
Progresso na Jornada Espiritual
by WCCMYoung
John Main chamava a prática da meditação de peregrinação rumo ao nosso coração. Peregrinação é viagem feita no poder do Espírito para algum lugar sagrado. E o lugar mais sagrado do mundo é o coração humano. Nossa prática espiritual pode ser comparada com um labirinto ou mandala, não é uma trajetória linear, mas sempre segue rumo ao nosso centro.
Transcrição
Olá,
Bem-vindo,
Bem-vindo aqui a Dynamo Aspina.
Vamos a mais um áudio do canal WCCM Young.
Hoje vamos falar sobre o progresso,
A viagem na jornada meditativa.
John Mayne chamava a prática da meditação de uma peregrinação,
Rumo ao nosso coração.
De uma peregrinação muitas passam diretamente para o coração.
Peregrinação é viagem feita no poder do espírito para algum lugar sagrado.
E o lugar mais sagrado do mundo é o coração humano.
Podemos viajar por aí sozinhos,
Porém nunca estamos sozinhos.
A solidão da meditação cura o nosso mais doloroso isolamento e revela que nos achamos em um relacionamento profundo e essencial.
É melhor pensar na viagem da meditação como se fosse uma espiral ou um labirinto,
Em vez de pensá-la como uma linha reta entre dois pontos.
É por isso que muitas tradições utilizam,
Por exemplo,
A mandala.
A mandala representa um símbolo universal da viagem espiritual.
Às vezes pode parecer que estamos dando voltas em círculos viciosos,
Não estamos saindo no lugar,
Mas na verdade nós estamos circulando e cada vez nos aproximando mais do nosso centro.
O labirinto do peregrino colocado sobre o piso da Catedral de Chartres,
Ele data do século 13.
Não sei se vocês já tiveram oportunidade,
Se conhecem esse labirinto,
Mas se vocês colocarem no Google labirinto do peregrino na Catedral de Chartres,
Vocês irão ver essa imagem.
E ele traça o caminho do começo até o centro.
Se você observar esse labirinto,
Você vai ter uma boa ideia da viagem que fazemos até o coração na meditação.
Por vezes nós experimentamos a frustração,
Outras vezes sentimos perdidos ou que estamos perdendo tempo,
Mas nós nunca estamos longe do centro.
A cada dia que nós caminhamos,
Por mais que esses sentimentos surjam de frustração,
De decepção,
Você chega ao ponto para o qual você nunca deixou de se dirigir durante todo o tempo da viagem,
Enquanto você se manteve no caminho certo.
Santa Catarina de Sena dizia,
Todo o caminho para o céu é céu,
Porque o céu é o caminho.
Um escritor cristão da igreja primitiva uma vez comparou o mistério de Deus a um círculo,
Cujo centro está em toda parte e cuja a circunferência não se acha em lugar nenhum.
Jesus comparou o espírito ao vento,
Que você não pode dizer de onde vem nem para onde vai,
Então você não pode medir o espiritual,
Assim sendo a gente não deve medir nem avaliar a nossa oração.
Jesus disse que sabia de onde veio e para onde ia,
A oração é uma jornada,
É uma viagem que conduz ao autoconhecimento.
À medida que gradativamente nos apegamos de nossa autocentralização no ego e do egoísmo,
Crescemos no conhecimento de quem nós realmente somos.
O verdadeiro ego é o valor mais precioso da vida,
Porque constitui o nosso ponto de encontro com Deus,
Onde somos um com Deus e assim somos um com todos.
A meditação é um processo ordinário para realizar isso,
Esse caminho,
Essa jornada,
Esse encontro com Deus.
Em toda viagem existem etapas,
Mesmo quando se trata de uma viagem espiritual e nós não podemos muitas vezes medir,
Mas vamos falar de algumas etapas dessa viagem,
Dessa jornada da meditação.
A primeira etapa seria a conversão,
A palavra conversão significa mudança de posição.
Quando começamos a meditar,
Podemos sentir o primeiro fervor de conversão.
A disciplina parece fácil,
Ficamos cheio de entusiasmo,
Como acontece nas primeiras etapas de um relacionamento amoroso.
Esse entusiasmo inicial,
Evidentemente,
Ele irá ser testado e ele precisa ser aprofundado em outro estágio de compromisso.
Depois nós temos um segundo momento,
Que é a escalada.
O prosseguimento,
Ele pode ficar ameaçado,
Porém,
Aprendendo a perseverar,
Aprenderemos também as profundezas dos mistérios de Deus e da nossa própria natureza.
Durante a nossa jornada espiritual,
Durante a nossa jornada meditativa,
Haverá tempos de turbulência em que os sentimentos ou as pensanças reprimidas podem surgir,
Aflorar,
Podem emergir na superfície da nossa consciência.
Esse fato é purificador e libertador,
Porém,
Também pode permanecer em um nível exclusivamente negativo.
Então,
Por isso que muitas vezes o apoio de outras pessoas nessa etapa da jornada pode ajudar muito.
Um grupo de meditação,
Um diretor espiritual,
Um terapeuta.
Depois nós temos um momento de ruptura.
Então,
Temos a conversão,
A escalada e a ruptura.
Ruptura,
Outras vezes,
Principalmente depois de uma prolongada fase de elevação,
Sentimos estar rompendo todas as resistências e penetrando em um mais profundo conhecimento e amor a Deus,
A nós mesmos e aos outros.
Experimentamos aí uma sensação de paz e de alegria que nos impregna.
É importante nós aceitarmos esses momentos,
Essas experiências,
Mas não podemos nos apropriar deles,
Repeti-los ou manipulá-los.
Graça significa dom.
Muitos desses momentos são momentos de graça.
E o dom,
Ele deixa de ser dom quando o agarramos para ficar conosco.
Então,
Exige um certo desapego.
E um outro ponto interessante na jornada e na viagem,
No progresso da nossa jornada espiritual,
É o que Laurence diz também dos pobres e espíritos.
Laurence diz que a grande qualidade que nós aprendemos a reverenciar enquanto percorremos essa viagem espiritual é a da pobreza.
Ele cita Mateus,
Bem-aventurados os pobres e espírito,
Pois deles é o reino de Deus.
Se considerarmos o mantra como o nosso caminho em busca da pobreza,
A viagem continuará sendo muito simples.
Simples,
Entretanto,
Não é a mesma coisa que fácil.
Pobreza significa desfazer-se,
Desapropriar-se continuamente de tudo.
Juliana de Norwich dizia,
Descrevia pobreza como uma questão de completa simplicidade,
Requerendo nada menos do que o despojamento de tudo.
O mantra,
Ele nos ajuda a pôr em prática o ensinamento de Jesus ao pedir que deixemos tudo para trás e que abandonemos todos os nossos bens.
Meditando dia após dia,
Perceberemos que o mantra vai,
Aos poucos,
Se organizando em nossos corações de uma maneira que nos capacita a viver a roda viva do trabalho diário,
Bem como do descanso,
Com uma percepção mais aguçada da presença de Deus.
Nossa vida toda se torna mais contemplativa,
Mais enraizada no momento presente,
Mais consciente e mais As etapas dessa viagem interior refletem-se no aprofundamento do mantra e na diminuição do esforço de repeti-lo.
No princípio,
No começo da nossa jornada com a meditação,
Nós dizemos o mantra em face de distrações que são quase constantes.
Em seguida,
Nós pronunciamos o mantra com menos esforço e sem ser interrompidos por tantas distrações.
Finalmente,
Depois de muitos anos de muita prática,
Nós escutamos o mantra plenamente,
De bom grado,
De tal ponto que nos leva a superar o poder de distração.
Então,
Na nossa jornada,
Na nossa viagem meditativa,
Primeiro nós dizemos o mantra,
Com menos esforço,
E depois nós começamos a pronunciar o mantra com menos esforço,
Até um ponto em que nós passamos a escutar o mantra.
É evidente que o mantra constitui disciplina e ele não é o fim em si mesmo,
Ele é um caminho para a pobreza de espírito.
O mantra,
Em si,
Não é o próprio reino.
Virá um tempo que escapa aos nossos olhos,
Conduzirá um silêncio absoluto,
Que vai além de si mesmo,
Rumo a uma unidade de oração pura.
Essa não é uma experiência que deva ser antecipada,
Imaginada,
Nem fabricada.
Quando você começa a perceber que está silencioso,
Deve simplesmente resumir isto repetindo o mantra.
Se você tomar consciência do silêncio,
Então,
De modo evidente,
Não estará plenamente silencioso,
Estará pensando e,
Assim sendo,
Deverá continuar com o mantra.
As normas e diretrizes funcionarão,
De fato,
Se você a seguir com verdadeira simplicidade.
Diga o mantra enquanto puder.
Não escolha um momento em que deve parar de repeti-lo e recomece a dizê-lo assim que perceber que você parou de fazê-lo.
Todas essas etapas da meditação são cíclicas,
Bem como progressivas.
Pisamos o mesmo chão inúmeras vezes até que o trabalho possa ser considerado já realizado.
O mais importante é recordarmos,
Quando pensamos em progresso,
É que somos,
Todos nós,
Sempre meros principiantes.
Seres conscientes do que existe com a capacidade de encher a vida de admiração e liberdade.
Os principiantes sabem melhor como devem agradecer.
Então,
Nessa jornada,
Seremos sempre principiantes.
Que a paz esteja com você!
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