Nem ninguém sabia que eu estava com o João Não tinha relação assumida,
Ele já tinha aparecido outras vezes,
Mas não era assumido,
Assim,
Intimidamente,
Então vim cá só largar a bomba e fui outra vez para o meio das montanhas Integrar tudo,
Tipo,
Ver o que é que isto causa,
Se vou deixar de ser amada,
Se vou ser congelada Eu lembro muito bem desses teus medos,
No fundo,
Tudo isto e essa tua necessidade de abortar e não conseguir enfrentar tudo isto,
Era muito devido também a todos estes medos O que é que as pessoas vão pensar de mim,
As pessoas não vão gostar de mim,
Como é que a família vai aceitar,
E eu lembro-me que tu sentias muito isso,
O que é que a família vai dizer E eu lembro-me muito bem de uma conversa que nós tivemos,
Quando então tu decidiste,
Ok,
Eu vou levar isto para a frente,
E ainda não tinhas contado ao teu pai,
Ainda não tinhas contado a ninguém E lembro-me perfeitamente dessa nossa conversa e naquele momento eu senti,
Margarida,
Eu tenho certeza que isto é o teu propósito,
Isto não é por acaso,
Tu tinhas mesmo que viver isto neste momento E eu já sentia,
Naquele momento já sentia que aquilo de alguma forma tinha de encaminhar para o teu propósito,
E depois lembro que fomos contar aos meus pais,
Que te deu também uma calma E no fundo eles disseram,
Margarida,
A nossa família já passou por tantas desgraças,
Por coisas tão difíceis,
Isto é uma nova vida,
O teu pai vai-te apoiar,
A família vai-te toda apoiar E eu sinto que aquilo deu-te a força para saberes que não estavas sozinha e que a família te ia ajudar Sim,
Sim,
Os teus pais foram antes a saber,
Antes de eu ir para a comunidade,
Antes de eu ir para a Águia,
Quando estivemos juntos e contámos,
Eu também estava com muito receio,
Comecei por dizer isso Que ia sair,
Que ia para o meio da natureza,
Porque estava em Águia,
E depois também os teus pais me deram muito esse apoio,
Quando estava lá,
E quando eu lhe disse que vinha cá contar à restante família E foi realmente um apoio também importante de pessoas que já tinham experiência,
Pessoas que nos conhecem,
Já trazeram outra vez aqui esta ancestralidade,
Trazeram aqui este protocolo que nos pode amparar Então foi realmente importante também essa presença,
E tiveram realmente muito presentes,
Não foi?
Nessa parte tão bom estar a reviver A reviver,
Tão bom,
Mas é sem dúvida incrível,
E depois de tudo isto,
Então tu assumes esta maternidade e aqui lidas com todo um novo mundo,
Contaste à família,
Contaste a todas as pessoas,
Assumiste como mãe Mas realmente tu acabaste por assumir tudo isto sozinha,
Não é?
E era um ponto que eu também queria abordar,
Porque eu no último podcast que partilhei,
Falei muito sobre a minha experiência de gravidez E como foi importante para mim ter vivido tudo isto com o Daniel,
Ou seja,
Viver em conjunto foi algo que me ajudou bastante,
Mas de facto nem sempre é assim E tu acabaste por viver tudo isto sozinha,
Não é?
Porque depois,
Com tudo isto,
Vocês acabaram por se separar,
Não é?
E tu viveste,
No fundo,
A gravidez sozinha e foi um total empoderamento para ti enquanto mulher Viveres isto sozinha e hoje seres mãe sozinha,
Não é?
Tens o apoio do pai,
Mas foi alto assumiste sozinha.
O que é que podes partilhar dessa experiência para mulheres que estejam na mesma situação A viver uma gravidez sozinhas,
Uma maternidade sozinhas?
O que é que isso te trouxe?
Que lições é que essa experiência também te trouxe?
Sim,
Então eu acho que é muito importante nós termos momentos em que assentamos realmente e fazemos alguma coisa que nos traz um marco e que nos ajude.
Passarmos para o material algo que estabelecemos emocionalmente e que estabelecemos também racionalmente Então eu senti que houve dois momentos muito importantes na minha jornada como mãe solteira,
Não é?
Como assumir que estou a viver isto sem companheira ou sem o pai presente ou tão presente como é o normal Na verdade,
Ele continua um bocado distância,
Vem cá estar com a Jasmim,
Mas a base dele é no Algarve E então eu tive dois grandes momentos.
O primeiro momento foi realmente quando eu vou a segunda vez à segunda marcação da involução e saio de lá e leio perfeitamente.
Pegar o meu telemóvel e mandar uma mensagem a dizer vamos ser pais,
Eu vou seguir com a gravidez Então eu senti mesmo que foi,
Eu decidi e vou comunicar-me.
Então aqui já não existe a questão conjunta,
Foi onde eu senti que isto foi uma decisão minha.
Isto não foi uma decisão a dois,
Claro que já tinha sido muito debatida,
Tinha vindo comigo à primeira tentativa de interrupção Mas neste momento em que eu vou sozinha,
Em que a minha irmã está também a apoiar-me,
Mas eu vou como mulher,
Sozinha,
Pego o meu telemóvel e comunico-me.
Mando-lhe uma mensagem a dizer que eu vou seguir e depois ele responde-me,
Ok,
Tens a certeza?
É isso?
E eu já sem dúvidas nenhumas,
É isto.
E depois a partir daí,
A felicidade de comprar a primeira roupinha já não foi com ele,
Nem com a minha irmã.
E depois,
Na verdade,
Eu tive de fazer um grande processo também de luto desta relação,
Porque lá está um filho em comum é algo muito forte e realmente eu também sinto que as mulheres,
Não é que eu concordo com isto,
Mas eu sinto que é às vezes o que acontece.
As mulheres às vezes já se sentem pertencentes a um homem,
Ou seja,
Já é difícil às vezes reconhecerem a sua individualidade,
Ou seja,
Se conhecem como mulher de,
Ou seja,
Por referência a um homem,
E eu senti muito,
Muito isso na gravidez,
Que era,
Eu agora por ter um filho na barriga daquele homem,
Eu não posso estar com mais ninguém,
É quase como se tivesse a bandeirinha daquele homem no meu corpo e às vezes isso funciona com a aliança em algumas mulheres,
Ou seja,
Não tem essa liberdade,
Não tem essa questão de eu sou um ser individual.
Então,
Eu tinha isso muito destruturado,
Porque eu sentia que depois,
Se eu não era pai,
Eu também não podia ser mãe,
Ou seja,
Eu para ser mãe,
Tinha de ser por referência a um pai,
Às vezes as mulheres,
Para sentir-se mulher,
Tem de ser por referência a um homem,
E daí a importância das relações em muitas mulheres não se conseguem ver sozinhas,
Tem de ter sempre um relacionamento,
Tem de ter sempre alguém para que faça referência ao seu ser,
Então a individualidade também é muito importante,
Mas aí foi realmente,
Foi um grande abanão,
Porque eu tinha mesmo enraizado em mim,
Que eu agora não posso estar com ninguém,
Não posso olhar para mais ninguém,
Porque eu tenho a bandeirinha daquele homem no meu corpo,
E isso enraitava muito,
Eu senti-me pertencente daquele homem,
Só por estar a grávida dele,
E isso era um crime,
Não creio,
Às vezes eu só desisto,
Eu só desejava que ela viesse cá para fora,
Para eu não ter no meu corpo uma parte,
Para ela não ter dentro de mim uma parte de uma relação que eu já não queria,
E de um homem que eu já não queria,
E depois até é engraçado que eu manifestei mesmo coisas dele no meu corpo durante a gravidez,
Ele tinha alergia a determinados alimentos,
E eu comecei a ter alergia aos mesmos alimentos,
Porque estava com a justificada,
E quando ela nasceu,
Eu deixei de ter isso tudo,
Então eu estava mesmo a viver-lo,
E eu não queria,
Eu dizia assim,
Porra,
Até estas duas alergias eu já tenho,
Então,
Depois quando ela nasceu foi também um alívio nesse sentido,
O quarto dela foi também um libertar,
Um libertar,
Sim,
Porque para todos os efeitos é uma energia que está dentro de nós,
E uma energia também é pertencente de uma outra pessoa,
Exatamente,
Então,
Depois desse momento em que eu lhe comuniquei,
Por mensagem,
Em que ia avançar,
Foi um momento importante em que eu assinie até juntos esta parte,
E depois foi todo um processo de luta,
Ainda com muita revolta,
Ainda com muito controle,
Ele está com alguém,
Ela não está com alguém,
Mas ela não pode estar com ninguém,
Porque é o pai da Jasmim,
E a Jasmim ainda não nasceu,
E eu estou grávida,
E depois comecei a me meter muito na vida dela,
A ver as coisas,
E pessoas que se aproximavam dele,
E depois eu dizia,
Mas eu estou grávida dele,
Não sabes,
Tipo,
Então assim mesmo,
Tipo obsessiva,
E depois comecei a fazer terapia nesse sentido,
Porque era algo que foi realmente difícil,
E foi um grupo que me gostou muito a fazer,
Porque depois eu já não o queria comigo,
Ou seja,
Quando ele estava cá em casa,
Eu já não o queria dormir com ele,
Eu já não o queria estar ao pé dele,
Mas quando nós saímos,
Eu queria que ele estivesse sempre por perto,
Ou seja,
Eu queria aparecer ao mundo,
Com uma barriga,
E sem um homem ao meu lado,
Então,
Dentro de casa,
Era tipo,
Saia daqui que eu já não te posso ver,
Mas,
Na rua,
Sim,
É as aparências,
É tudo muito as aparências,
O que é que as pessoas vão pensar,
Não é?
Estar com uma barriga e não ter o pai,
Exato,
Então,
Eu queria em todo o lado,
Eu queria a ida da família,
Eu queria que ele viesse,
Portanto,
Eu nunca queria aparecer sozinha,
Então,
Estava muito a agarrá-lo ainda nesse sentido,
Tipo,
Não vens,
Não vens,
Não vens,
E eu já a despedar,
Tipo,
Não,
E isso a fazer-me um conflito,
Tipo,
Mas vá lá,
Só para dar a aparência,
Depois que desapareces aqui,
Mas só para eu ter essa estrutura aparente,
Não é?
E isso também me deu um grande conforto com aquilo que é realmente verdade,
Fica dentro de casa,
Só uma coisa ir fora quer dizer outra,
Então,
Como é que é ela?
Houve uma cura mesmo a muitos níveis,
Não é?
Realmente,
A maternidade traz muitas sombras,
Não é?
E tu viveste tudo isso,
Não é?
Porque estavas a viver coisas que supostamente não era o que é correto a todos os níveis,
Não é?
Ter-se engravidado quando não era suposto,
Ter-te com alguém,
Entretanto,
Separam-se na própria gravidez,
Portanto,
Foram ali muitas sombras que tiveste que lidar,
Muitos medos,
Muito o que é que vão pensar,
Porque não é o suposto pela sociedade,
Não é?
A sociedade diz-nos que nós temos que casar,
Ter filhos,
Ficar sempre com aquela pessoa,
Não é?
E,
De repente,
No teu caso,
Era,
Engravidaste-te com uma pessoa que estavas numa relação há seis meses,
Entretanto,
Separam-se,
Não é?
E há muitos medos e há muito ir contra a sociedade,
O que é que a sociedade vai dizer,
O que é que as pessoas vão dizer,
Portanto,
Tu dentro de ti já não querias estar ao pé dele,
Sabias exatamente que não era a pessoa com quem tu querias estar,
Mas perante a sociedade querias muito essa imagem de,
Ok,
Temos que estar juntos para mostrar às pessoas e,
Portanto,
Houve toda uma cura que tiveste que fazer nesse sentido.
Eu sou boa mãe,
Não é?
Porque eu tenho a referência do pai da mãe,
Então,
Ele é pai,
Eu sou mãe,
Estamos preparados,
É toda aquela fachada que há dentro de mim,
Não é?
E também aquela fachada que se vê também muito dos profissionais,
Hoje,
Muitos profissionais de saúde,
Eu recebia do hospital revistas a dizer a nossa gravidez,
O pai grávido,
E aquilo também era a maior balela que existia,
Porque eu não percebia como é que aquilo era possível,
Porque eu não vivia aquilo então já,
A realidade interna estava super dissociada da realidade externa e eu queria ao todo encaixar aquilo,
Tipo,
Tu tens de estar grávida também,
Tu tens de viver isso comigo,
E não,
Não é assim,
Não tem de ser assim,
Mas,
Na verdade,
Eu contactei com a base de tudo,
Que é a questão familiar,
E estava a reproduzir outra vez a minha desorganização familiar,
Ou seja,
Eu nunca vivi tranquila com a organização familiar que eu tive enquanto criança,
Não é?
A questão de perder uma mãe,
Ficar só o pai e duas filhas,
Depois entrar uma outra mulher,
Essa outra mulher,
Companheira do meu pai,
Também já vinha divorciada e com uma filha,
Então,
Isto nunca me foi explicado,
E isto,
Para mim,
Era uma grande confusão que eu tinha muita vergonha de partilhar,
Eu só queria,
Tipo,
Ter uma família normal,
Como as outras pessoas,
Não é?
É a mãe,
O pai e os filhos,
E isso para mim já era difícil de perceber que não há aquela figura da mãe,
Então,
Aquela figura de que vem outra pessoa e vem também com uma filha de outro relacionamento,
E depois eu tenho de dizer que vivo com o pai,
Com a irmã,
Com a companheira do pai,
Com a filha da companheira do pai,
Nós em português nem temos nome para isso,
Em espanhol é as hermanastras,
Mas em português nem sequer temos nome para esse grau de parentesco,
De tão fora que a partida é,
Mas é cada vez mais normal,
Os meus,
Os teus e os nossos,
E antes de eu ter uma relação com o João,
Eu já tinha tido uma relação com um homem que era pai,
E eu também escondi isso,
Toda a gente,
Eu não queria que ninguém soubesse que eu tinha um menteado,
Não é?
Sim,
Sim,
Sim,
Sim.
E lá está sempre aqui este espanho da desorganização familiar,
E eu nunca queria ver isso,
Então quando eu percebi,
Ok,
Eu não queria que ninguém soubesse que eu tinha um menteado,
E é incrível como a vida te foi sempre trazendo aquilo até tu te organizar,
Não é?
A vida te trouxe sempre essa desorganização porque dentro de ti,
Tu tinhas que te organizar de alguma forma.
Sim,
Sim,
A organização não é externa,
É interna,
Não é?
Nós podemos estar com a família super organizada,
A viver com a avó,
Com a tia,
Com a hermanastra,
Com quem quiser,
Porque a organização é interna,
E eu sempre nessa desorganização estava a projetar isso fora para eu contactar com isso,
Então,
Depois eu gostava muito do Tessona,
Ele era pai,
Mas,
Então,
Na minha realidade interna eu conseguia gerir isso,
Apesar de ter sempre alguns conflitos,
Mas mostrar,
Não,
Tipo,
Mostrar,
Lá está,
Dar parênteses outra vez,
O que é que vão pensar,
Não é?
E isso também dá-nos um bocadinho de recossos para aquilo que também é normal,
Eu quando estava com a tia de 19 anos,
Então ter uma enteada aos 19 anos,
Não é?
Sim,
Sim,
Sim.
E depois acabei,
E só que eu nunca mais quero ter homens com filhos,
Tipo,
Esquece,
Isso não é para mim,
Eu não quero ser madrasta de ninguém,
E de repente tenho gravido,
E estou sozinha,
E sou eu a mãe sozinha,
E sou eu nesse lugar,
Então agora não dá para fugir de mim,
Não é?
Eu já tinha fugido dele,
Agora não dá para fugir de mim,
Enquanto sou eu a mãe com o meu filho.
E,
Então,
Foi realmente um grande confronto com a organização familiar,
Eu acho que quando nós estamos organizadas com isso,
O nosso desenvolvimento pessoal tem sempre de partir da origem,
De onde é que nós nos temos,
A nossa relação com os pais,
E quando isso começa a ser trabalhado,
Isso começa a se desmistificar tudo,
Também nas nossas relações futuras e adultas.
Então,
Eu tive sempre este despejo com a organização familiar destas coisas.
Então,
Outro mapa também muito importante foi o Baby Shower,
Para quem não gosta do Baby Shower,
Como eu sim,
Estou com estas questões do consumismo,
De oferecer prendas,
O Baby Shower é muito mais do que isso,
Pode ser uma consagração da nossa rede de apoio,
Uma pensão da mãe,
Pode ser,
Pode ter aqui várias temáticas,
Ou várias intenções com esta reunião,
Não é?
Mas pronto,
Chamando o nome importado de Baby Shower,
Eu queria muito fazer esse Baby Shower uma coisa assim mesmo à grande,
Porque eu senti que foi o primeiro momento onde eu assumi que estava grávida e onde eu juntei família e amigos,
Porque eu nunca tinha juntado família e amigos antes,
Porque eu nunca queria que os amigos vissem a minha família,
Não é?
Não queriam dizer que esta é a companheira do meu pai,
Que esta é a filha da companheira do meu pai,
Então eu nunca quis juntar amigos e família,
Ou seja,
A família já sabe,
A família acompanhou este processo,
Eu não tenho que estar a falar sobre isso,
E nos amigos só uma porcentagem nuclear é que eu partilhava um bocadinho isto,
Estava um bocadinho mais perto,
Mas se eu pudesse evitar conversar sobre isto,
Eu o contornava,
Não queria mais alguma coisa para evitar este assunto.
Incrível,
Este evento foi mesmo uma verdadeira cura para ti a todos os níveis,
Não é?
Fazes a cura com a tua família e com a família que tu estavas a criar naquele momento.
Sim,
Porque portanto o pai dos dois de mim já tinha tido um relacionamento durante a gravidez,
Que eu soube quando estava a preparar o baby shower e depois até houve aquela questão de ele não vai estar,
Já não quero,
Porque eu ainda estava naquela de que eu vou montar outra vez aqui o cenário de ele estar aqui,
Estamos todos e é maravilhoso,
Ainda estava naquela de que eu vou montar o cenário aqui no baby shower e depois sei que ele está com outra pessoa e aí não dá para montar o cenário possível,
Não dá para montar o cenário possível.
Não dá para montar o cenário possível,
Porque já há outra pessoa aqui também,
Não é?
Então,
Não dá para montar esse cenário.
Então,
O baby shower foi mesmo o sítio em que eu juntei família e amigos pela primeira vez,
Sem essa questão de se desmascarar,
De olha,
Vou fingir que afinal tenho a família de Arnaldo desde sempre,
Não é Arnaldo?
Pai,
Mãe,
Filhos,
Como nós conhecemos.
Vou realmente trazer aqui esta junção de amigos e família e vou assumir que nós não estamos juntos e que não estamos mesmo,
Foi aí que eu fiz o grande luto da relação,
Porque até lá eu estava sempre nesta expectativa e ele ainda está a querer e não sei o que,
Ainda vai dar e vou dar aquilo que é o melhor para a minha filha,
Que é um pai,
Mas uma mãe na mentira,
Então esqueçam,
Isto não é o melhor para os filhos,
O melhor para os filhos é uma mãe bem resolvida e o resto vem por apécio.
Então,
O baby shower foi mesmo o momento simbólico em que eu juntei toda a gente,
Em que eu me harmonizei com o pai dela,
Sabendo que nada mais vai acontecer e então que foi um evento maravilhoso.
Então tivemos um super evento para mim que foi maravilhoso e que foi realmente esse assumir muitas coisas,
Depois eu e o João também tivemos um momento onde nos pudemos abraçar,
Então eu abraçar para aquela pessoa que estava a trazer umas chambras todas,
Na verdade,
É como eu às vezes não quero assumir,
Mas ela dizia-me isso,
Eu sou o teu mestre,
Por estas coisas que eu faço.
E,
Na verdade,
Às vezes acaba mesmo por ser,
Aquela pessoa que nós achamos que nos traz a porcaria toda ao de cima.
E quem nos ensina mais,
Não é?
E é por isso que temos que saber que ninguém está na nossa vida à toa,
Por muito que nós olhemos e aquela pessoa é a pior pessoa do mundo e fez-me isto e sem dúvida que essas pessoas são os nossos maiores professores,
Não é?
E temos que perceber que tudo acontece por um acaso e tu és a prova disso,
Não é?
Tudo que tem vindo a acontecer foi-te trazendo a este caminho.
E,
Portanto,
Depois de assumires então tudo isso,
Nasce uma nova Margarida,
Não é?
Uma Margarida-mãe e tu aqui lidas com esta morte-renascimento de deixares de ser a Margarida para te tornares a Margarida-também-mãe,
Que é algo que eu tenho também partilhado muito e falado muito sobre esta questão de nos abrirmos a esta morte-renascimento.
E eu gostava que tu também partilhasses um pouco dessa tua experiência,
Como é que foi tornares-te-mãe e como é que foi lidar com esta morte-renascimento porque eu sinto que quando nós não nos abrimos a isso,
Por vezes temos muitas dificuldades no pós-parto e sinto que muitas mulheres que,
Por exemplo,
Passam com depressões pós-parto,
É muito porque de repente se olham ao espelho e já não se conhecem.
Quem é que eu sou?
Quem é esta mulher?
Já não reconheço o meu corpo,
Já não reconheço esta pessoa.
E eu sinto que parte da nossa preparação para a maternidade é muito preparar-nos para esta morte-renascimento,
Não é?
E então quem é que é esta nova Margarida?
Como é que te preparaste?
Ou como lidaste com este renascer e quem é esta nova Margarida como mãe?
Eu gosto muito de escrever e as palavras organizam muito e eu lembro-me que nessa altura,
Quando eu estava mesmo a lidar com esses processos de morte-renascimento,
Eu escrevi um texto onde eu senti que foi um momento também marcante para mim e onde eu trouxe também esse perdão por ser quem sou,
Não é?
Perdoar-me por ser quem sou e perdoar-me por aparecer transparente e nua.
Então,
O que eu senti era quase que,
E neste caso tinha a figura também do pai da Jasmine muito comigo nesse aspecto,
De sentir quase como se eu me tivesse a rasgar a roupa,
A tirar estas camadas,
A tirar as roupagens quase num lugar mais bruto,
Mas às vezes é mesmo assim.
São as dores de crescimento,
Não é?
O crescimento não se faz,
O marmanso não se faz de um outro manejo,
Não é?
Aquela expressão.
Então,
Às vezes tem mesmo a vegetação e tem mesmo de haver conflitos para algumas coisas mudarem.
Então,
Eu senti que,
Eu estava muito revoltada com ele porque eu sentia que atirava as camadas todas,
Aquelas camadas que me protegiam,
Que me aqueciam,
Que me deixavam num lugar confortável.
Ele era a pessoa que me estava a rasgar e a tirar aquilo pelo dia de espírito e eu a ser cada vez mais eu,
Cada vez mais nua,
Não é?
Transparente.
E depois a deixar que essa pessoa,
Eu tinha muito esta imagem,
Não é?
Eu também fiz algumas meditações neste sentido e tinha muito esta imagem de o deixar ir para fora do meu campo de visão com essas roupagens minhas,
Com essas camadas minhas.
Então,
É doloroso ver alguém assim a despir-nos e a tirar-nos essas camadas,
Mas eu tinha muito dessa visualização e antes do baby shower eu acordava e todos os dias fazia essa meditação e essa visualização de aceitar e permitir esse agente externo,
Não é?
A fazer este movimento de me despir e de me rasgar e de me tirar as couraças,
De me tirar as camadas.
E a ir,
E a ir,
E a afastar-se,
E a perder-se no horizonte e eu a ficar naquele lugar vulnerável,
Que é a morte,
De nua,
Numa posição fatal,
Sentindo-me sozinha,
Ele a desaparecer.
Então,
Isto foi uma meditação e uma imagem que me ajudou imenso a ter a perceção e me perdoar por isto,
Não é?
Eu não sou culpada por ficar nua e sozinha e não sou fraca e não sou a menos por isso,
Não é?
Então,
Trazer o empoderamento também desta morte.
Não é um lugar de fraqueza,
Não é um lugar de desistir,
Não é um lugar de.
.
.
É uma rendição,
Mas num sentido mais de magnitude,
Num sentido de morrer para renascer.
Ninguém renasce se não deixa cair aquilo que já não serve,
Não é?
Então,
Eu tinha muito,
Muito essa imagem de me perdoar a mim por estar vulnerável e de me perdoar por estar crua e nua e de eu perdoar por eu me rasgar,
Tirar as roupas e desaparecer com elas na linha do horizonte,
Não é?
Então,
Foi um mútuo perdão e só com esse trabalho,
Foi quando senti que estava mais à beira de uma depressão.
Eu queria tantas corações,
Mas já não aguentava mais.
Então,
Tive mesmo de fazer esse perdão com eu que estava a retirar isso do campo de visão e comigo que estava a ficar nua e sozinha e a enterrar embaixo da terra para voltar a renascer.
Então,
Esse perdão foi fundamental.
Eu perdoá-lo por ele me retirar as coraças e perdoá-lo a mim por ficar mais vulnerável e isso não é fraqueza,
Isso não é nada de pejorativo como nós às vezes temos nesta sociedade.
Parece sempre bem,
Parece sempre produtiva,
Parece sempre na linha da frente.
Às vezes,
Não dá para isso.
Às vezes,
É mesmo que não estamos enterradinhas no subsolo,
Na escuridão.
Então,
Esse perdão,
O perdoar e havia muito esta expressão que eu mantinha sempre comigo que era o perdoar-me por em algum momento eu fingir alguma coisa que não sou,
Porque isso também tem a ver com mecanismos de sobrevivência.
Eu perdoar-me por algum momento eu ter ficado cheia de camadas e cheia de coraças e eu quase que não perdoava por isso,
Por essa mentirosa que escondia a família que tinha,
Por essa mentirosa que mostrava uma coisa que não era do parceiro e da gravidência.
Então,
Eu perdoar-me por isso também.
O perdão é um trabalho incrível e tão importante mesmo e tu conseguiste fazer todo esse trabalho e é mesmo fundamental.
Sim,
Então o perdão eu acho que é fundamental e agora mais recentemente também escrevi sobre essa questão do perdão,
Porque depois as pessoas que me leem também me trazem muitos insights.
As pessoas também começaram a questionar quantas vezes nós temos de nos perdoar por sermos quem somos e perdoar-nos por em algum momento mascararmos quem somos de uma forma de nos defendermos.
Então,
O ego não é um mal da fita,
O ego é muitas vezes aquilo que nos ajuda também a sobreviver em momentos de real tensão.
Então,
O perdão é fundamental.
Perdoar-nos por morrermos,
Perdoar-nos por termos de voltar para dentro,
Perdoar-nos por termos de conectar com uma essência e depois poder trazê-la de novo à mais florescida,
Mais iluminada,
Mais viva,
Mais autêntica e verdadeira.
Então,
Esse foi muito o processo que eu senti de morte e renascimento.
Depois o parto também foi um momento muito importante e de transição nesse sentido,
Em que eu depois assumi toda a verdade e o parto foi um momento também de manifestação dessa verdade,
Dessa pureza.
Então,
Eu pensei mesmo,
Eu não escolhi a gravidez,
Mas eu vou escolher o meu parto,
Eu vou escolher aquilo que quero viver,
Eu vou escolher como me quero sentir e vou utilizar isto como uma forma de empoderamento e realmente foi.
O parto foi aquele momento em que eu disse,
Se eu faço isto,
Eu faço uma boa coisa na vida.
Foi ainda para mais o estando só focado em mim,
Porque eu tinha uma doula,
Mas fiz uma parte do trabalho sozinha no entrenamento,
Fiz uma parte do trabalho de parto só com as folhas e com a meditação,
Foi muito vontade para mim e eu noto que há muitas mulheres que também se ancoram muito nos pais e depois,
Por exemplo,
O pai não pode estar por alguma razão ou se sente-se mal também e a mulher perde ali um aparto externo,
Mas o aparto tem de ser interno.
Exato,
Isso é muito importante agora para a fase de vida que estamos a viver,
Com a questão do vírus,
Há muitas mães que estão a ter partos sozinhas e isso está a levar também a ter muitos medos e a terem que lidar com tudo isso,
Portanto é super importante realmente poderes partilhar a tua experiência e mostrar realmente que é algo interno,
Esse empoderamento tem de vir de dentro de ti.
Sim,
E que ninguém vai fazer o trabalho de parto por nós,
Quem quer uma experiência natural,
Não há aquela,
A enfermeira que me fez o parto,
Não foi a enfermeira que me fez o parto,
É a mulher que faz o parto e a mulher às vezes deposita também muito nas próprias coisas que ela diz,
Faz alguma coisa,
Às vezes há mulheres que dizem isto aos pais do trabalho de parto,
Faz alguma coisa!
Isto é super ingrato para os homens!
Coitadinhos,
Eles estão ali,
Tipo o que é que eu faço fazer?
Isto é super ingrato,
Faz algo que a mulher,
Na verdade a mulher tem de se sentir apoiada e o apoio é uma necessidade básica da mulher,
A segurança,
A privacidade,
O apoio,
Mas perceber que isso não está estanque numa fórmula,
Não está estanque na doula,
Não está estanque no pai,
Claro que o pai deve ser sempre assistido,
Claro que devemos sentir-nos sempre apoiadas,
Mas acima de tudo partilha desse eu estou apoiada em mim,
E eu não ter uma companheira a viver comigo que fizesse a gravidez,
Preparação para o parto,
Fiz isso sozinha,
E com estudantes profissionais,
Claro,
Mas não no sentido mais íntimo da questão,
E depois no parto foi mesmo,
Eu vou sozinha,
Eu vou fazer isto,
E ponto final,
Eu sou eu e a minha filha,
E foi muito,
Tinha uma doula a apoiar-nos,
E eu senti que era muito eu e ela,
Eu e ela,
Tudo o que eram mantras,
Tudo o que eram mensagens,
Tudo o que era,
Era só eu e a minha filha,
Eu e a minha filha,
E a natureza,
E o poder de todas as mulheres que já fizeram isto,
E eu e a minha filha,
Isto é o meu corpo que está a fazer,
Não é algo que me está a ser impingido de fora,
Sou eu que estou a criar isto de dentro,
Isto é a minha força criativa,
Não é algo que está a ser,
É algo exterior que me está a pressionar,
Ou que me está a ser impingido,
Sou eu que estou a fazer isto,
Então este eu,
O partido para o parto,
Na primeira pessoa,
Sou eu que estou a criar isto no corpo,
Sou eu que vou subir esta montanha,
Ninguém vai assumir a minha verticalidade,
Ninguém vai andar nos meus sapatos,
Sou eu que vos vou calçar,
Foi algo que me trouxe realmente este poder da individualidade,
Este poder realmente de nos assumirmos verticais e assentos e caminhantes sobre as nossas próprias pernas,
Isso é muito importante,
Não andarmos sempre com estas bengalas para estarmos verticais,
Temos de andar com a bengala do companheiro,
Com a bengala de sei lá mais do que,
Muitas bengalas que nós usamos para andarmos verticais pela vida,
Depois essas bengalas falham-nos e nós vamos abaixo,
Então o assumir tem de ser realmente de dentro.
De dentro,
Exatamente.
Bem,
A tua história é mesmo tão bonita,
Tão inspiradora,
Dá-nos tanto empoderamento,
Eu estou-te aqui a ouvir e já me estou a sentir super empoderada também para a teu parto,
Este é um tema também fundamental que eu quero muito abordar contigo,
Que vai ficar para um próximo episódio,
Porque nós vamos falando e temos mesmo muitos temas,
Mas realmente eu queria mesmo focar nesta tua história,
Porque tem tantas lições de vida e tenho a certeza que vai ajudar tantas pessoas a lidar com tantas coisas com que tu tiveste que lidar na tua própria jornada,
Assim,
Para terminarmos este episódio,
Eu gostava que para concluísses falasses um bocadinho então da tua experiência pós-parto na maternidade,
Abordaste esta questão do renascimento e que conselhos deixas aqui para uma futura mamã e para todas as futuras mamãs destas lições que a maternidade te trouxe e de te assumires como mãe,
De nasceres como mãe e como é que nós podemos viver a maternidade da melhor forma?
Então,
Eu sinto que o meu pós-parto foi muito mais tranquilo do que a gravidez,
Porque o parto foi exatamente aquilo que eu queria,
Foi um parto sem qualquer intervenção,
Sem anestesia,
Foi mesmo algo de dentro,
Foi mesmo algo como eu queria,
Claro que tive sempre aqui algumas questões associadas ao parto hospitalar,
Às vezes comentários que ouvimos,
Às vezes um bocadinho menos de apoio porque entram e saem enfermeiras,
Não é tanto aquela ligação com uma só pessoa,
Mas eu sabia que ia ser um parto hospitalar,
Então algumas coisas nós abrimos logo de mão quando vamos para um hospital,
Quando não fazemos o parto em casa,
Essa intimidade é um bocadinho isso que se perde num hospital,
Mas a par disso foi um parto respeitado,
Natural,
Onde pude realmente usufruir a mobilidade,
Eu nasci no banco de partos,
Foi um parto que pude aqui desfrutar da verticalidade,
Da postura vertical no parto,
Foi assim mesmo um processo muito empoderador e que eu senti que foi uma alofada de ave fresca,
Depois de tanta coisa na gravidez,
Depois de tanta questão com o parceiro,
Com o aborto,
Depois também foi muito importante para mim,
No final da gravidez,
Falar tudo isso à Jasmina,
Explicar-lhe que realmente ela era desejada,
E que apesar de.
.
.
Isso é super importante.
Não se sentirem desejados,
Não é?
Se algum dia te sentires rejeitada,
Isso pode ter a ver com o facto de eu ter esses sentimentos em mim no início da tua gestação,
De eu não querer,
Mas agora já integrei,
São questões minhas,
Não é uma questão contigo,
Então aliviar os bebés das dores emocionais das mães.
.
.
Isso é tão importante,
A sério,
Tão bonito teres feito esse trabalho com ela,
Porque é super importante,
Porque fica tudo nos bebés,
Toda esta experiência de gravidez passa,
Portanto é mesmo importante depois de ter feito esse trabalho,
De mostrar que realmente tu és super desejada de fazer todo esse trabalho com ela,
Não é?
É muito bonito.
E explicar de onde é que vem algum sentimento inconsciente de rejeição.
Sim,
Porque fica lá.
A minha filha foi rejeitada no início,
Então ela vai ter aquilo,
Com uma crença matriz brasileira no início da sua vida.
Se não for vista,
E olhada,
E desmistificada,
Vai ser uma base que se vai refletir em muitas atuações na vida.
Então,
Eu senti mesmo na gravidez de comunicar isso,
E continuo ainda hoje,
Às vezes aquela,
A mesma avó paterna,
Às vezes me perguntavam assim,
Ou diziam assim,
Ai tu nunca contas às minhas estas coisas,
Nunca contas às minhas as questões com o teu pai,
Ainda com o pai dela e com o amor,
E eu não,
Exatamente o oposto.
Claro,
Porque tu viveste isso também na tua infância,
Não é?
Tu viveste os tabus,
O não falar sobre as coisas,
E viste o que isso afetou no teu crescimento,
No teu desenvolvimento pessoal,
Nas feridas que tu tinhas dentro de ti,
Que tiveste de curar.
Portanto,
Hoje,
Como mãe,
Estás a fazer um trabalho mesmo tão bonito com a Jasmina.
Por isso é que o trabalho também é nosso,
Traz uma autocura muito profunda,
Porque lá está,
Ao criar uma relação com o filho,
Estamos a restabelecer a relação com nós mesmos,
Com os filhos e com os nossos pais,
Então traz aqui muita,
É muita aquela ideia de quando abraçamos o nosso filho,
Abraçamos a nossa criança interior,
E quando assumimos o nosso papel de mãe,
Estamos também a trazer as nossas filhas da linhagem materna,
E da maternidade,
E do início de vida.
Então,
Eu sinto que é mesmo importante eu comunicar isso,
E logo na gravidez,
Quando eu comecei a restabelecer com isso,
E permiti-lhe chorar também nesses assuntos,
E dizer-lhe de onde é que isso vem,
Se tu te sentis rejeitada em algum momento,
Foi porque a tua gestação começou assim.
Mas olha,
Eu organizo a psique dela,
E faço um combate entre o que ela sente e o que ela viveu,
E isso é válido,
Mas olha,
Podes não te basear nisso,
Porque isso tem uma explicação,
E já está ultrapassado,
Isso não era sobre ti.
Então,
Desmistificar,
E depois o pós-parto foi muito mais,
Claro que vem todas as questões do pós-parto,
Da privação de sono,
Que é horrível,
Do também viver isto um bocadinho mais sozinha,
Às noites,
Sozinha com uma criança,
Que acorda e que mana infinitamente,
Então o pós-parto foi mais as questões físicas,
Mas foi um alívio a nível emocional.
O pós-parto foi mesmo de,
Está cá fora,
Aconteceu,
Limpei muita coisa,
E agora vem questões mais práticas,
Logísticas,
Mas o aliviar essa questão emocional,
Lá está,
A maioria das coisas são dores emocionais,
A maioria dos fatos traumáticos devem ser dores emocionais,
As depressões pós-parto são,
Através aqui,
As dores emocionais,
Então quando nós temos higiene emocional,
Bem,
A vida fica assim,
Com o outro bem.
Daí a importância de todo o trabalho emocional,
Que eu estou sempre a referir,
Que é tão importante fazermos nesta fase,
E principalmente durante a fase de gravidez,
E tu fizeste tudo isso,
E foi uma gravidez difícil,
E isso permitiu-te viver um pós-parto muito mais em paz,
E hoje viveres nesta verdade com a Jasmim e nesse crescimento em conjunto,
Como mãe,
Mas também conheceres-te a ti como esta nova Margarida,
Com tanta coisa já resolvida,
Que a maternidade te permitiu fazer,
Com toda essa cura,
E hoje poderes levar isso a tantas mulheres,
E é mesmo um orgulho imenso,
Poder acompanhar-te,
Poder acompanhar todo este crescimento,
E foi mesmo especial,
A sério,
Ter-te aqui hoje,
Falarmos de tudo isto,
Acompanhar como tua prima este crescimento,
E ver de fora tudo o que estás a construir,
E hoje apoiares-te tantas mulheres,
Com base na tua história,
E realmente és a prova de que todas estas coisas que nos vão acontecendo,
Estas dificuldades,
Nos estão a encaminhar para um caminho,
E hoje estás mesmo a fazer a diferença na vida de muitas mulheres,
E tenho muito orgulho em ti.
Minha querida,
Obrigada mesmo por toda a tua partilha,
Foi mesmo um episódio muito especial ter-te aqui,
Foi mesmo mágico,
E nós ainda vamos continuar a conversa,
Vamos mergulhar um pouco mais neste tema do parto,
Principalmente,
Que é algo que eu estou prestes a viver,
Mas para este episódio,
Realmente eu queria mesmo focar nesta tua história de vida,
Porque é uma inspiração,
E tenho a certeza que está a empoderar muitas mulheres que nos estão a ouvir neste momento,
Por isso só te posso agradecer.
Para quem quer acompanhar a Margarida,
Sigam-na no Instagram,
Não é arobamargaridarockpreira,
Exatamente,
Que a Margarida partilha muita coisa maravilhosa,
Está sempre a responder dúvidas,
Faz um acompanhamento incrível mesmo,
E eu continuo aqui a acompanhar sempre,
De perto,
E muito obrigada mesmo,
Foi mágico,
Maravilhoso,
E é incrível ver-te a crescer como mulher,
E como profissional,
E ver-te a juntar realmente a tua vida e este teu crescimento com o teu trabalho,
E ver como usas a tua história para apoiar e empoderar tantas mulheres.
És um orgulho!
Obrigada Inês,
Eu acredito que é mesmo só assim,
O nosso serviço à humanidade é nós curarmos a nós próprios,
E essa cura ser também aquilo que oferecemos ao outro,
Como um gatilho para que ele se possa também curar,
E uma humanidade mais saudável para todos.
E realmente,
Como dizias,
A última dica para mamães seria mesmo procurarem essa verticalidade,
Essa individualidade,
Esse reencontro consigo mesmas,
Porque é o melhor que podem oferecer a um filho,
É muito aquela ideia,
A melhor herança que se pode deixar é a resolução inteira,
Não é?
Nós estamos resolvidas connosco e não passámos os nossos preços para os nossos filhos,
E organizámos-nos a nós e aos filhos,
E temos apoio.
Isso vai de encontro a muito do que eu partilho,
Que é,
Nós temos que estar bem para dar o nosso melhor aos outros,
E muitas vezes na maternidade,
Eu acredito,
E é algo com que eu vou lidar agora,
Em que nós nos esquecemos nós,
E achamos,
Não,
Eu tenho é que fazer pelo meu filho,
Mas de verdade é que nós temos que estar bem connosco,
Nós temos que cuidar de nós,
Nós temos que estar bem mentalmente,
Emocionalmente,
Fisicamente,
E só dessa forma é que nós podemos realmente ser as melhores mães do mundo,
Não é?
E poder realmente estar ali para apoiar e guiar aquele novo ser,
Portanto acho que esse é mesmo assim o melhor conselho que podes deixar a todas as mamães,
É fazerem mesmo esse trabalho interno,
Porque só estando bem connosco é que nós podemos criar esta nova humanidade com todo o amor.
Por isso,
Muito obrigada minha querida,
Foi tão bom,
Um beijinho grande a todos,
Obrigada por nos ouvirem e até ao próximo episódio,
Beijinhos!
Obrigada por me ouvires e por hoje teres escolhido fazer de ti,
Do teu crescimento e evolução,
A tua prioridade,
Tu inspiras-me como não podes imaginar.
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InêsNunesPimentel.
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E,
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Chegou o momento de brilhares.