21:20

Depilação Obrigatória nas Mulheres?

by Neuza Mariano

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4
Type
talks
Activity
Meditation
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Everyone
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40

Falamos da falta de liberdade que existe, sobre temas como a depilação feminina e masturbação. Espero com esta conversa que possamos ter mais liberdade connosco próprias. Sem sentimentos de culpa, por exemplo. Libertar as crenças que estão em nós próprias e no colectivo.

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Transcript

Olá a todos,

Sejam muito bem-vindos para o nosso podcast.

Eu fico mesmo muito contente que vocês gostem aqui desta rubrica e é sempre interessante porque acabamos por desbravar aqui alguns assuntos e acaba por ser bastante interessante esta troca que nós fazemos entre nós.

E então no seguimento do último podcast surgiram então algumas questões e eu fico sempre bastante contente quando vocês me pedem para debatermos aqui alguns temas e também para eu mostrar a minha perspectiva acerca de alguns assuntos e eu considero que esta troca acaba por ser bastante estimulante para que possamos também ver qual é que é o ponto de vista de outra pessoa sobre um determinado tema e eu considero que é bastante enriquecedor porque quando estamos a ouvir sempre opiniões muito parecidas à nossa eu julgo que acabamos por não conseguir desenvolver e criar também aqui um sentido de perspectiva porque estamos sempre a analisar as coisas do mesmo lado.

Portanto estes debates são muito importantes e eu adoro e fico muito contente quando vocês também gostam dos temas que eu trago por aqui e na maioria deles são mesmo sugestões vossas.

Então em primeiro lugar eu queria falar aqui de um tema que vocês sugeriram,

Todos eles foram sugeridos por vocês,

Portanto no podcast de hoje não há aqui nenhum tema que seja trazido por mim,

São todos sugestões vossas e eu fico muito contente quando assim é evidentemente.

Pois bem,

A primeira questão,

Que não é uma questão,

É para podermos debater um bocadinho acerca desta situação,

Que é a reivindicação do feminismo e a ferida masculina.

Bom,

Gostei bastante desta frase que efetivamente traduz um pouco aquilo que temos estado a viver e relativamente a este ponto,

Aquilo que eu gostava de dizer é que na minha perspectiva todas as questões relacionadas à mulher,

Ao longo destes últimos anos,

Décadas,

Séculos,

Basicamente,

Sei lá,

Desde muito cedo,

Só mesmo nas civilizações mais antigas,

É que havia uma adoração à mulher sem qualquer pudor,

Sem qualquer problema de efetivamente estarmos a adorar uma mulher,

Mas ao fim e ao cabo todos esses sinais foram abafados pelo tempo,

Em que efetivamente o lugar da mulher ficou cada vez mais reduzido,

Isto muito porque vivemos numa sociedade patriarcal,

Portanto esta situação acabou por fazer com que nós chegássemos aos dias de hoje onde existe um grande gap,

Um grande distanciamento entre aquilo que uma mulher pode fazer socialmente e um homem não,

A começar por o mundo do trabalho onde efetivamente duas pessoas,

Uma mulher e outro homem estão a desempenhar as mesmas funções e o homem ganha mais,

E também o corpo,

Se um homem mostrar uma milo não tem qualquer tipo de problema e se uma mulher mostrar uma milo já é estranho,

As pessoas já não gostam,

Sentem-se envergonhadas,

Sentem-se olhadas,

As pessoas olham e de facto não podemos comparar,

Não é a mesma coisa,

Porque infelizmente as mamas de uma mulher são muito sexualizadas e enfim,

Aquilo que eu posso dizer acerca deste tema é que de facto há um grande desequilíbrio entre o papel da mulher,

O lado feminino e o homem,

O masculino,

Todos nós temos os dois lados,

Temos o lado masculino e o lado feminino,

Mas vivemos ainda em tempos em que um homem que revela o seu lado feminino é considerado gay e uma mulher que demonstra o seu lado mais masculino também é considerada uma mulher máscula,

Enfim,

Há muito preconceito,

A sociedade tenta de facto colocar-nos todos em caixinhas que têm uma label,

Portanto uma etiqueta basicamente a dizer quem nós somos e nós acabamos também por crescer e muitos de nós acabam por tecer comentários super preconceituosos porque cresceram assim,

Se calhar o meio onde eles foram educados foi ao pé então de pessoas preconceituosas e as pessoas acabam efetivamente por adquirir aquilo que está em nosso redor.

Ainda há pouco tempo,

Eu até cheguei a comentar no Instagram,

Aquele chefe de cozinha que eu não me recordo do nome dele,

Mas que ele devia um programa que era terror na cozinha e um programa por acaso bastante engraçado e para quem não conhece o programa trata-se de um chefe de cozinha bastante conhecido da Europa de Leste,

Salvo erro,

Mas já está em Portugal há muitos anos e é um homem super masculo,

É um homem sem papas na língua,

Diz aquilo que pensa,

Às vezes chega a ser um pouco agressivo,

Eu adoro,

Gosto imenso dele e há pouco tempo ele admitiu que quando ele era mais novo ele chegou a ter a dúvida se efetivamente ele gostava de homens ou não e ele admitiu que para tirar as dúvidas ele decidiu experimentar e ter um relacionamento amoroso com outro homem.

Bom,

Depois disto um programa muito conhecido da televisão portuguesa que é basicamente uma tortulha da vida social portuguesa que é Passadeira Vermelha,

Eles então levaram este tema para ser debatido e toda a gente naquele estúdio teceu comentários bastante preconceituosos.

Eu de certa forma percebo que aquilo é o padrão da nossa sociedade,

É assim basicamente que as pessoas pensam,

Mas por outro lado acho que é muito grave porque são pessoas que têm um grande poder de influenciar massas e tem que ter muito cuidado porque eu acho que já estamos numa fase em que já não há espaço para este tipo de preconceito e então os comentários que eles disseram foram de veras preconceituosos,

Mas é aquele preconceito que eles nem dão conta que estão a ser preconceituosos,

Mas foram,

Porque a partir do momento em que estão a analisar esta situação como algo super estranho,

Como algo super desajustado,

Estão a considerar aquela situação pontual,

Que não é o normal e na minha opinião as coisas não funcionam assim e segundo Freud,

E eu concordo e há muita coisa de Freud que eu não concordo,

Mas por acaso nesta situação eu concordo que nós temos o nosso primeiro contacto mais íntimo,

Quando somos nomeadamente crianças de puberdade,

Com um membro do mesmo sexo e se assim for é super saudável e eu lembro-me perfeitamente de ter uma coleguinha na escola primária em que nós quase vivíamos uma relação amorosa porque andávamos de mão dada no recreio,

Nas férias do verão enviávamos postais uma à outra cheias de saudades e era aquela amiguinha onde eu me sentava lado ao lado na escola e na puberdade cheguei a ter um contacto mais íntimo com uma mulher e eu acho que isso é super normal,

Acontece e faz parte do bom crescimento porque enfim e confesso que fiquei até um bocado desiludida com esta perspectiva tão ultrapassada que estas pessoas efetivamente teceram acerca desta situação deste chefe de cozinha tão másculo que admitiu que tinha tido uma relação homossexual.

E então isto tudo para ilustrar que relativamente a esta frase que é a reivindicação do feminino e a ferida masculina eu acho que aquilo que nós precisamos todos é de ter aqui um equilíbrio tanto numa questão do coletivo como a nível individual portanto todos nós aceitarmos o nosso lado masculino e o nosso lado feminino porque é este equilíbrio que nos traz aqui um bem estar em todos os níveis e voltando agora ao chefe de cozinha devo admitir que sou um homem que está na casa dos 43,

45 anos,

Super másculo,

Que admite que teve uma relação homossexual quando era mais novo,

Tem que ser um homem muito bem resolvido com a sua sexualidade portanto eu adorei o facto de um homem que é conhecido socialmente por ser um homem bruto e super másculo ter feito esta afirmação,

Achei de extrema importância e efetivamente se eu estivesse sentada naquela tortulha era exatamente isso que eu comentaria para um pouco desmistificar esta situação toda em volta do masculino e do feminino.

Bom,

Continuando,

Gostei também muito deste tema que é para falarmos acerca da obrigação que a mulher tem de se depilar.

Bom,

Eu acho que nesta quarentena já todas percebemos que a maior parte das vezes que nós fazemos a depilação é mesmo para nos apresentarmos socialmente,

A questão nem tem a ver connosco e sim há uma obrigação,

Eu vou vos dar aqui o meu exemplo,

Eu sempre me depilei desde a minha adolescência e é algo que eu continuo a fazer,

Em todo o caso aqui na Tailândia eu reparei que as mulheres não depilam as pernas,

É raríssima a mulher que depila a perna e no início eu ficava super chocada e acabava por comentar,

A dizer ah já viste a perna daquela cheia de pelos e tudo mais e confesso que hoje em dia que não fez tanto tempo assim,

Não é?

Eu a primeira vez que estive aqui na Tailândia eu não fazia assim há tanto tempo assim e hoje em dia penso de uma forma completamente diferente.

Agora ultimamente tenho andado sem depilar a perna e eu aqui ando sempre com o calção muito curto ou com uma túnicazinha,

Portanto tenho sempre as pernas à mostra,

Mas eu aqui não sinto a obrigação social de me depilar,

Então devo ter andado cerca de um mês e tal sem depilar a perna e apesar de não ter muitos pelos,

Já tinha alguns e todos eles no seu tamanho normal,

Portanto compridos,

Porque já há muito tempo que não depilava e senti-me super ok de ir para a rua,

Porque nem pensava nisso,

Porque eu sei que ninguém vai reparar,

Porque é normal e quando me apeteceu efetivamente depilei-me e por acaso até foi ontem.

Tenho uma máquina que tira o pelo pela raiz e ontem disse ah não vou tirar e tirei,

Mas sem qualquer obrigação,

Eu quando estava em Portugal eu estava completamente atenta à minha depilação ao milímetro e efetivamente é uma obrigação que existe e acho que é um peso que nós não temos que carregar em cima,

Portanto hoje em dia eu mudei esta minha perspetiva e faço a depilação quando me apetece e tenho noção que se um dia eu estiver em Portugal com a depilação nas pernas por fazer,

Eu tenho perfeita noção que se calhar vão olhar para mim e vão pensar aquilo que eu pensei quando percebi que as tailandesas não faziam de todo a depilação nas pernas,

Mas eu não quero saber porque o que interessa é eu estar bem e eu não quero de forma alguma que esses olhares preconceituosos moldem a forma como eu lido com o meu corpo,

Portanto acho que é uma obrigação que devemos deitar para trás das costas e de facto é mesmo uma escravidão,

A mulher tem que andar sempre impecável com a depilação,

O cabelo,

Opá,

Não quero saber,

Não quero essa obrigação,

Não quero sentir essa pressão,

Claro que não será fácil se eu amanhã estiver em Portugal com a depilação por fazer,

Eu também não me vou sentir confortável porque eu sei o que é que os outros vão pensar,

Mas vou fazer um grande esforço para estar-me a borrifar para o que os outros pensam porque eu sei que é esse o caminho que eu quero percorrer.

Bom,

Outro tema que vocês também me pediram para falar é acerca da diminuição da líbido nas mulheres,

Portanto antes de mais gostaria de dizer que pode haver efetivamente aqui uma situação que requeira a procura de um profissional que efetivamente possa perceber de uma forma mais profunda o que é que se passa,

Porque de facto há patologias que estão relacionadas com isto,

Portanto nesse aspecto eu não tenho conhecimento algum,

Não sei como é que as coisas podem ser processadas,

Em todo o caso aquilo que eu posso dizer é que nós somos feitas de fases,

Então nós mulheres,

Nós a cada 28 dias passamos por 4 fases distintas,

Portanto é normal que,

Pelo menos em duas delas,

Que nós não estejamos com a líbido on point,

Portanto é super ok,

Está tudo bem,

Portanto não há problema nenhum nisso,

Está tudo ok,

Há alturas em que uma pessoa tem a líbido mais lá em cima,

Outras não,

Portanto são fases.

Em todo o caso,

Esta análise poderá ser feita numa questão mais mensal,

Vá,

A cada 28 dias nós temos ali 4 fases e se calhar apenas em duas,

Outras mulheres apenas em uma,

Na ovulação,

É que poderão ter a líbido mais lá em cima,

Algumas durante a menstruação,

Bom isto varia.

Em todo o caso,

Às vezes acontece,

Estou a falar das mulheres,

Mas eu acredito que os homens também,

Também acontece ao mesmo,

Que é,

Podemos estar imenso tempo com falta de líbido,

Isso não significa que haja de facto um problema,

Porque a líbido é uma energia de criação e esta energia de criação,

Nós podemos estar numa fase da nossa vida em que estamos a canalizar mais para outra coisa,

Pode ser um projeto pessoal,

Pode ser que estejamos numa altura em que estamos a planear e a arquitetar um projeto que futuramente vamos lançar,

Portanto e nós estamos a canalizar toda a nossa energia sexual criadora para aquilo,

Portanto acho que também poderá ser por aí.

Em todo o caso,

Voltando ao início,

Sei que há questões mais sérias que deverão ser analisadas por um profissional e eu acho que isto pode ter raízes várias,

Pode ser realmente alguma coisa a ver com o corpo físico,

Se calhar com alguma privação mais no foro íntimo,

Inconsciente,

Alguma crença limitante que nós possamos ter acerca do sexo,

Portanto cada caso tem que ser visto com o carinho que merece.

Agora de uma forma assim mais leve,

É aquilo que eu penso acerca da líbido da mulher.

Bom,

Outra questão,

A pedir uma efetivamente para falar também aqui um bocadinho sobre a violência doméstica,

É um tema complicado,

É um tema que magoa muitas pessoas e que acontece muito infelizmente nos dias de hoje.

Eu gostava de fazer aqui um parênteses porque nós às vezes temos a ideia,

Quando nós conhecemos uma mulher com personalidade,

Extrovertida,

Que sabe o que quer,

Que leva a sua vida avante,

Nós temos a ideia que este tipo de mulheres nunca vão ser vítimas de violência doméstica e eu gostava de dizer que não é bem assim,

Não é bem assim porque a verdade é que quando efetivamente nós temos um relacionamento com alguém potencialmente agressivo,

A maior parte das vezes nós só damos conta que estamos numa relação abusiva quando estamos dentro dela e às vezes numa altura que é demasiado tarde.

Juntar a esta situação,

Muitas das vezes quando uma mulher deste tipo se dá conta que está numa situação abusiva,

Ela já está fraca,

Ela já está fraca porque regra geral o agressor,

Uma das estratégias é isolá-la do mundo,

Criticando todas as pessoas com quem ela fala,

Com quem ela se dá,

Ninguém é bom na perspetiva destes agressores,

Portanto a vítima vai acabando por se iludar,

Por se isolar,

Desculpem,

Acabando por ficar muito mais vulnerável,

Portanto é muito complicado,

Não vamos pensar só que violência doméstica acontece apenas em mulheres frágeis,

Mulheres carentes,

Porque não acontece só esse tipo de mulheres,

Acontecem mulheres que nós nunca poderíamos pensar,

Porque efetivamente é algo muito,

Muito,

Como se costuma dizer,

O buraco é mais em baixo do que nós achamos,

Portanto é um tema que efetivamente devemos estar todos muito atentos,

Porque é muito silencioso,

É muito silencioso e deve ser muito complicado sair de uma relação destas,

Porque a pessoa acaba por ficar vulnerável em todos os aspectos e acaba por ser quase uma adição,

É uma adição,

Nós sabemos que aquilo nos faz mal mas nós continuamos ali,

Porque chega uma altura que a pessoa sente-se tão sozinha que até um agressor é uma boa companhia,

Quase como se fosse aqui o síndrome de Estocolmo,

Não é?

Acho que é assim o nome do síndrome.

Bem,

Para terminarmos o podcast de hoje,

Eu vou falar aqui de um tema que também foi sugerido por vós,

Isto no seguimento do nosso último podcast onde falámos de masturbação feminina e eu recebi imensos comentários de pessoas a pedirem-me para eu falar sobre masturbação dentro de uma relação,

Ou seja,

Eu tenho uma relação mas também faço masturbação.

Bom,

Eu gostava só de dizer que uma coisa é uma coisa,

Outra coisa é outra coisa,

Não quer dizer que por uma pessoa ter um relacionamento que parte-se masturbar,

São coisas completamente diferentes,

Portanto a masturbação tem a ver com a descoberta do nosso corpo,

Conosco próprios,

Não é?

É uma coisa super individual e nada pode substituir isso,

Como também nada pode substituir a incrível experiência que é ter um contacto físico com outra pessoa que nós estamos a gostar ou que estamos com uma certa química,

Portanto são coisas distintas e acho super importante as pessoas desmistificarem esta questão da masturbação,

Porque o que não é saudável é nós afastarmos a masturbação da nossa vida,

Porque como é que nós vamos saber o que é que nós gostamos e conhecer o nosso corpo se nem nós o conhecemos?

Portanto,

São coisas que não têm nada a ver uma com a outra,

Cada pessoa leva esta situação da sua sexualidade com outras e consigo própria à sua maneira,

Não há cá uma fórmula certa,

São coisas muito pessoais,

Mas é preciso de facto aliviar aqui o peso de falar destes temas porque não tem nada de pesado,

O pesado é o que nós pomos na nossa cabeça e os preconceitos que nós temos e as crenças que nós temos acerca destes assuntos e também muito por crescermos com pessoas que não falam sobre ela.

Portanto,

Vamos aliviar aqui o barco porque é super saudável falar sobre coisas naturais,

Portanto as coisas são assim,

São o que são e não vale a pena estar aqui e fingir que isto não existe ou é recalcar o assunto porque aí vai ser pior,

Aí vai ser pior,

Um assunto quando tem que falar ele mais tarde ou mais cedo,

Ele vem à tona,

As coisas têm que acontecer com certo fluxo,

Portanto está tudo ok,

Cada pessoa vive a sua sexualidade conforme achar que é interessante para ela ou não.

Mas gostava sempre de saber a vossa opinião,

Claro,

E também vou vos pedir se tiverem algum tema para nós debatermos então no próximo podcast,

Escrevam aqui nos comentários que assim teremos então temas para abordar no próximo.

Mais uma vez agradeço-vos do fundo do meu coração,

Obrigado por estarem desse lado e apoiarem esta rubrica que eu gosto tanto de fazer e fico contente por vocês estarem desse lado.

Um grande beijo e até ao próximo.

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