Quando o mar da tua vida em movimentos tiver revolto,
Para e respira suavemente.
E volta ao tempo em que ao vê-lo numa concha,
Ias de imediato pegar-lhe e entregavas-te plenamente ao momento.
Desfrutavas de um silêncio acolhedor e companheiro,
Só para escutares o mar.
E aí permanecias só entregue à quietude que te invadia de serenidade.
E quando por fim devolvias a concha a sua essência,
Já nada era igual.
A paz de espírito preenchia-te e fazia-te compreender que o mar não fica eternamente revolto,
Que há sempre um tempo de maré baixa que te permite avançar mais além pelo mar adentro,
Que há sempre um tempo de calmaria que te impela a caminhar junto ao mar e sentires a água refrescarte os pés e o vento tocar-te o rosto e cada pedaço da pele.
Que há sempre um tempo que te deixas embalar pela melodia das conchas,
Do som das ondas,
Enquanto contemplas o pôr-do-sol.
A paz de espírito invadia-te e fazia-te compreender que o mar não está sempre revolto,
Pois há sempre um tempo de vida nova.
Vivemos momentos de mar revolto e inquietude e lembramos este medo que nos tolha e nos traz incertezas e dúvidas,
Que por vezes nos dificulta a entrega aqui a tudo.
E há paz de espírito.
Peço-te que te entregues divinamente esta escuta sagrada,
Que é a nossa vida e que é o nosso mar e que nos permita ser o farol que nos guia a bom porto,
Que seja este alento sagrado que nos habita,
Que nos permita continuar a navegar juntos,
Que a certeza que nos traz a fé,
Aquela que nos impulsiona e que nos faz seguir além,
Com uma fé ainda mais viva,
Com mais esperança,
Aquela que transforma a nossa inquietude e confiança plena,
Que nos permita assim transformar as nossas incertezas na paz de espírito,
Pois navegando,
Confiante,
Contigo e sempre juntos,
Teremos a certeza que há sempre um tempo de vida nova.