Olá,
O meu nome é Inês Nunes Pimentel e este é o meu podcast,
Ou melhor,
O nosso.
Este é um lugar para conectarmos profundamente connosco e falarmos abertamente de alma para alma.
Aqui partilho as minhas histórias,
Lições,
Trago-te as pessoas que mais me inspiram e dou-te as ferramentas e a inspiração que precisas para apareceres ao mundo como a tua melhor versão e manifestares a vida dos teus sonhos.
Olá a todos,
Sejam muito bem-vindos a mais um episódio.
Para hoje trago-vos um tema tão importante e mais uma convidada muito,
Muito especial.
Depois do impacto que o episódio sobre amor próprio teve na vida de tantas pessoas,
Eu sabia que tinha que falar de um dos temas mais importantes desta jornada de nos apaixonarmos por nós,
Que é curarmos a nossa relação com o nosso corpo.
Nós vivemos numa sociedade que nos faz acreditar numa imagem de corpo perfeito e nos ensinou a odiar a nossa celulite,
A acnestrias,
Peso a mais ou a menos.
Por consequência,
Vivemos numa constante autocrítica onde dizemos as piores coisas sobre nós ao espelho e onde todos os dias nos comparamos por nunca acharmos que seremos boas o suficiente.
Mas será que quando atingirmos essa tal imagem perfeita encontraremos finalmente a nossa felicidade?
E a verdade é que não,
E a nossa convidada de hoje viveu isso na pele.
A querida Vânia Duarte,
A Vânia é uma mulher real,
Tal como todas nós,
Que durante mais de 15 anos viveu imediatamente uma relação destrutiva e abusiva com o seu corpo,
Que o levou ao diagnóstico de uma bulimia,
Depressão e síndrome de pânico,
Até que depois de atingir o suposto corpo perfeito e publicar as suas fotografias no Instagram,
Sempre cheias de elogios,
Percebeu que continuava infeliz.
Foi preciso um wake up call no hospital quando o seu corpo começava a falhar,
Que foi assim o sinal do universo para ela perceber que tinha que mudar algo e que na verdade essa mudança não tinha nada a ver com o seu corpo,
Mas sim com o seu interior.
A viagem de amor próprio é uma viagem para dentro de nós e neste episódio a Vânia partilha todas as ferramentas de alguém que começou o amor próprio do zero e que hoje encontrou finalmente o seu verdadeiro equilíbrio.
A sua história de vida é mesmo muito inspiradora e este é daqueles episódios que todas as mulheres precisam de ouvir,
Por isso partilhem com as mulheres da vossa vida para que comecemos já hoje a amar e a construir uma relação de amor com o nosso corpo,
O nosso templo.
E agora sem mais demoras vamos dar as boas-vindas à querida Vânia Duarte.
Olá minha querida Vânia,
Seja muito bem-vinda.
Obrigada pelo convite,
É uma honra estar aqui.
Para mim aqui é,
Sabes que para mim és assim uma grande inspiração,
Por isso é que eu faço sempre questão que estejas também na academia a partilhar a tua história,
A tua experiência.
Eu recentemente fiz um podcast só sobre amor próprio,
Então no seguimento disso eu achei que era super importante ter uma pessoa como tu,
Que és realmente uma mulher real,
Que viveu na pele o não amares realmente o teu corpo e criares toda uma relação de amor contigo.
Portanto é sobre isso que nós vamos falar hoje,
Sobre curarmos a nossa relação com o nosso corpo,
Que é uma das partes tão importantes do nosso corpo.
Nós como mulheres criticamos constantemente o nosso corpo,
Comparamos o nosso corpo ao corpo de outras mulheres e criamos realmente relações muito destrutivas com ele.
E tu viveste isso na pele e conseguiste curar esta relação e hoje tens uma relação super harmoniosa contigo.
E portanto hoje vamos falar sobre tudo isso,
Sobre a criação dessa relação que fizeste contigo,
Com o teu corpo.
Mas antes disso gostava que te apresentasses,
Que nos dissesses quem é Vânia e o que é que estás a fazer neste momento também,
Porque hoje em dia tens muitos projetos nesta área de bem-estar,
Desenvolvimento pessoal.
Portanto conta-nos um bocadinho sobre ti,
O que é que estás a fazer neste momento.
Ok,
Então antes de mais,
Mais uma vez obrigada.
Para mim é mesmo um privilégio imenso estar aqui no teu podcast porque eu sinto que estou no podcast da minha amiga,
Não é?
Exatamente.
Nós temos uma relação de alguns anos e tu também foste uma parte muito fundamental da minha cura,
Não só exterior como interior e apareceste de facto numa altura da minha vida em que eu estava muito,
Muito,
Muito,
Muito mal.
E portanto estar aqui hoje neste teu projeto bebé que me acompanha todos os dias quando eu vou de carro é de facto uma honra e tal como eu sou muito privilegiada de poder inspirar as meninas que trabalham contigo na academia,
Portanto obrigada mesmo pelo convite.
Obrigada e eu.
Então quem sou eu?
O meu nome é Vânia Duarte,
Eu tenho 34 anos,
Faço muitas coisas neste momento,
Tenho a minha vida meio cheia,
Sou professora de yoga,
Sou terapeuta de Thai Massagem,
Sou,
Nunca sei nem bem como é que me é de apresentar,
Mas sou dona,
Fundadora,
Etc,
De Cristais da Alma,
Que é um projeto maravilhoso de cristais.
Sou autora de um blog que era o Lolitaste e que agora basicamente passou a fazer parte da minha marca pessoal que é vâniaduarte.
Pt e no fundo sou uma amiga que adora escrever,
Expresso-me muito bem pela escrita e acho que a escrita ajudou-me em muitos momentos a lidar com a dor que eu tinha comigo própria e por isso é que eu partilho tanto,
Escrevo tanto e sinto que aproximo muitas pessoas.
E pronto,
Tenho dois gatos,
Sou apaixonada por eles e vivo numa cidadezinha plantada à beira mar.
Exatamente,
Sim,
Sim,
Sim.
Identifico-me muito com o que partilhas sobre é tão difícil às vezes apresentarmos e dizermos o que fazemos,
Porque realmente nós não nos podemos mesmo colocar numa caixa,
Nós somos tanta coisa,
Fazemos tanta coisa e é incrível e tu és a prova disso que podemos ter muitas paixões e viver com tudo isso e trabalhar com todas elas,
É incrível tudo o que hoje estás a fazer e o trabalho incrível que estás a fazer com a escrita,
Com o blog,
Com os cristais,
Que estiveste também no meu evento 2020 Sonho,
Foi maravilhoso.
E eu sinto que todas estas áreas,
Elas acabaram todas por sempre a ligar,
Não é?
Eu liguei-me muito ao amor próprio e essa sempre foi e sempre será a minha bandeira.
A paz de tudo,
Não é?
Exato,
É a minha maior apresentação,
Eu sou a pessoa que fala do amor próprio mesmo como uma grande bandeira que nós temos de trazer connosco todos os dias.
E depois estas áreas,
Todas elas acabaram por me ajudar no meu caminho.
Na tua jornada.
E acabaram também por despertar e ressoar em mim alguma coisa.
Exatamente,
E hoje trabalhas um pouco com todas elas e é muito irreferires,
No fundo já nos conhecemos mesmo no início dessa jornada e o mais engraçado é que nos conhecemos precisamente num evento de amor próprio.
É verdade.
Que aconteceu em 2017,
Não é?
Foi no início de 2017,
Foi um dos primeiros eventos que eu fiz em Portugal e foi aí que nós nos conhecemos pela primeira vez e tu estavas mesmo no início dessa jornada de amor próprio.
E para mim foi incrível acompanhar todo esse crescimento,
Ver-te realmente apaixonar-se por ti,
A viver na realidade o que é isto,
O amor próprio,
E hoje estares tão realizada e a fazeres tantas coisas e a partilhares tantas paixões com o mundo.
Portanto,
És mesmo uma verdadeira inspiração.
Esse evento foi,
Eu lembro-me que eu descobri-te em 2016,
Quando tu tives que casar.
Exatamente.
Tu apareceste,
Não sei como,
No meio do Instagram.
Sim,
Sim.
Mas havia qualquer coisa em ti que me puxava,
Sabes?
Eu pensava,
Mas porque é que esta mina me apareceu aqui no feed,
Mas eu não conseguia parar de te seguir.
Sim,
Sim,
Exatamente.
E eu lembro-me que comecei logo a fazer umas receitas que tu tinhas e a tua mensagem puxava mesmo muito para ti.
E depois,
Quando foi o evento,
Eu lembro-me tão bem que eu fui ao evento por ti,
Gosto muito também do trabalho da Joana,
Mas claramente eu fui ao evento por ti.
E depois no final eu já não estava a vir embora,
Estava super mal comigo mesma,
Mas pensei,
Não,
Eu não posso ir embora sem lhe dar um abraço.
Sim.
Então fui super tímida de ir comigo e dizer-lhe,
Olha Inês,
Pode só dar um abraço.
E foi um momento muito especial.
Não esqueço desse abraço porque foi mesmo assim muito forte.
E este ano,
Precisamente três anos depois,
Voltámos a estar no mesmo sítio a fazer o 2020 Sonho,
Foi a Casa Vinhaça e tu estavas como parceira do meu evento com os teus cristais.
É verdade.
Portanto,
Foi assim um completar de um ciclo maravilhoso.
Há três anos atrás eu nunca imaginaria que poderia estar ali como tua parceira,
Não é?
Exatamente.
É incrível.
Encarrega-te de se endireitar.
Exatamente.
Então conta-nos como é que começou esta,
Falando então neste processo todo de amor próprio,
De criar esta relação de amor com o teu corpo,
Conta-nos como é que começou esta relação destrutiva com o teu corpo,
O que é que levou a isso?
Claro.
Então,
Eu costumo dizer que eu passei mais de 15 anos da minha vida a odiar-me.
E eu sei que a palavra odiar pode ser muito forte,
Mas efetivamente era isto que eu sentia.
Eu odiei muitas vezes,
Eu desejei de facto morrer muitas vezes e nascer uma nova pessoa,
Um novo corpo.
A minha relação destrutiva começou por volta dos 16 anos.
Eu tinha excesso de peso na altura,
Eu não ligava propriamente muito ao que comia,
Comia efetivamente mal,
Não tinha realmente muitos cuidados,
Mas eu também não tinha propriamente muita atenção com a minha imagem.
Eu era muito Maria Rapaz na altura e portanto eu não estava muito desperta para o espelho,
Para a imagem,
Para os rapazes.
Eu queria era jogar à bola e usava roupas muito largas,
Portanto ok,
Eu sabia que tinha um corpo maior do que as minhas amigas,
Mas o meu grupo de amigas,
Minhas muito próximas,
Nunca me fez sentir diferente.
E portanto,
Eu nunca estive efetivamente muito desperta para a imagem corporal.
Até que aos 16 anos,
Eu fui gozada na escola por causa do tamanho das minhas angas.
E foi exatamente isso que fez com que pela primeira vez eu parasse efetivamente em frente a um espelho e percebesse que o meu aspecto físico era diferente das outras miúdas e depois comecei a questionar,
Se calhar é por causa disso que elas têm namorados e eu não.
Quer dizer,
Eu nunca me tinha interessado por rapazes,
Mas a verdade é que depois,
Quando isto acontece,
Começas a questionar isto.
A questionar tudo.
Ainda por cima,
Numa fase da vida em que as adolescentes,
As hormonas estão todas aos saltos,
E tudo isto ganha uma proporção muito maior.
E então,
Nessa vez eu de facto olhei para mim e pensei tipo,
Não,
Eu sou super gorda e é por isso que os rapazes não gostam de mim.
Então eu tenho que fazer alguma coisa e tenho que começar a emagrecer.
Naquela altura havia internet,
Mas eu nem tinha computador em casa,
Portanto eram muitas revistas,
E não seria que a minha mãe vinha por casa com aquelas dietas da alface,
Do cenouro e das maçãs.
E eu comecei a pensar,
Se calhar vou começar a reduzir aqui alguns disparates que como,
O que até não era mal,
Não é?
Mas na minha ideia eu achava,
Ok,
Eu vou mudar aqui qualquer coisa na alimentação,
Deixar de comer tanto pão e tanto chocolate.
Eu comia muitos doces mesmo.
Mas era uma mudança não pela razão certa,
Ou seja,
Não porque eu vou cuidar do meu corpo,
Porque eu amo o meu corpo,
Não.
E porque eu não gosto do meu corpo,
E então eu tenho que fazer alguma coisa para o mudar.
Sim,
O que eu senti era que era como se eu precisasse de,
Apesar daquelas pessoas que me disseram aquilo,
Não serem propriamente do meu grupo de amigas,
Eram tipo pessoas que eu passava na escola e pensava,
São tipo as mais bonitas da escola.
E então era quase como eu queria sentir que tinha validação da parte delas.
Foi este o motivo que me fez,
De facto,
Começar a fazer dieta.
Não foi porque,
Ah não,
Eu quero por uma questão de saúde,
Porque efetivamente eu pesava 80 quilos e eu tenho 1,
64 m,
Portanto não é saudável.
E não foi de todos por causa disso.
E então eu comecei a tentar reduzir algumas coisas,
Mas de facto não perdi o peso que eu achava que ia perder.
E então,
Eu já não,
Sabes,
Eu não te consigo precisar,
Quando é que foi a primeira vez,
Porque é que eu pensei que vomitar podia ser uma boa solução?
Eu sei,
Mas lembro-me exatamente do momento em que eu fiz,
Eu estava sozinha em casa,
E eu tinha muita facilidade em mentir sobre as minhas refeições,
Porque a minha mãe trabalhava por turnos,
E então eu estava muito tempo sozinha em casa.
E eu lembro-me que antes de chegar ao vomitar,
Eu comecei a pensar,
Ok,
Já que isto da dieta,
De reduzir algumas coisas não funciona,
Eu vou então começar a não comer,
Ou só comer uma vez por dia.
Só que eu sou uma pessoa que eu gosto muito,
Muito,
Muito de comer.
E eu depois,
Ao longo do meu processo,
Eu tive um médico que me disse,
Nós,
Nem todas as pessoas que desenvolvem bulimia têm predisposição para uma anorexia,
E nem todas as pessoas que desenvolvem anorexia têm uma predisposição para bulimia.
E de facto,
Eu gostava muito de comer,
E ficar privada de não comer durante horas foi,
Era muito gostoso para mim.
Eu acabava depois por ter crises compensatórias,
Eu lidava muito com compulsões alimentares,
Compulsões alimentares foi uma coisa que acompanhou muito a minha vida,
Porque eu comia muito emocionalmente,
Eu sentia-me mal,
Sentia-me fraca,
Porque não estava a perder aquele peso.
E então,
O que aconteceu foi,
Um dia eu estava em casa,
Estava a comer um iogurte,
E de repente olhei para o iogurte e pensei,
Então se eu vomitasse isto,
Será que funciona?
E nunca tinhas ouvido falar sobre bulimia,
Nem nada,
Foi algo que surgiu?
Não,
Foi algo super natural,
Sabe?
Foi uma coisa que de repente eu olhei e pensei,
Então e se eu mandasse isto para fora?
E fui tentar,
E quem já sofreu bulimia sabe,
Aliás,
Mesmo quem não sofreu,
Nós tentarmos forçar o vómito sem vontade não é fácil,
E é extremamente doloroso fisicamente,
Mas efetivamente eu consegui.
E quando aquilo aconteceu,
Foi como se eu tivesse aberto uma caixa de Pandora,
Porque de repente eu pensei,
Uau,
Isto é incrível,
Porque de repente eu já não preciso de comer estas comidas,
Eu lembro-me que estava a comer na altura um iogurte natural,
Sem sabor,
Sem nada,
E eu de repente pensei,
Eu já não preciso de comer estas comidas todas sem graça nenhuma,
Posso comer tudo o que eu quiser e depois posso vomitar,
E isto é espetacular,
Porque assim eu não engordo.
E basicamente foi o que aconteceu,
Eu comecei a vomitar numa escala,
Sei lá,
Alguma vez,
Nem sequer eram todos os dias,
Eram duas ou três vezes por semana,
Mas entretanto isto torna-se efetivamente um vício,
Fica mais fácil de conseguir vomitar.
Eu estive a vomitar durante um ano sem ninguém saber,
Na minha família,
Só que é óbvio que com o passar do tempo,
Eu emagreci,
Sim,
Mas ao contrário da anorexia,
Em que tu tens uma perda de peso muito rápida e de facto tu notas que se faz alguma coisa,
A abdomínio o peso não é muito,
Tu perdes,
Mas não perdes muito peso de repente,
Não é?
Portanto as pessoas sabiam que eu estava mais preocupada com a alimentação e não acharam muito estranho,
Só que entretanto tu começas a ficar lente,
Porque o estômago começa a ficar muito danificado,
Por estar constantemente com uma série de ácidos nele,
Eu comecei a ter muita queda de cabelo,
As minhas unhas começaram-se a partir muito facilmente,
E depois chegou uma altura em que eu própria já não conseguia comer muito,
Porque ficava lá com muita dor de estômago,
E tinha mesmo,
Aí já era mesmo o estômago a dizer,
Eu tenho que mandar isto para fora,
Eu não consigo,
E então eu fui apanhada basicamente a vomitar em casa,
Houve um dia em que eu estava a acabar de jantar,
E era um jantar super saudável na altura,
Eu acabei de jantar e fui para a varanda do meu quarto com um saco de plástico,
Metia a música alta e comecei a vomitar,
A minha mãe já andava desconfiada que se passava alguma coisa há algum tempo,
E apareceu e apanhou um saco de plástico na mão na varanda,
E então decidi levar-me ao médico,
E nessa altura foi-me então diagnosticada bulimia nervosa.
Eu vivi com bulimia nervosa durante oito anos,
Porque neste tipo de doenças,
Neste tipo de distúrbios alimentares,
Ou mesmo num distúrbio mental,
Tu tens que ser efetivamente,
Tu tens que ser tu a querer ser tratado,
Não é?
Não pode ser a tua família a dizer que tens que fazer,
Tem que ser uma decisão interior.
Exatamente,
Tens que ser mesmo tu,
E basicamente na minha cabeça naquela altura,
Tudo o que existia era,
Não,
Não,
As pessoas não estão a perceber que isto é incrível,
E que basicamente o que me estão a pedir é para eu engordar novamente,
E então eu fazia muitas coisas à revelia,
Eu lembro-me que de manhã eu tinha que me pesar sempre,
Depois tive uma altura em que eu estive internada,
Eu tinha que me pesar sempre,
Eu bebia imensa água para pesar mais,
Depois,
Sei lá,
Acho que ia fazer coisas ridículas e muito tristes,
Como comer uma maçã,
Prender um fio e depois puxar a maçã para ajudar a facilitar o vómito,
Depois eu comia muito,
Sim,
Eu comia muito e depois treinava muito,
Muito,
Muito,
Muito,
Muito,
E depois no meio disto tudo existia um lado emocional que não estava a ser devidamente tratado,
Até por mim,
Não é?
Porque nessa altura não lhe dava o mínimo valor,
E então eu acabava por lidar com duas coisas,
Que era o querer emagrecer e as compulsões alimentares,
Eu comia muito emocionalmente,
Eu sempre fui muito assim,
Se alguma coisa corria,
Eu acho que nós portugueses nós celebramos muito com a comida,
É um hábito muito tipicamente português,
Se acontece alguma coisa boa,
Bora comer,
Se acontece alguma coisa triste,
Bora comer,
E eu sempre fui muito assim,
Eu sempre fui muito,
Se eu estava muito triste,
Muito em baixa,
Me odiava,
Eu comia quase para me punir,
Era a minha punição,
E depois vomitava a seguir,
Se eu estava muito feliz,
Se acontecia alguma coisa,
Eu comia para celebrar,
Então eu sempre tive uma relação muito disfuncional com a comida.
Entretanto,
Eu ao final de 8 anos ganhei um bocadinho mais dos visos,
Não é?
Isto foi de facto um processo que levou médicos,
Levou psicólogos,
E eu efetivamente aos 24 anos,
Eu fui dada como curada de bulimia nervosa,
Mas a minha relação comigo não mudou.
Não estava curada.
Ou seja,
Eu deixei efetivamente de vomitar,
E depois ao longo desses anos,
Até depois de ter dado mesmo um momento de viragem na minha vida,
Que foi aos 30,
Eu ainda cheguei a vomitar mais algumas vezes,
Tipo duas,
Três,
Mas hoje em dia é uma coisa que não me passa pela cabeça,
Mas efetivamente eu fui dada como curada da bulimia nervosa aos 24,
Mas eu não deixei de ser uma pessoa doente por causa da minha imagem.
Emocionalmente,
Tu continuavas a olhar-te ao espelho e a não gostar de ti,
Continuavas infeliz.
Sim,
Eu tinha uma imagem corporal completamente distorcida.
Eu,
Entretanto,
Fiquei muito obcecada,
Pois eu também já era mais velha,
Já trabalhava,
Portanto já tinha o meu próprio dinheiro,
Já podia pagar o meu ginásio,
Então eu fiquei muito obcecada com o exercício físico.
E em teres o corpo perfeito.
Sim,
Sim,
Sim,
Eu queria mesmo,
Eu treinava,
Treinava e tomava uma data de suplementos,
Uma série de coisas.
Aqui pelo meio aconteceu uma coisa que foi,
Eu desenvolvi síndrome do pânico aos 26 anos,
Fui diagnosticada com síndrome do pânico,
Porque tinha efetivamente ataques de pânico muito graves e estive durante dois anos a tomar antidepressivos e ansiolíticos e era uma coisa que de facto me envergonhava muito,
Porque eu sentia que era a única,
Há muitos anos atrás não se falava de síndrome do pânico nem da semidade em Portugal,
Eu lembro-me que quando fui diagnosticada,
Fui procurar coisas à neta e ninguém falava disto.
E portanto,
Eu sentia-me muito envergonhada de sofrer disto,
Eu achava que era a única pessoa no mundo que sofria disto na vida.
E então eu acabava por usar a comida como um refúgio de,
Eu sou uma nulidade,
Eu nem uma pessoa normal consigo ser,
Que não consigo estar na rua sem começar a tremer e achar que vou morrer do coração.
Então mais uma vez,
Eu usava a comida.
.
.
Uma coisa puxava a outra.
Exatamente.
Então,
No meio disto tudo,
Eu fiz psicoterapia durante dois anos e meio,
Durante todo o processo que fui diagnosticada com síndrome do pânico,
Fiz psicoterapia e tive uma psicoterapeuta incrível que conseguiu,
Não,
Lá está,
O meu síndrome do pânico tem algumas coisas do meu passado e depois nós começámos mesmo a analisar o meu comportamento desde miúda e chegámos à conclusão que,
Por exemplo,
Imagina,
Eu quando era miúda já fazia uma coisa,
Depois eu quando percebi isto,
Ok,
Este comportamento com a comida já vem desde muito pequena.
Porque eu lembro-me que quando mudei de casa a primeira vez com a minha mãe,
Quando nós estávamos a tirar os móveis da sala,
A minha mãe encontrou milhares de papeis de robustado escondidos atrás do armário.
E então,
De repente,
Quando nós fomos estudar este comportamento,
Isto era um comportamento que eu tinha.
.
.
Já tinhas necessidade de esconder.
Esconder,
Exatamente.
Isto foi uma coisa que eu tinha desde muito miúda.
A primeira vez que eu mudei de casa eu tinha bem seis anos,
Portanto,
Repara,
Já vem mesmo muito para trás.
Entretanto,
Esta psicóloga,
Ela foi a primeira pessoa que me falou sobre imagem corporal destruída.
Porque,
Entretanto,
Aqui pelo meio destes anos todos,
Eu já não tinha oitenta quilos.
Eu quando fui para a psicóloga,
Quando fui diagnosticada com a Síndrome do Pânico,
Eu tinha a altura de cinquenta e cinco,
Alguma coisa assim.
E estava completamente obcecada com a minha imagem.
Ela foi,
De facto,
A primeira pessoa que me falou disto.
Nós tínhamos muitas sessões em que eram em frente a um espelho,
Por exemplo.
E eu odiava,
Odiava de tudo,
Eu não queria estar ali.
Então,
Eu lembro-me que uma vez até fizemos uma sessão em que eu tapava de costas para o espelho.
E ela falava comigo e eu não queria,
Não queria mesmo estar ali.
Mas houve,
De facto,
Um exercício que ela fez e que foi um clique na minha vida para perceber efetivamente o que é que foi isto da disfunção de imagem corporal.
Ela percebeu que eu,
De facto,
Eu via-me como a miúda de oitenta quilos que tinha sido diagnosticada há muitos anos atrás.
E mesma forma como eu me vestia,
Eu quando ia às lojas,
Portanto,
Eu cheguei a vestir dez números a mais do que eu estava a vestir naquela altura.
E eu quando ia às lojas,
Eu levava sempre números de calças ou de vestidos muito maiores do que aqueles que eu vestia.
Era uma forma.
Primeiro eu não me via daquela maneira.
E depois era quase como tipo,
Ah,
Ok,
Eu não estou.
.
.
Eu fazia isto inconscientemente,
Mas era,
Eu vou levar estes números grandes,
Eu vou vestir,
Ah,
Afinal não cabem estes números grandes.
Afinal,
Eram os pequeninos.
Então,
Eu ia buscar,
Ia buscando,
Sei lá,
Eu comprar umas calças,
Estava a mais de duas horas dentro de um provador,
Porque eu ia buscando,
E ia descendo os números até chegar ao número perfeito,
Que eu achava que era o número da minha vida.
Exato.
Enfim,
E então essa psicóloga que ela fez uma vez foi,
Ela pegou num papel de cenário enorme,
Mesmo assim do tamanho,
Do meu tamanho,
Meteu-me no chão e pediu,
Deu-me uma caneta e pediu para eu me desenhar como eu me via em tamanho real.
Eu na altura achei aquilo um bocado estúpido,
Não é?
Ela fazia este tipo de exercícios comigo,
Porque ela percebeu que,
Tal como eu disse no início,
Eu expresso-me muito melhor a escrever,
E eu sou uma pessoa muito visual,
Eu vim de artes,
E ela percebeu que muitas vezes eu tinha muitos bloqueios a falar,
E então ela usava estas artimanhas quase de,
Vá,
Vamos pintar,
Não é?
Ou vamos desenhar para todos os passados.
Claro.
E então eu agarrei a caneta e desenhei uma coisa completamente,
Pá,
Não te consigo dizer,
Mas de facto era muito maior do que eu lembrei.
E ela de repente olhou,
Mas super neutra,
E disse-me,
Ok,
Esta és tu,
Não é?
E eu,
Tipo,
Sim,
Sim,
Esta sou eu.
E ela,
Tipo,
Tens as certezas?
Mesmo tu,
Esta é a Vânia que está aqui deitada num boneco.
E eu,
Sim,
Sim,
Sou eu.
Ela,
Ok,
Então agora o que é?
Tu te deites dentro do boneco e eu vou com a caneta,
Eu vou contornar o teu corpo,
Eu peço desculpa desde já se te arriscar as calças,
Mas eu quero mesmo contornar o teu corpo com a caneta,
E eu vou desenhar aquilo que eu vejo,
Mas mais do que isso,
Aquilo que tu és.
E depois vamos ver.
E eu,
Tipo,
Ah,
Que disparado,
Mas eu já me acabei de desenhar.
Pronto,
E então eu deitei dentro daquele boneco completamente desforme.
Ela contornou e eu senti tudo,
Eu até fiquei com a roupa arriscada e tudo,
Eu senti exatamente a caneta a passar por todo o meu corpo.
E de repente,
Quando ela me mandou olhar,
E ela disse,
Agora vais ver quem tu és,
Ou como é que tu és.
E eu tive um choque,
Porque de repente aquilo,
Inês,
Tu não estás a perceber,
É que nem sequer era metade,
Era muito menos,
Era assim uma coisa,
Tipo,
Absurda.
E eu tive um choque,
Tipo,
Mas como é que eu sou assim?
Eu não sou assim.
Ok,
Alguma coisa aqui não está bem.
Exato.
Foi muito chocante e nessa altura,
E foi aí que ela me explicou que eu tinha uma disfunção de imagem corporal,
Que eu ainda me via como a pessoa que eu era há não sei quantos anos atrás,
E quando eu estava à socia de bulimia,
E que isto tudo acabava por impactar a minha relação comigo com os outros,
O facto de eu demorar duas horas a escolher umas calças dentro de um provador,
Que não era normal,
Eu sabia perfeitamente que eu não vestia o quarenta e tal,
Mas eu tinha sempre que levar aquilo,
Era quase uma prova de validação para mim,
Que tu estás muito longe deste número,
Porque toda a minha vida sempre foi isto,
Sempre foi os números.
E esse foi de facto um momento de viragem muito forte para mim,
Eu comecei um processo com ela muito intenso,
De psicoterapia muito focada na imagem corporal,
Entretanto chegou uma altura em que eu senti que estava na altura de fazer o meu caminho,
E portanto eu deixei de ter consultas tão regulares com ela,
E comecei a tentar cuidar mais de mim,
Nessa altura o yoga entrou na minha vida também.
Este foi então assim o teu wake-up call,
Não é?
Porque tu já fazias muita terapia,
Mas muito porque a tua família te indicou para ires fazendo,
Porque na verdade interiormente tu ainda não estavas curada,
Tu é que tiveste que decidir,
Portanto sentes que este momento foi o teu wake-up call,
Aquele momento que se calhar viste a tua imagem.
.
.
Este momento foi um dos mais.
.
.
O meu wake-up call final,
Que tu tens de fazer alguma coisa à tua vida,
Foi três anos mais tarde,
Quando eu fiz 30,
Eu entretanto saí da psicóloga,
Eu comecei a querer cuidar mais de mim,
Mas havia sempre.
.
.
Lá está,
Eu tinha fases muito boas e muito más,
Eu tinha épocas.
.
.
Normalmente o início do ano era sempre incrível,
Não é?
Ano novo,
Vou ser saudável e fixe,
E depois tinha fases muito más em que.
.
.
Lá está,
Eu entregava-lhe muito.
.
.
Eu aí já não vomitava,
E os meus ataques de pânico já estavam mais controlados,
Eu comecei a praticar yoga nessa altura,
Porque foi na altura do desmame da minha medicação,
E foi mesmo por aconselhamento médico,
Foi muito engraçado,
Porque foi mesmo o médico que me disse vais entrar numa fase da tua vida muito difícil,
Que é alargar esta medicação,
Porque é que não vais experimentar yoga?
E eu pensei,
Que estupidez,
Yoga,
Eu gosto de ter cross-fit e de musculação,
Mas fui,
Está há oito anos atrás,
E a verdade é que eu odiava yoga,
Eu detestava,
Mas eu sentia que tudo o que era respiração,
Tudo o que era um pranayama,
Me ajudava muito a estar em mim,
E então eu mantive-me no yoga,
Pronto,
Até aos dias de hoje,
Não é?
Apesar de agora me adorar.
Mas ao longo deste processo todo,
Eu tive fases muito boas,
Fases muito más,
Tive muitas oscilações de peso,
Mas uma coisa que nunca mudou,
Efetivamente,
Era a minha obsessão com o meu peso,
Com o meu número.
Sim,
Sim,
Sim.
Eu de repente transferi a obsessão,
Eu consegui descolar-me daquela imagem que eu tinha,
Lá está,
Você que eu digo,
Foi um momento wake-up call,
Mas eu também acho que foi um momento que ativou um outro lado da Vânia,
Que foi,
Ok,
Eu vou dizer as palavras todas que eu dizia,
Porque de facto era assim que eu falava.
Eu já não sou aquela gorda nojenta,
Porque isto eram exatamente as palavras que eu usava,
E as palavras que nós usamos a nós próprios têm um impacto brutalíssimo,
É mesmo uma coisa assustadora.
E eu falava assim comigo mesmo,
És uma gorda nojenta,
Não vales nada,
És feia,
Nunca ninguém te vai querer,
Tu nunca vais ser capaz de ter um namorado,
Um marido,
Tu nunca vais ser capaz de crescer profissionalmente,
Porque és horrível,
Tens uns dentes horríveis,
Tens um nariz horrível,
Tens umas banhas nojentas,
Era exatamente assim que eu falava comigo,
Durante imenso,
Imenso tempo.
E então,
De repente,
Aquele wake-up call foi,
Ok,
Eu já não sou aquela gorda nojenta,
Já está lá para trás,
Portanto eu agora estou no caminho mais perto para me tornar super fitness,
E super tipo o corpo de sonho que eu sempre ambicionei ter.
E aí veio uma nova opção,
Não é com o número,
Com teres aquele corpo perfeito,
Aquele número perfeito.
Exatamente,
E eu de repente meti na minha cabeça,
Porque meti mesmo na cabeça,
Que tinha que pesar 50 quilos.
E associaste a tua felicidade a esses 50 quilos,
Não é?
Quando eu atingir os 50 quilos,
Eu vou estar perfeita,
Eu vou ser feliz.
Quando eu atingir os 50 quilos,
Eu vou ser feliz.
Até ali,
Eu na altura pesava,
Sei lá,
55.
E então,
Quando eu atingir os 50 quilos,
Eu vou ser efetivamente feliz.
E então esse tornou-se o meu objetivo maior.
Sim.
Um motor de obsessão.
Então,
Eu comecei a treinar imenso,
E depois nessa altura eu entrei para um ginásio,
Que era um ginásio assim da moda,
E portanto,
Todas as miúdas com corpos esculturais,
Eu arranjei um PT todo cromo.
Eu tomava,
Eu não consigo explicar a quantidade de suplementos que eu tomava,
De tudo,
De coisas em pó e de coisas para acelerar o metabolismo,
Coisas que me faziam mesmo sentir mal a nível de curação,
Não é?
De hiperdia e assim,
E eu estava realmente muito focada naquilo.
Entretanto,
Eu cheguei aos 50 quilos,
E quando cheguei aos 50 quilos,
Eu percebi que aquilo não chegava,
Que eu não estava feliz,
Que o corpo que eu idealizava,
Eu fazia uma coisa que era,
Eu guardava fotografias,
Na altura o Instagram já começou a bombar,
Eu guardava fotografias dos corpos que eu imaginava com os 50 quilos,
Tipo,
É assim que eu vou ser.
E eu treinava imenso,
Tipo,
Se não estás a perceber,
Eu treinava duas vezes por dia,
Ao fim de semana treinava três vezes por dia.
E então,
Eu guardava aquelas fotografias todas,
Eu cheguei a imprimir e a colar-te.
Eu vou ser assim,
Vou ser como este corpo perfeito.
E quando eu cheguei aos 50 quilos,
Que era o meu número de sonho,
Não é?
Eu senti-me super triste,
E percebi que não,
Eu não estou mais feliz,
Eu não me sinto mais bonita,
Eu continuo com estas banhas nojentas,
Eu continuo a sentir-me uma loser,
Portanto,
O que é que eu vou fazer?
Vou perder mais peso,
Porque se calhar não é os 50 quilos para o meu corpo,
Se calhar eu tenho que chegar aos 48,
Não é?
Pronto,
E isto começou assim,
E eu cheguei a pesar 45 ou 46 quilos,
Foi o mínimo que eu pusei,
Eu deixei de ter menstruação,
E entretanto,
Eu estava de facto muito magra,
Eu tinha muitos,
Muitos,
Muitos amigos meus a dizerem-me tu estás com um ar super doente,
Tu estás a ficar realmente muito mal,
Muito doente,
Etc.
Entretanto,
Alguns aqui pelo meio,
Eu comecei realmente a perceber que os 45 quilos,
Porque eu tenho uma questão que é,
Eu quando emagreço,
A primeira coisa é não emagrecer na cara,
E portanto,
Eu estava de facto com uma cara cadavérica,
Não é?
Eu própria olhava-me ao espelho e não gostava do que lia,
Portanto,
Ok,
Então se calhar o que eu tenho que fazer é voltar outra vez aos 58 quilos e aprender a gostar desses 50 quilos.
Pronto,
E então foi isso que aconteceu,
Eu voltei a engordar outra vez,
Uma dor,
Não é?
Porque estou a engordar,
E cheguei aos 58 quilos,
E estive nos 58 quilos durante imenso tempo,
Isto é um peso extremamente baixo para mim,
Odiar-me constantemente,
Não é?
E sempre nesta luta interna de,
Quando eu tiver a imagem perfeita,
A minha vida vai-se resolver,
Sabes?
Eu sempre baseei muito o meu sucesso profissional,
A tua felicidade,
Tudo no fundo,
Àquele corpo perfeito.
Exatamente,
A minha felicidade,
Tudo,
Era tipo quando eu chegar a este corpo,
Quando eu puder desfilar na praia,
Ou seja,
Era tudo para os outros,
Sabes?
Não creio era por ti.
Ou seja,
No verão eu vou ter,
Vou comprar um biquinho espetacular,
Vou estar na praia para as pessoas verem o meu corpo perfeito,
E tudo isto,
Toda esta jornada sempre se baseia nos outros,
No que é que os outros esperam de mim.
E na verdade os outros não esperavam nada,
Eu é que achava que sim,
Não é?
Exatamente.
Entretanto,
Porquê que o meu momento de viragem foi de facto aos 30 anos?
Eu acho que foi bem em 2016 exatamente,
Depois foi quando eu te encontrei nas redes.
Então,
A viragem de 2015 para 2016,
Eu fiz uma resolução de ano novo.
E admirem,
Vou ser a pessoa mais fit de sempre este ano.
E eu jurei naquele ano que aquele ano ia ser o meu ano de maior mudança,
E que eu ia ser mesmo super fit e incrível.
Mas finalmente ter aquele corpo que sempre sonhaste,
Era o ano.
Era o ano,
Efetivamente foi,
Por outras razões,
Mas foi.
Então,
Eu comecei o ano super focada,
Eu tinha o meu apetite,
Os meus treinos,
E nessa altura eu comecei a fazer um plano alimentar,
Que não era passado por um nutricionista,
Era passado por aquelas pessoas que acompanham culturistas,
Que nem sequer são nutricionistas,
São pessoas que,
Sei lá,
Contam calorias.
E então,
Eu tinha um plano que basicamente era extremamente restrito,
Eu comia todos os dias a mesma coisa,
Todos os dias a mesma coisa.
E nessa altura eu comecei a partilhar a minha jornada no Instagram,
Porque tipo,
Não,
Eu agora vou inspirar as pessoas a tornarem-se fit.
E então,
Eu basicamente,
Eu treinava sete vezes por semana,
Treinos extremamente rígidos de musculação,
E depois tinha,
Tipo,
Muito cardio,
Eu lembro-me que tinha não sei quanto tempo de cardio em jejum,
Depois,
A seguir ao cardio em jejum,
Ainda tinha,
Tipo,
Um plano de treino,
E depois ainda ia trabalhar,
E a seguir ao trabalho,
Ainda ia para o ginásio outra vez.
Enfim,
A verdade é que,
Ao longo deste processo,
Isto foram,
Mais ou menos,
Praticamente quatro meses em que eu estive metida neste plano,
Eu calculava todas as calorias que eu comia,
E metia numa aplicação tudo,
Eu não comia nada que eu não pudesse saber o número exato de calorias que podia comer.
Para tu perceberes,
Eu cheguei ao ridículo de,
Não cheguei a comprar,
Graças a Deus,
Mas eu cheguei ao ridículo de pensar em comprar uma colher que tenha uma balança incorporada,
Para poder levar para os restaurantes,
De forma a conseguir calcular a comida que estava a comer,
Para meter na aplicação.
O que é que aconteceu,
No meio disto tudo?
É verdade,
Eu perdi,
Eu perdi muito peso.
E sequei,
Mais do que peso,
Porque na altura eu não precisava perder peso,
Eu tinha na minha cabeça que precisava de secar.
É verdade,
Eu sequei bastante,
E tive,
Provavelmente,
A barriga mais seca que alguma vez pude ter na minha vida.
E nessa altura eu tirava imensas fotos e punha no Instagram,
Elas ainda existem,
E eu ainda no outro dia estive a olhar para elas,
E de facto,
Se eu olhar para elas com atenção,
Eu percebo que os olhos estão realmente muito tristes.
E eu tirava fotos e punha no Instagram,
E as pessoas mandavam mensagens,
E diziam,
Uau,
Que barriga super.
.
.
Que sonho!
Sim,
Estás tão bem!
Corpo feito,
Como é que consegues,
Também quero!
Mas é uma motivação para mim,
E eu lembro-me particularmente de um momento em que eu tirei uma foto e publiquei,
Eu estava no ginásio,
E aquela sala em específico,
Quando eu tirava as fotos não havia aulas,
E portanto eu estava sempre sozinha.
E eu tirei foto,
Publiquei,
Meti o filtro perfeito,
Publiquei no Instagram,
Recebi comentários maravilhosos à minha barriga,
Assim que eu desliguei o telefone,
Eu comecei a chorar compulsivamente sozinha no ginásio,
Porque eu não me sentia assim.
E eu só dizia,
Mas como é que as pessoas não veem que esta barriga que é nojenta,
Que não é assim,
Como é que elas não conseguem ver que eu ainda não estou.
.
.
Porque é que elas me estão a dizer isto?
Estão-me a enganar!
Estão-me a ser falsas as pessoas que me estão a dar esta motivação,
Quando isto não é verdade,
Porque é que não me dizem a verdade,
Que é para eu melhorar?
Só que eu depois ganhei aquela coisa quase de validação do Instagram,
De,
Ok,
Eu tenho que publicar,
Era quase uma massagem ao ego,
E eu depois logo a seguir-me chicotear,
De não,
Mas eu não sou assim,
E era de facto,
Eu chorava imenso.
Eu lembro-me,
Agora há uns tempos atrás,
Quando eu estive a andar para trás no Instagram,
Eu vi lá,
Tenho uma foto em que tinha tipo,
Sei lá,
Um peixe e uns brócolis,
Eu comia aquilo todos os dias,
Pescada cozida com brócolis,
Todos os dias.
Então,
Sei lá,
A legenda é tipo,
Delicioso jantar,
Estou tão feliz,
Mais uma vez.
Eu lembro-me tão bem,
No dia inteiro,
Eu estava feliz e aqui.
.
.
Mas tu estavas o que estavas a comer.
Eu deitei a comida fora porque eu não a conseguia comer,
Porque eu estava exausta de comer aquilo,
Sabes?
O que é que começou a acontecer?
É óbvio que isto é uma relação extremamente disfuncional com a comida,
Quer dizer,
Isto começa a afetar tudo.
De repente,
As pessoas gostam de ti e dizem que,
Olha,
Vamos lanchar não sei onde,
E tu tens medo,
Tens medo de comer.
E eu,
De repente,
Tinha um medo terrível de me sentar à mesa,
Porque não podia calcular as calorias.
Sei lá,
Eu lembro-me de ir à casa da minha mãe e a minha mãe fazer,
Sei lá,
Um empadão,
Ou,
Eu adoro o leite creme da minha mãe,
A minha mãe faz assim um leite creme,
Que é assim,
Das poucas coisas doces,
Assim,
Que eu,
Assim,
Gosto mesmo,
Mesmo,
Mesmo muito.
Pai,
E só pensar,
Mas o que é que tu usaste no leite creme,
Mãe?
E a minha mãe,
Tipo,
Que estupidez.
Então,
Mas o que é que tu queres,
Queres a receita?
E eu,
Não,
Não,
Quero saber as quantidades.
Aí a minha mãe,
A pensar,
Tipo,
Tu estás louca,
Só porta-te,
Mas o que é que tu queres saber disso?
E eu,
Para pôr aqui na aplicação,
Porque eu não posso comer.
Pai,
Isto tornou-se completamente desfuncional,
Eu estava realmente muito triste,
Porque eu depois deixei,
Eu deixei de jantar fora,
Eu deixei de lanchar,
Com exceção,
Porque neste meu plano,
Eu supostamente tinha o dia,
Que eu odeio este nome,
Eu até já escrevi sobre isto,
Que é o dia lixo,
Ou a refeição lixo,
Ou o que é que é.
Só o facto de tu chamar-te a uma refeição.
Associar-te a comida a lixo,
Não é?
É assim,
Tu podes efetivamente dizer que há alimentos mais ricos nutricionalmente e alimentos menos ricos nutricionalmente.
E é uma escolha de todos nós,
Não é?
Comermos uma coisa e outra,
Porque não vai nenhum mal ao mundo,
Por exemplo,
O leite creme da minha mãe,
Que é incrível,
Estaria incluído nesta refeição lixo.
Quão ingrato é isto de catalogar algo que a minha mãe faz com tanto amor para mim,
De uma coisa lixo.
Exatamente.
Mas de facto era isso,
O leite creme ela só podia fazer naquele dia,
Porque era o dia que eu tinha para a refeição lixo.
E tudo isto,
Todas estas mensagens que tu vais dando ao teu cérebro,
Vão-te dizendo que,
Ok,
Eu agora estou a comer comida boa,
Eu agora estou a comer comida má.
E tu próprio estás a repetir.
Começas a rotular a comida como boa,
Como má.
Exatamente,
Portanto eu também sou boa,
Sou má,
Estou a comer bem,
Estou a comer mal,
Não falhei esta semana,
Neste dia falhei,
Estás sempre a punir constantemente,
Estás sempre a colocar em ti esta coisa da punição.
E então,
Basicamente,
É óbvio que ninguém vive assim muito tempo,
Eu comecei a ter compulsões alimentares muito graves.
E comecei a comer coisas que eu não comia mesmo.
Eu lembro-me que eu,
Na altura,
Eu já não comia carne.
E eu lembro-me de uma vez,
Eu estar no meu trabalho,
Eu sair do meu trabalho,
A meio do trabalho,
Fui ao café e fui comprar,
Tipo,
Pão com chouriço,
Aliás,
Dois pães com chouriço e comi aquilo às escondidas dos meus colegas,
Tipo,
Feita louca.
E depois,
De repente,
Comecei a pensar,
Tipo,
Que estupidez,
Eu já não como carne há muito tempo,
Porque é que eu estou a comer isto?
E,
De repente,
Foi.
Aí lembro-me que passou pela cabeça de vomitar,
Mas não vomitei porque eu tinha muita vergonha.
Mesmo quando eu tinha bulimia,
Eu não vomitava em espaços públicos,
Não é isso?
Porque eu tinha muita vergonha de ser apanhada.
Eu vomitava sempre em casa.
E então,
Comecei a ter compulsões muito graves.
Eu comprava porções de comida brutais nos supermercados e comia,
Comia,
Comia,
Comia,
E depois,
No dia a seguir,
Basicamente,
Ok.
Então,
Eu agora já consumia as macros da semana.
Então,
Sei lá,
Durante a semana andava a comer mal,
Muito mal,
E comia até de suplementos.
Enfim,
O que é que aconteceu aqui pelo meio?
Isto durou mais ou menos quatro meses.
Há uma segunda-feira que eu acordo para ir trabalhar e estou com uma dor de cabeça,
Uma dor muito forte na parte de trás da cabeça.
Pai,
Não liguei.
Pensei,
Tipo,
Ah,
Isto deve ser os óculos.
Tenho que ir ao oftalmogista e fui trabalhar.
Essa segunda-feira eu passei realmente muito mal.
Eu nunca tinha tido uma enxaqueca daquelas.
Depois,
Na terça-feira eu acordei e a enxaqueca continuou.
Eu dormi muito mal de segunda para terça.
A enxaqueca continuou.
Na quarta-feira,
Eu quis me levantar para ir trabalhar e não consegui.
Porque eu não conseguia sequer abrir os olhos.
Foi uma das piores dores que já tive na minha vida.
Eu estava sozinha em casa e o que é que eu pensei?
Bem,
Tenho que ir para o hospital.
Em vez de pedir ajuda a alguém,
Porque depois.
.
.
Ah,
Porque na minha cabeça é,
Eu vou pedir ajuda a alguém e as pessoas vão me dizer que eu estou assim porque estou a comer mal.
E eu não quero cá levar com esta gente a chatear-me porque eu estou no meu caminho para ser fitness.
Então,
Eu sozinha peguei no meu carro e fui até o hospital.
Foi um perigo.
Porque,
Tu não estás a perceber,
Eu estava a conduzir de óculos de sol e com os olhos sem encerrados.
Porque não conseguia abrir os olhos.
Eu entrei no hospital.
Eu disse o que é que estava a sentir.
Mandaram-me entrar imediatamente.
Porque achavam que eu estava com algum problema mesmo na cabeça,
AVC ou assim.
Fizeram uma série de análises.
E depois deixaram-me lá.
Eu estava com uma desidratação terrível.
Entretanto,
Eu tive uma médica que foi o wake-up final.
Porque basicamente as minhas análises mostraram que eu estava subnutrida.
Os meus rins estavam tão desfuncionais.
Eu estava com o assegure de uma pessoa de 60 anos.
Eu estava com quedas de ferro.
Tinha uma anemia brutal.
E basicamente as minhas análises renais estavam a apontar que eu estava.
.
.
Era quase como se eu estivesse no início de uma insuficiência renal.
De tão fracos que estavam os meus rins.
E então a médica entrou e ela foi.
.
.
Na altura aquilo foi muito bruto para mim.
Mas hoje em dia eu agradeço a forma como ela falou comigo.
E basicamente o que ela me disse foi.
.
.
Olha Vânia,
Tu tens 30 anos,
Portanto eu não vou falar contigo como se fosse uma criança.
Então é assim,
Se tu quiseres morrer,
Vais continuar exatamente a fazer o que estás a fazer.
Eu vou-te dar alta e vais à tua vida.
E eu não estou aqui para aturar pessoas com mania que querem emagrecer.
Se tu quiseres curar,
Eu vou-te deixar aqui 5 minutos sozinha.
Vais acabar no seguro.
E depois quando eu voltar não podes falar.
E foi assim embora.
Ela entrou nesse jeito e foi assim embora.
E eu de repente.
.
.
Aquilo bateu-me realmente de fome,
Sabes Inês?
Porque eu de repente pensei.
.
.
O que é que eu estou a fazer com a minha vida?
Sim,
Eu tenho 30 anos.
Eu estou sozinha.
Numa cama de hospital.
Ninguém sabe que eu estou aqui.
Eu podia ter.
.
.
Sei lá.
.
.
Eu podia estar aqui completamente inconsciente.
Porque tinha medo que as pessoas me falassem da gordura.
Eu podia ter tido um acidente e morrido no meio da estrada.
Por causa desta minha obsessão com o corpo.
E de repente aquilo tudo bateu-me.
E eu pensei.
.
.
Eu animei isto há 15 anos.
Mais de metade da minha vida.
.
.
Tendo em conta que eu tinha 30.
Mais de metade da minha vida foi passada a odiar-me.
Foi passada a tratar mal este corpo.
E mesmo assim ele está cá.
Ele continua cá,
Não sei como.
Mas ele continua cá.
Independentemente de toda a violência verbal e física que eu tenho provocado.
E de facto foi um momento de viragem muito grande.
Eu lembro-me que a doutora depois entrou.
E eu comecei a chorar.
Muito.
E eu comecei a pedir desculpa.
E ela dizia-me.
.
.
Estás a pedir desculpa a mim.
Estás a pedir desculpa a ti.
Porque eu sou uma médica muito humana.
Eu contanho tudo o que se passava na minha vida.
Eu já andava assim há muito tempo.
E de facto.
.
.
Ela na altura disse-me.
.
.
Por que é que tu não procuras ajuda nutricional?
Tu precisas mesmo de um acompanhamento nutricional.
Mas tu precisas também de um acompanhamento psicológico.
Tu precisas de tratar a tua cabeça.
Tinha de ser uma mudança total a todos os níveis.
Não é corpo,
Mente,
Alma.
Exatamente.
Não era só o corpo.
E depois.
.
.
Ao longo deste tempo eu percebi efetivamente isto.
O problema nunca esteve no corpo.
Nunca esteve no corpo.
O problema sempre esteve cá dentro.
Exatamente.
E então de facto.
.
.
Este foi sim o wake up call.
Te fez mudar tudo.
Sim.
Que de facto podia ter corrido muito mal.
Porque eu podia de facto.
.
.
Quando eu olho para trás eu penso.
.
.
Que responsabilidade.
Eu podia ter morrido na estrada.
Eu me lembro de ir a conduzir para lá.
Acabou por mudar a minha vida.
E eu saí do hospital.
Eu liguei à minha família.
E admiti.
.
.
Pela primeira vez.
.
.
Ao longo de todo este processo eu disse.
.
.
Eu preciso de ajuda.
Porque eu não consigo fazer isto sozinha.
E eu acho que este é assim.
.
.
Eu acho.
.
.
Daqui a bocado vais me perguntar algumas dicas.
Mas eu posso lhe dizer já esta.
Que é.
.
.
É muito importante admitirmos que não conseguimos fazer as coisas sozinhas.
Sim.
E não há vergonha nenhuma nisso.
Foi mesmo muito importante eu admitir que.
.
.
Eu preciso de ajuda.
Eu não consigo.
Eu já tentei e sozinha isto só dá disparate.
Portanto eu preciso mesmo,
Mesmo,
Mesmo.
Ajudem.
Dêem-me a mão.
Aliás não me dêem a mão.
Peguem-me o colo.
Tirem-me daqui.
Levem-me para o outro lado qualquer.
E aí sim eu comecei o meu processo de reeducação alimentar.
E o que fizeste neste momento?
Quais foram aquelas ferramentas?
Aquilo que começaste a implementar neste momento de mudança?
Sim.
Eu entretanto comecei com a reeducação alimentar.
Comecei também.
.
.
Fui seguida novamente por uma psicóloga.
Depois para além disso uma coisa que eu fiz imediatamente quando cheguei a casa foi eu mandei a balança fora.
Porque eu decidi que não queria regir mais por núcleos.
E que os números não me definiam.
Que os números não me definiam,
Exatamente.
Porque lá está.
Eu depois acabei por perceber isto que é,
Ok.
Eu já estive nos 50 quilos e não fui feliz.
Eu já estive nos 45 e não fui feliz.
Eu já estive nos 80 e não fui feliz.
Portanto não é uma questão de números.
Exatamente.
E já tinhas que ter um corpo supostamente perfeito para as fotos do Instagram e não eras feliz.
E não era feliz.
Era mentira.
Aquilo era uma personagem que existia para acariciar este meu ego que estava completamente perdido.
Era tudo mentira.
E então eu acabei por fazer isso.
Eu lembro-me perfeitamente eu cheguei a casa,
Eu peguei na balança meti a balança debaixo do braço desci as escadas do prédio e correi.
Cheguei ao caixote de lixo.
Eu atirei com a balança do caixote de lixo.
Porque em Lisboa existem umas coisas onde tu podes partir coisas para descarregar a energia.
Eu acho que foi aquilo.
Eu não quero mais isto na minha vida.
Eu quero que isto desapareça.
Eu já não quero mais pesa-lo.
Eu lembro-me também que eu apaguei a aplicação da contagem de calorias.
Não foi fácil tu mudares este mindset de repente.
Imagina,
Tu estás a seguir um plano alimentar não é?
E ao mesmo tempo teres uma liberdade à volta da comida.
Por exemplo,
Com o meu nutricionista lá está,
Eu tinha um plano,
Um guia porque eu precisava,
Não é?
Até por causa desta.
.
.
As minhas análises estavam terríveis.
Eu posso dizer que eu levei mais de dois anos para conseguir regularizar as minhas análises.
Para ter números saudáveis.
E mesmo assim ainda hoje em dia isto está diretamente ligado com tudo o que eu fiz ao longo destes anos ao meu corpo.
Eu hoje em dia tenho muitas quebras de ferro.
Não porque eu coma efetivamente pouca fonte de proteína Mas é uma consequência destes anos.
Sim,
Está diretamente ligado.
Eu tenho efetivamente muitas quebras de ferro por causa disto.
Foi uma consequência que eu tive,
Tal como por exemplo ter unhas muito fracas,
Até hoje elas não recuperaram.
O meu próprio cabelo,
Ainda hoje eu não consigo ter um cabelo,
Tal como tu tens,
Super comprido.
É para mim impensável.
Ele chega a partir de uma série.
Por mais que eu cuide dele,
Ele chega a partir de um certo comprimento,
Ele começa automaticamente a partir-se.
Eu posso meter todos os produtos que eu quiser ou então não,
Posso deixá-lo o mais natural possível.
Ele ficou danificado das constantes dietas.
O meu ciclo menstrual,
Eu também deixei de tomar a pílula depois nessa altura.
Eu posso dizer que hoje tive um animal sem menstruação.
Porque,
Claro,
Tomei muito tempo a pílula,
Mas também por causa de tudo o que eu tinha feito a nível alimentar.
Portanto,
Fisicamente tudo isto que eu fiz ao meu corpo,
Efetivamente afetou a minha saúde.
E mesmo assim,
Isto é algo que no último ano eu tenho muito vindo a trabalhar o agradecer-me que é agradecer ao meu corpo.
Porque,
De facto,
Eu quando começo a pensar em tudo o que eu fiz nos últimos 15 anos,
Eu penso bolas,
Tu és um guerreiro do caralho.
Exatamente.
Como é que tu aguentaste isto tudo?
Foi aprender realmente a amar o teu corpo,
Não é?
Todos esses passinhos e perceber o que é que tu fizeste por mim.
E tu tiveste sempre,
Sempre a proteger-me,
Independentemente de tudo o que eu te fiz,
Tu tiveste sempre lá para mim.
Exatamente.
E isso foi um ponto de viragem muito grande,
Foi começar não a olhar para mim nesta forma de só se eu for magra é que as pessoas vão gostar de mim ou vão me validar,
Mas quase a agradecer todos os dias este tempo que eu tenho por estar viva.
Porque eu quando começo a perceber a quantidade de vezes em que eu estive ali no limiar eu cheguei a questionar tirar a minha própria vida por causa de de dietas e manter o corpo perfeito.
Portanto,
Quando eu comecei a pôr isto tudo na balança sabe-se,
E eu comecei a usar muito o journaling,
Comecei a escrever muito mesmo,
Tudo que me ia na alma e eu tenho textos para que hoje em dia leio e eu choro porque eu percebo a dor que eu tinha.
Era muita dor adentro,
Sabe-se,
Que eu não conseguia falar e como eu tinha isto,
O journaling começou a entrar na minha vida com esta psicóloga porque lá está mais uma vez,
As pessoas perceberam.
Ok,
Ela tem muita facilidade em escrever.
É óbvio que eu estou aqui a falar contigo e está a ser maravilhoso,
Mas mesmo quando eu às vezes tenho que dar workshops ou assim,
Eu fico sempre muito nervosa de falar em público.
E então quando tenho que estar com uma pessoa só no consultório e asmiuçar sentimentos,
Eu tenho um bloqueio na minha voz.
Então as pessoas perceberam isso e disseram então escreve,
E depois trazes para a consulta.
E a escrita foi a nossa terapia para ti.
Exato,
E então eu escrevia coisas que ainda hoje eu leio e eu choro porque tu sentes mesmo que era muita dor,
Sabes,
Inês?
Eu lembro-me que eu tinha tanto pavor de comer,
Tanto medo de me sentar à mesa,
Tanto medo de nunca vir a ser feliz.
Eu tenho testes em carista,
Eu tinha mesmo medo de nunca vir a ser feliz.
E o que é que o journaling me permitiu?
Permitiu-me perceber,
Eu tive assim um grande insight num dos textos que escrevi,
Eu lembro-me que estava a escrever e a chorar e arriscar e escrevia e de repente eu percebi que ao longo destes 15 anos eu achava que o que eu procurava era ser feliz e o número perfeito e alcançar o número perfeito e o corpo perfeito,
Seja lá o que isso for,
Não é?
Quando na verdade eu percebi efetivamente que aquilo que eu mais queria era paz.
Era simplesmente ter paz,
Era não ter medo de comer,
Sabes?
De me olhar,
De não ter medo de me ver ao espelho,
De me ver verdadeiramente,
Sabes?
Porque depois disso tudo,
Eram camadas que eu usava para não me ver realmente,
Para não ver a verdadeira Dania,
Para não ver todo o potencial que existia aqui dentro de mim e que eu nunca acreditei,
Eu nunca acreditei que seria capaz,
Acho que algum dia na minha vida eu ia pensar que eu teria uma marca de cristais tão bem sucedida na minha vida achas que algum dia eu achei que eu era capaz de ser professora de yoga de ser terapeuta de tais,
De ter uma lata de cursos,
De ter um blog que é lido por imensa gente achas que alguma vez eu pensei que eu poderia estar aqui no teu podcast a falar para montes de gente Nunca!
Eu sempre achei que eu era a pessoa mais insignificante à face da Terra e que eu tinha vindo aqui para só estar e portanto este foi o meu refúgio entende-se?
E quando eu de facto percebi que eu usava a comida e usava a obsessão com a minha imagem para comatar esta insegurança pessoal que eu tinha em mim própria,
Isto não acabou para mudar.
Exatamente e quando começaste a trabalhar esse amor próprio,
Tudo na tua vida mudou ou seja,
Não foi um número não foi aquele número que te fez feliz mas foi realmente aprenderes a gostar de ti e usar as ferramentas no teu dia-a-dia para trabalhares isso Sim,
Foi e é um trabalho diário isto não é É para a vida,
Exatamente,
Eu refiro sempre isso,
Amor próprio,
É para a vida é algo que estamos a trabalhar para sempre Tu não chegas a um Ok,
Agora cheguei aqui ao patamar em que eu acordo e gosto muito todos os dias,
Não é assim o que eu aprendi ao longo destes anos e isto pode parecer um bocadinho básico mas a verdade é esta é tudo uma questão de escolhas percebes,
Tu tens sempre quando tu tens uma escolha menos boa,
Tu tens sempre uma escolha melhor tu tens esta capacidade para escolher e em fundo está tudo nas nossas mãos e temos que nos escolher todos os dias Exatamente,
E eu acho que acabou por ser isso que aconteceu e que acontece,
Porque ainda lá está,
Eu continuo a ter algumas crises de ansiedade felizmente já não são o que eram,
E continuo a ter algumas crises em que duvido-me seja não só do meu potencial como que disparado,
Como é que isto está a acontecer tudo,
Será que eu sou realmente mercedora disto tudo ou sei lá,
Por exemplo,
Eu lembro-me de uma das últimas vezes em que eu escrevi um texto em que eu disse que o meu maior medo neste momento não é de todo engordar nem é de todo não ter o corpo perfeito,
Quer dizer se eu for pensar na teoria de corpo perfeito eu já o tive,
Mas hoje em dia sou muito mais feliz muito mais feliz,
E não tenho a barriga,
Nem longe,
Nem de perto tenho a barriga que já tive mas sou muito mais feliz com o corpo que tenho hoje e então eu comecei a perceber que hoje em dia o meu maior medo é perder esta paz é perder este equilíbrio que me permite ok,
De vez em quando ter escolhas nutricionalmente menos boas mas encará-las como parte da vida percebes?
Exatamente,
Tudo faz parte nós temos um equilíbrio,
Ninguém está aqui para ser perfeito Exatamente,
Sei lá eu adoro beber ainda agora,
Porque aqui em Portugal está frio,
Não é?
Acordar e beber o meu curcuma látei,
Fazer as minhas panquecas Exatamente,
Por amor a ti ou seja,
Tudo coisas que estás hoje em dia a fazer por amor a ti,
Portanto todas as tuas escolhas hoje em dia são por amor ao teu corpo,
E isso mudou a tua vida,
Não é?
Portanto começares a agradecer ao teu corpo assim,
Aquelas ferramentas mesmo que utilizaste,
Foi mesmo gratidão,
Não é?
Todos os dias eu lembro que tu referis na academia e as meninas adoraram todos os dias agradeceres algo ao teu corpo Sim,
Sim,
Sim,
Isso é uma coisa que eu ainda hoje faço,
Sabes?
E faço uma coisa que é,
Por exemplo eu quando dou,
Seja quando eu dou aulas de yoga ou quando eu faço aulas de yoga eu no final,
Eu peço sempre às pessoas para agradecerem por qualquer coisa e eu própria faço isso,
Eu agradeço sempre e nos meus agradecimentos pessoais,
Uma das coisas que eu meto é sempre agradecer por qualquer coisa no meu corpo,
Sabes?
Obrigada por me teres permitido vir a esta aula obrigada por me teres permitido levantar da cama,
Obrigada por mais um dia em que eu estou saudável obrigada por ter conseguido lidar com esta constipação sabes?
Mesmo quando por exemplo,
Eu em Dezembro eu este ano estive assim uma gripe durante um mês e então mesmo nesses dias eu acordava e dizia,
Obrigada por estares a conseguir melhorar quando a constipação parou a gratidão é incrível damos mesmo a perspectiva de tudo ao invés de olharmos para nós e mas porque é que eu tenho estas pernas,
Porque é que eu tenho esta barriga obrigada por eu ter estas pernas para andar,
Para viver obrigada por ter esta energia para fazer aquilo que eu gosto para fazer exercício,
Não é?
Nós temos que estar tão gratos ao nosso templo por tudo o que ele faz por nós,
E isso muda a nossa perspectiva,
Portanto é incrível.
E imagina,
Sei lá hoje em dia,
Se eu for olhar atentamente para o meu corpo,
Eu tenho eu tenho celulite eu tenho estrias,
Porque quer dizer,
Eu tive 15 anos,
Ao estimar de peso faz tanto menos mas tudo faz parte,
Isso não nos define tal como os números não nos definem.
Mas isto é a minha história exatamente,
É a nossa história e não nos define e é isso mesmo,
E não me define o eu ter estria,
O eu ter celulite no rabo não me torna menos pessoa do que aquela mulher incrível que está a passear num biquini maravilhoso depois é isso,
Nós temos esta opção que existe das resoluções de ano novo e eu fazia muito isto,
Até ao verão depois nós temos muita mania de meter timings nas coisas,
E o que está de nós,
Não pode ter um timing,
Tem que ser uma coisa para sempre é uma coisa eterna.
Tu não podes definir tu não podes definir agora,
De repente eu vou comer muito tudo bem,
E você,
Super,
Só dá mal até junho até depois,
O que acontece?
Exatamente,
O amor é para sempre,
Não é?
É todos os dias,
É uma escolha diária exatamente,
E depois eu comecei a perceber,
Ao estar neste processo todo,
Que ok,
Eu quando tinha este tipo de resoluções de até junho eu vou estar bombástica era para os outros era para estar bombástica para os outros,
Para as fotografias e eu,
Alguém ainda está aqui com coisas que nós não gostemos que os outros,
Não fazemos coisas pelos outros,
Mas esta coisa de cuidar de nós,
Tem que ser realmente por nós,
Depois vêm os outros porque a verdade é que ninguém na praia está preocupado,
Ninguém quer saber tipo,
Eu tinha coisas de eu ir para a água,
Enrolada na toalha,
E depois deixava ainda chamava mais a atenção assim do que se eu me levantasse eu ia para a água,
Eu achava que basicamente o que acontecia era,
Que cada vez que a Vânia Gorda se vai levantar,
A praia toda a gente vai olhar lá vai a baleia a andar portanto,
Este era,
Lá está ah,
Outra coisa também que mudou muito,
E que eu acho muito importante é o teu diálogo contigo próprio sim,
A comunicação que tens contigo se tu te dizes constantemente eu sou fraca,
Eu sou gorda eu sou rugenta,
Tu interiorizes isto eu não consigo a tua mente interioriza que tu não tens esta capacidade que tu és aquilo e tu começaste a mudar todo esse diálogo contigo mesma,
E hoje no dia a dia é algo que continuas a fazer sempre que surge sim,
Eu falo muito comigo uma das coisas que eu aprendi também e tu falas muito nisto no termo um date para nós próprias,
Eu tinha muito medo de estar sozinha eu sempre tive muito medo de ficar sozinha eu lembro-me,
A minha mãe conta-me muito esta história,
Que eu muito pequenina e quando muito pequenina eu digo que devia ter pai de 2,
3 anos eu estava na estação de comboio com a minha mãe,
E eu virei-me para a minha mãe e disse,
Mãe,
Se tu morres agora com quem é que eu fico?
Portanto,
E a minha mãe acho que ficou tipo,
Oi?
Que pergunta é essa?
Porque eu era mesmo muito,
Muito pequena portanto,
Eu sempre tive muito medo de estar sozinha e sempre achei que precisava de estar com outras pessoas e rodeada de outras pessoas para me sentir suficiente e eu comecei a cultivar mesmo momentos de estar mesmo,
Mesmo,
Mesmo sozinha comigo,
Sabes?
Ir jantar comigo só,
Já fiz jantar várias vezes ao cinema,
Vou regularmente ao cinema sozinha,
Até ver o Joker 3 vezes a terceira vez já ninguém queria ir comigo,
Eu estava obsessada sozinha,
Claro não temos que estar à espera portanto,
Hoje em dia tens mesmo essa relação de amor contigo eu não preciso de ninguém para ir comigo ao cinema eu posso ir comigo sozinha,
Eu sou suficiente,
Portanto é uma série de coisas que temos que fazer diariamente e quando tu aprendes a estar de facto sozinha,
Tu aprendes a ouvir-te e aprendes a porque nós vivemos numa sociedade em que lá está,
Quando nós estamos neste dos números,
Nós estamos constantemente a ser avaliados por tudo,
Não é?
O teu desempenho no trabalho vale um número as tuas notas na escola,
O teu salário as redes sociais os seguidores de Facebook nós vivemos tanto nesta obsessão dos números e de estarmos sempre perfeitos e de termos a comunidade,
O maior número de seguidores possíveis,
O maior número de likes,
O sermos tão bem sucedidos no trabalho,
Ou seja,
Nós temos constantemente a colocar exigências em cima de nós e não celebramos as nossas vitórias e é quando tu de facto estás sozinha e te permites fazer esta análise,
Tu percebes epá,
Mas porque é que eu não posso pura e simplesmente desfrutar de tudo isto que eu já alcancei e está-se bem,
Eu mereço isto,
Não é?
E celebrarmos as nossas vitórias,
Em vez de estarmos sempre,
Mas eu ainda tenho que fazer isto mas eu ainda tenho que atingir isto,
Não eu já fiz isto e lá está,
A gratidão é fundamental nesse processo.
A gratidão é muito maravilhosa claro que lá está,
O acompanhamento nutricional foi muito poderoso.
É todo um conjunto de ferramentas não é?
Tu tiveste acompanhamento nutricional acompanhamento psicológico começaste a cuidar de ti por amor aprendeste a estar sozinha,
Começaste o journaling,
Começaste a agradecer a fazer yoga,
A fazer meditação é uma série de ferramentas e no fundo cada pessoa tem também que encontrar o que funciona para si não é?
Há todas estas ferramentas.
Imagina,
Tu tens pessoas que te podem dizer ai mas eu não me identifico nada com o yoga eu gosto de ir mandar uns socos no kickboxing então vai.
Exatamente,
Mas faz por amor a ti,
Não é?
Exato.
Faz aquilo que te faz sentir bem.
Exatamente.
Porque imagina eu quando estava no ginásio muitas,
Isto,
Eu agora vou dizer isto e se calhar 90% das mulheres vão se identificar,
Que é tu andas ali muito bem de segunda à sexta e depois chegas ao sábado e ao domingo e a tua alimentação é um verdadeiro desastre e depois na segunda-feira tu vais para o ginásio para te punires,
Não é?
Exatamente.
O ginásio é uma punição.
Exatamente.
E não,
O ginásio é para celebrarmos o nosso corpo o exercício é para celebrarmos o nosso corpo,
Ou seja,
Tudo o que nós fazemos tem que vir desse lugar de amor e só quando assim o fazemos é que nós transformamos esta relação que temos connosco.
E é um momento que tu tiras para ti,
No meio do caos que a nossa vida é,
Não é?
É um momento que tu escolhes cuidar de ti portanto,
Triste.
Não é só para o corpo é para a nossa mente.
Exato.
É tão bom.
E que triste é que é tu tiras esse momento para te punires em vez de celebrarmos não é?
Exatamente.
E isso também foi uma coisa que mudou,
Eu hoje em dia eu já não ando no ginásio mas tenho a minha prática de yoga seis vezes por semana e é mesmo um momento,
Eu faço isto porque de facto me faz bem a nível mental faz-me bem a nível físico mas nem por um momento é porque ontem à noite jantei com Isa jantei,
Jantei,
Jantei.
Exatamente.
E faz parte,
E a vida é mesmo isso ninguém é perfeito.
É incrível mesmo ouvir toda a tua história,
A tua jornada e perceber que é possível,
Não é?
Isto é realmente uma história real não é?
Por isso é que eu gosto sempre de te ouvir e gosto sempre que partilhes a tua a tua jornada,
Porque realmente é uma história real de uma pessoa que começou o amor próprio do zero não é?
E que durante 15 anos puniu o seu corpo e naquele momento tiveste o eco-epicólogo para perceber o que é que eu estou a fazer ao meu corpo à minha saúde e bora lá mudar tudo isto e é possível e hoje que conseguiste trabalhar esse amor próprio,
Essa confiança em ti,
Realmente atingiste a felicidade do trabalho que tu gostas os projetos que estás a colocar no mundo,
Tudo porque resolveste amar-te e não porque resolveste ter um número perfeito porque quando tu tiveste o número perfeito,
Tu não eras feliz,
Não é?
Sim,
Exatamente.
E hoje em dia,
Posso-te dizer que não me peso,
Há anos e não tenho balanço em casa não faço ideia quanto é que peso mesmo não estou a dizer isto a parecer bem é mesmo porque eu não me lembro da última vez que me usei Porque não te fio.
Não faço ideia Não me importante A roupa serve,
Está tudo bem Está saudável Mas não interessa Faz parte da vida A vida é mesmo assim Obrigada,
Minha querida,
Por todas estas partilhas.
Assim,
Para finalizar gostava que então deixasses para quem nos está a ouvir e se calhar está neste processo de olhar-se ao espelho e não gostar do que vê,
Criticar-se dizer mal de si,
Tem uma má relação com a comida,
Começa a usar a comida desta forma para controlar os pensamentos de uma forma compulsiva ou quer que seja alguém que está nesta jornada já falámos aqui de várias ferramentas,
Realmente,
Cada um de nós tem que encontrar o que funciona para nós é importante procurarmos acompanhamento é importante fazermos tudo isso,
Mas assim,
Como nota final,
Como dicas finais o que é que podias deixar para essas pessoas que estão neste momento,
Neste processo para começar a fazer já hoje A melhor decisão foi a que mais mudou é pedires ajuda e quando eu digo pedires ajuda,
Não é só a nutricionistas e psicólogos,
É mesmo falares abertamente com a tua família e explicares que tens um pouco que precisas de ajuda porque é muito este tipo de doenças é muito difícil poderes viver sozinho,
E eu vivi durante algum tempo a bulimia sozinha muito doloroso e de facto,
É muito difícil e dói muito viver isto sozinho portanto,
Pede ajuda mesmo se estás numa fase que não consegues mesmo lidar com isto sozinho,
Pede ajuda pede ajuda à tua família,
Pede ajuda a médicos,
Vai ao médico pede ajuda a nutricionista,
Pede ajuda a um psicólogo alguém que te inspire e depois lá está outra das dicas que acho que é muito importante depois acho que as pessoas entram nesta coisa de tem que estalar os dedos e não faço nada e de repente,
Não,
Agora vou começar a acordar todos os dias às 5 da manhã para fazer yoga todos os dias e depois isto não dura a partir de agora,
Vou beber só sumos verdes todos os dias,
E ok se o fizerem,
Mas se calhar gostas muito dos sumos verdes e gostas de outra coisa mas porque olha,
Por exemplo sabem que tu adoras os sumos verdes mas é uma coisa que funciona para ti imagina alguém que ah,
Eu detesto aquilo mas ela diz-me que lê boas,
Isso não faz sentido é também conseguir tirar,
Perceber que tu e outras pessoas ir buscar inspiração mas encontrar o que funciona para si,
E saber que é uma jornada que não é de um dia para o outro o amor próprio é mesmo a jornada para a vida nós já temos tantas obrigações na vida que este tipo de coisas tem que ser encaradas como bem-estar algo que nos dá prazer portanto,
Mais do que eu todos os dias tenho que fazer isto e isto não,
Se calhar não começas por todos os dias,
Começa duas vezes por semana e faz sentir bem como é óbvio,
Nós temos que fazer as coisas,
Às vezes é difícil mudar de hábito e temos que fazer,
Mas também fazer quando nos faz sentir bem exatamente,
E depois ouvir mesmo o nosso corpo não é porque toda a gente agora acorda de manhã e faz yoga,
Faz exercício ah,
Mas eu sou uma pessoa que gosto mais de fazer à noite então faz à noite,
Não gosto de acordar mais cedo e acho que é isto,
Hoje em dia as pessoas imputem-se tantas obrigações sabes,
De repente não faço nada agora vou fazer tudo,
Vou mudar tudo e é tudo ou nada e depois não dura exatamente tão bom obrigada minha querida por todas as dicas és mesmo uma verdadeira inspiração e eu tenho mesmo muito orgulho em ti e como disse no início é mesmo incrível ter acompanhado todo este processo,
Que é um processo que realmente não é de um dia para a noite e ver que hoje encontraste mesmo o teu amor próprio a tua confiança e que isso está a espalhar para o mundo como eu falo no Viva Tua Luz no meu livro,
Primeiro temos que nos apaixonar por nós,
Amar a nossa luz,
Nutrir a nossa luz e depois espalhar a nossa luz e tu neste momento estás mesmo a espalhar com projetos incríveis com os teus cristais maravilhosos temos que voltar também para fazermos um episódio só sobre cristais porque eu sei que vão adorar e realmente hoje tem todos estes projetos que estão a ajudar tantas pessoas e a inspirar tantas pessoas mas acima de tudo eu queria mesmo que neste primeiro episódio juntas,
Tu partilhasses esta tua jornada de vida,
Porque é incrível e tenho a certeza que vai ajudar muitas pessoas,
Inspirar muitas pessoas a perceber que é ok se estamos a passar por isto e que podemos mudar nós temos o poder de nos transformar de nos apaixonarmos por nós pelo nosso corpo,
Ter gratidão por este nosso templo maravilhoso que faz tudo por nós,
Que os números não nos definem,
Nada nos define não nos podemos comparar a outros corpos cada corpo é único,
Temos que amar o nosso amar a nossa vida e só assim podemos ser felizes e realizar os nossos sonhos sim,
É mesmo isso e lá fora nós não podemos mesmo comparar a nossa jornada com a jornada dos outros,
Nós não sabemos o processo dos outros,
E como eu expliquei eu publicava coisas no Instagram que não sentia portanto é mesmo seguir o nosso caminho e dar tempo dar tempo ao tempo porque uma coisa que eu gosto sempre de dizer e acho que é sempre bom para finalizar eu não fiz nada que ninguém consiga fazer eu não sou nenhum super-herói se tu fizeste todos conseguem qualquer pessoa consegue ao mesmo tempo que não nos devemos comparar,
Devemos também saber que todos somos iguais,
Se conseguimos todos conseguem e portanto tu és o verdadeiro exemplo disso obrigada minha querida és uma inspiração quem te quiser então acompanhar tens o teu site não é?
Vâniaduarte.
Pt onde partilhas muito tenho cristais da alma é o lugar para aprender tudo sobre cristais podem comprar cristais maravilhosos tens também cristais para amor próprio mas nós nesse episódio e depois vamos falar sobre todos esses temas e portanto no meu site encontram muitos textos sobre amor próprio yoga,
Thai Massage,
Todas estas áreas que agora me ajudaram e que fazem parte da minha vida exatamente obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada obrigada