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Série Textos Inspiradores - Ep2 Sogyal Rinpoche

by Cristina Dantas

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Meditação
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Sinta-se convidada(o) a participar em práticas meditativas e leituras leves e acessíveis inspiradas em textos de grande pensadores da Humanidade. Neste episódio, reflita comigo sobre um ponto de vista lindo sobre a Meditação pelas palavras de Sogyal Rinpoche, no clássico espiritual “O Livro Tibetano da Vida e da Morte”. Neste áudio você poderá ouvir trechos do capítulo 5 que gentilmente compara a meditação a um regresso à casa.

Transcrição

Olá,

Eu sou a Cristina e eu quero te dar as boas-vindas à série Textos Inspiradores.

Textos a partir dos quais a gente pode ter um entendimento mais profundo da nossa felicidade e que nos colocam num lugar de paz.

E no áudio de hoje,

Eu te convido a vir comigo numa reflexão sobre a meditação de uma beleza particular,

Onde Sogyal Riponche compara a meditação a trazer a mente pra casa.

Capítulo 5 do Livro Tibetano da Vida e da Morte Há mais de 2.

500 anos,

Um homem que andara em busca da verdade ao longo de muitas vidas chegou a um sítio pacato no norte da Índia e sentou-se debaixo de uma árvore.

Ele permaneceu ali sentado,

Com uma determinação inabalável,

E comprometeu-se a não se levantar até encontrar a verdade.

Consta que,

Ao cair do crepúsculo,

Ele conquistara todas as forças negras da ilusão e,

Ao amanhecer,

Quando a estrela de Vênus brilhou no céu da madrugada,

O homem foi recompensado pela sua paciência secular,

Disciplina e concentração infalível ao alcançar o objetivo derradeiro da existência humana,

A iluminação.

Nesse momento sagrado,

A própria terra estremeceu como se estivesse embriagada de bem-aventurança e,

Como as escrituras nos dizem,

Não havia ninguém irado,

Doente ou triste em lado algum.

Ninguém cometeu mal nenhum,

Nem sentiu orgulho.

O mundo permaneceu profundamente tranquilo,

Como se tivesse atingido a perfeição plena.

Este homem passou a ser conhecido como Buda.

O que Buda compreendeu é que a ignorância da nossa verdadeira natureza está na origem de todo o sofrimento do samsara e que a causa da própria ignorância é a tendência habitual da nossa mente para a distração.

Acabar com a distração da mente implica o fim do próprio samsara e ele percebeu que a chave para o fazer é trazer a mente para casa,

A sua verdadeira natureza,

Através da prática da meditação.

Buda sentou-se no chão com uma dignidade serena e humilde,

Com o céu por cima dele e em seu redor,

Como se nos quisesse mostrar que durante a meditação nos sentamos com uma atitude mental aberta como o céu,

Embora nos mantenhamos presentes,

Seguros e firmes como a terra.

O céu é a nossa natureza absoluta,

Ilimitada e sem quaisquer barreiras,

Enquanto a terra é a nossa realidade,

A nossa condição relativa e ordinária.

A postura que assumimos quando meditamos significa que estamos a ligar o absoluto e o relativo,

O céu e a terra,

O celeste e o terrestre,

Como duas asas de um pássaro,

Integrando a natureza com o céu imortal da mente e o terreno da nossa natureza transitória e mortal.

A dádiva de aprender a meditar é a maior que pode dar a si próprio nessa vida,

Porque é apenas através da meditação que consegue iniciar a viagem de descoberta da sua verdadeira natureza e encontrar deste modo a estabilidade e a confiança de que precisa para viver e morrer bem.

A meditação é o caminho para a iluminação.

A finalidade da meditação é despertar em nós a natureza da mente que é como o céu e apresentar-nos ao que somos realmente a nossa consciência pura e inalterável,

Que permeia o todo da vida e da morte.

Na tranquilidade e no silêncio da meditação,

Vislumbramos e regressamos a esta natureza interior profunda que há tanto tempo perdemos de vista no meio da agitação e distração da nossa mente.

Não é extraordinário que as nossas mentes não sejam capazes de permanecer tranquilas durante mais do que alguns momentos sem procurarem uma distração?

Elas são tão inquietas e preocupadas que por vezes penso que,

Ao vivermos numa cidade do mundo moderno,

Somos já como os seres atormentados do estado intermédio depois da morte,

Onde se diz que a consciência está angustiadamente agitada.

Estamos fragmentados em tantos aspectos diferentes que não sabemos quem realmente somos nem quais os aspectos de nós próprios com que nos devemos identificar ou em que podemos acreditar.

Há tantas vozes contraditórias,

Normas e sentimentos que se debatem pelo controle da nossa vida interior que damos conosco dispersos por toda a parte,

Em todas as direções,

Não deixando ninguém em casa.

A meditação é,

Portanto,

Trazer a mente para casa.

Nos ensinamentos de Buda,

Dizemos que há três fatores que fazem toda a diferença entre a sua meditação ser meramente uma forma de alcançar uma descontração,

Paz e bem-estar temporários ou de se tornar uma causa poderosa para a sua iluminação e a dos outros.

Designamos-nos por bom no princípio,

Bom no meio e bom no fim.

Bom no princípio é fruto da consciência de que nós e todos os seres sencientes temos fundamentalmente a natureza de Buda como a nossa essência interior e que reconhecê-la é libertarmos da ignorância e acabar finalmente com o sofrimento.

Desse modo,

Cada vez que começamos a nossa prática da meditação,

Somos incitados a isso e inspiramos-nos com a motivação de dedicar a nossa prática e a nossa vida à iluminação de todos os seres no espírito da seguinte oração,

Rezada por todos os Budas do passado.

Pelo poder e pela verdade desta prática,

Possam todos os seres sencientes encontrar a felicidade e as causas da felicidade,

Possam eles libertar-se do sofrimento e das causas do sofrimento,

Possam eles nunca separar-se da felicidade suprema livre de sofrimento e possam eles viver na grande equanimidade livre de apego e aversão.

Bom no meio é o estado de espírito com que entramos no coração da prática,

Inspirada pela compreensão da natureza da mente,

A partir da qual surge uma atitude de não apego,

Livre de qualquer referência conceptual,

Bem como uma consciência de que todas as coisas são intrinsecamente vazias,

Ilusórias ou como os sonhos.

Bom no fim é o modo como concluímos a nossa meditação,

Dedicando todo o seu mérito e rezando com um fervor genuíno.

Que todo o mérito proveniente desta prática se destine à iluminação de todos os seres,

Que ele se possa tornar numa gota no oceano da atividade de todos os Budas,

No seu incansável trabalho para a libertação de todos os seres.

Mérito é o poder positivo e benefício,

A paz e a felicidade que irradiam da sua prática.

Você dedica esse mérito ao benefício a longo prazo e último dos seres,

A iluminação.

A um nível mais imediato,

Dedica-o para que possa haver paz no mundo,

Para que toda a gente possa estar totalmente livre de necessidades e de doenças e experimente o bem estar pleno e a felicidade duradoura.

Então,

Ao compreender a natureza ilusória como os sonhos da realidade,

Pondere sobre a forma como,

Num sentido mais profundo,

Você que dedica a sua prática àqueles a quem a dedica e até o próprio ato da dedicação são todos intrinsecamente vazios e ilusórios.

Nos ensinamentos,

Diz-se que é isto que veda a meditação e assegura que nenhum do seu puro poder se perca ou se esgote,

Garantindo deste modo que nunca nenhum mérito da sua prática é desperdiçado.

Estes três princípios sagrados,

A hábil motivação,

A atitude de não apego que protege a prática e a dedicação que veda,

São o que torna a sua meditação verdadeiramente iluminadora e poderosa.

Eles foram maravilhosamente descritos pelo grande mestre tibetano Longchenpa como sendo o coração,

O olho e a força vital da verdadeira prática.

Como Nyoshul Khenpo afirma,

Para alcançar a iluminação completa,

Mais do que isto não é necessário,

Mas menos é insuficiente.

Eu espero que essa ideia de que a meditação é trazer a mente para casa tenha feito tanto sentido para você como fez para mim e que a cada prática meditativa você possa também dedicar todas as bênçãos e tudo aquilo que você alcança a todos os seres vivos.

Espero contar com você em breve.

Obrigada.

4.9 (26)

Avaliações Recentes

Cida

June 23, 2024

Excelente!🙏🏽

Ana

February 3, 2023

Obrigada. Que sorte tive em te encontrar neste aplicativo. Gratidão.

Dibinha

December 8, 2022

Que série inspiradora! Este texto fez todo sentido e me inspira a manter a constância em meditar. Gratidão a você e a todo o universo! 🙏🏽

Tania

December 7, 2022

Pelas "lives" ou pelas gravações do Insight Timer sua presença é sempre muito especial e construtiva. Obrigada!

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