Agora quero falar-lhe sobre alternativas à respiração como âncora.
Durante alguns dias continue a prática com a respiração como âncora.
Mas é importante que saiba que não é a única opção.
Como já referi,
Uma âncora é qualquer coisa que esteja presente aqui e agora.
Pode ser a respiração,
Ou sensações no corpo,
Sons,
Imagens,
Até palavras.
O importante não é o objeto,
É a função.
Ajudar a reunir a mente.
A respiração é muito usada nas práticas meditativas por uma razão simples,
Está sempre disponível,
Não precisa de ser criada,
Não depende de circunstâncias externas,
É um fio condutor de presença e é simples.
E já deve ter notado que simples não significa fácil.
A mente sai,
Destrai-se,
Vai-se embora.
A mim ajuda-me a saber que não preciso de estar com a respiração durante 10 minutos.
Na realidade,
O convite é estar só com esta respiração.
E depois a seguinte.
.
.
Não a anterior.
Não é o seguinte,
Só esta.
E depois este,
E é só isto.
Quando a atenção repousa na respiração sem forçar,
O corpo começa a responder.
O sistema nervoso pode regular-se.
O ramo parasimpático,
Associado à sensação de segurança,
Pode tornar-se mais acessível.
Isso pode significar menos urgência interna.
Mendes esclareceu.
Mais espaço antes de reagir.
Isto não é nada espiritual,
É fisiológico.
Mas há um ponto importante.
Não é para se regular à força.
Não é para usar a respiração como ferramenta de controle.
É para permitir que aconteça e surja o que surgir.
Respirar pode parecer banal.
Mas a vida é feita de coisas banais.
Comer,
Andar,
Sentar,
Respirar.
A prática não é tornar a respiração especial.
É dar vida.
É dar vida à vida.
Em vez de vivermos em piloto automático.
Mas há um alerta que eu quero deixar.
Se a respiração for desconfortável não é obrigatório usá-la.
Às vezes,
É apenas uma constipação.
Por vezes surge tensão,
Porque estamos a tentar controlar.
Neste caso,
A minha sugestão é lembrar de não controlar a respiração.
Deixar a respiração acontecer naturalmente.
Infelizmente,
Ela não precisa que façamos alguma coisa para que aconteça.
Há uns anos,
Num curso,
Um senhor dizia que ia passar a respirar todos os dias 10 minutos.
E todos nos rimos.
Mesmo assim,
Tensão pode surgir.
E quando isto acontece,
Eu prefiro,
Por exemplo,
Praticar deitada e colocar a mão no abdômen e sentir o movimento ali.
Extra à suavidade.
Por outro lado,
Há situações em que a respiração pode ativar algo mais profundo.
Sensações difíceis no corpo.
Memórias implícitas,
Se isto acontecer,
Não é para forçar.
Pode mudar de âncora.
Pode fazer um rastreio corporal.
E pode falar comigo,
Enviar-me uma mensagem.
É importante que não fique sozinho com algo que seja demasiado intenso.
E para lhe dar alternativas,
Vou de seguida introduzir uma prática com uma âncora diferente.
O movimento das mãos.
Muitas pessoas sentem que só conseguem estar presentes quando estão a fazer algo.
Esta prática parte daí.
Em vez de imobilidade,
Há movimento.
O movimento acontece e a atenção acompanha.
Isto ajuda a perceber que presença não é estar parado.
A estar consciente do que está a acontecer.
E esta capacidade pode depois ser levada para o dia-a-dia.
Abrir uma porta.
Lavar a loiça,
Presença e movimento.
Ao longo dos próximos dias,
Uso a respiração como âncora principal,
Mas experimento pelo menos uma vez a prática usando o movimento das mãos como âncora.
O importante é a qualidade da presença,
Não é o objeto escolhido.
Por agora é tudo.
Fique bem.