Bem-vindo ao podcast do Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Eu sou a Sofia Loureiro e sou a tua anfitriã na jornada de conhecimento deste traço de personalidade,
Para aprenderes a criar uma vida mais alinhada com a tua alta sensibilidade,
Onde harmonia,
Corpo e mente se unem num estado natural de serenidade.
Namastê e bem-vindos a mais um episódio do Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Neste episódio eu vou partilhar algumas das lições que eu aprendi na minha última caminhada pelos caminhos de Compostela.
De facto,
Desta vez foi entre Santiago de Compostela e Fisterra.
Na verdade,
O caminho chama-se caminho de Fisterra e não pertence,
No fundo,
Aos caminhos de Compostela,
Porque nós saímos de Compostela,
Ao contrário de todos os outros caminhos que o levam até Santiago de Compostela.
E a peregrinação é de Santiago de Compostela até Fisterra ou Finisterra.
Eu sou Sofia Loureiro,
Eu sou terapeuta natural,
Especializada em pessoas altamente sensíveis e guio pessoas altamente sensíveis a despertar o seu potencial máximo sem entrar em stress,
Através de ferramentas de saúde natural,
De mindfulness e de psicologia positiva.
Eu,
Como algumas pessoas já sabem,
Identifico-me,
Para além do traço de alta sensibilidade,
Também com o traço de buscadora de altas sensações.
Um buscador de altas sensações são aquelas pessoas que gostam de novidade na vida,
Aborrecem-se facilmente,
Precisam de novas experiências.
Se querem aprofundar como equilibrar o traço de alta sensibilidade com o traço de buscador de altas sensações,
Podem ver o episódio 10 do podcast O Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
E aí eu aprofundo o que é ser um buscador de altas sensações,
Que,
No fundo,
30% das pessoas altamente sensíveis identificam-se também com esse traço.
Isso leva-me realmente a eu gostar muito de ir fazer longas caminhadas e costumo então ir para os caminhos de Compostela.
Já fiz vários caminhos de Compostela,
Normalmente vou sozinha.
Levo a minha mochila e aí vou eu em mais uma aventura.
E realmente nessas aventuras acontecem sempre coisas muito especiais,
Nós costumamos dizer até que é a magia do caminho e há sempre muitas lições a aprender.
Aliás,
Há sempre muitas lições a aprender cada vez que saímos da nossa zona de conforto.
Portanto,
A primeira lição que eu vou falar foi a de que nem tudo é o que parece.
Numa das etapas em que eu cheguei à população de Santa Marina havia apenas um albergo peregrinos,
Onde eu já tinha feito uma reserva e eu fui ficar,
Fui a primeira pessoa.
Meteram-me num dormitório e passado uma hora,
Mais ou menos assim,
Chegou um homem que tinha uma aparência mesmo de pirata,
Com uma grande argola numa das orelhas e muito bronzeado e meteram-no também no mesmo dormitório que eu.
E já fiquei com o meu sistema de alerta todo ali acionado porque achava que não havia necessidade de estarem a meter no mesmo dormitório quando havia apenas só ali uma mulher,
Outro homem que eu nem sequer conhecia e todas estas coisas.
O engraçado é que depois,
Durante a tarde,
Eu acabei por estar a falar então com este pirata,
Entre aspas,
Como ele parecia,
E acabou aparecer uma pessoa que,
Passado um bocado não estarmos a falar,
Começou a abrir o seu coração.
Isto é muito normal nos caminhos de Compostela,
As pessoas,
Porque não se conhecem,
É mais fácil de abrir o coração umas às outras.
E então ele começou a contarem como era ele que cuidava,
Ele era de Madrid,
Era ele que cuidava dos pais dele,
Mas como ele próprio tinha um problema de álcool,
Depois os irmãos acabaram no pura festal dos pais,
Ele acabou por perder a casa dele e agora andava com a mochila de um lado para o outro pelos caminhos de Compostela,
Neste caso pelo caminho de Fisterra,
Ainda a procura um bocado de um rumo na sua vida.
Estava muito sentido de não poder contactar com os pais e todo o processo pelo que ele estava a passar.
E eu,
Durante esse tempo inteiro,
Tive a fazer com uma intenção consciente e exercitar a escuta recetiva,
Ou seja,
Dar apenas a minha presença e espaço para ele falar no que ele quisesse e abrir o seu coração sem eu ter que achar que tinha que resolver a situação,
O que acontece muitas vezes com as pessoas altamente sensíveis,
Com o nosso alto grau de empatia,
Achamos que nós temos que resolver as situações às pessoas.
Quando alguém começa a desabafar connosco,
Nós achamos que automaticamente temos que resolver.
E por vezes não é isso,
Aliás,
A maioria das vezes as pessoas querem ser ouvidas.
Então foi uma ótima ocasião de eu treinar realmente esta escuta recetiva e apenas abrir o meu espaço e o meu coração para escutá-lo.
O homem começou a falar e o que eu achei piada era que à medida que ele ia falando parecia que ia encontrando ele próprias soluções.
Já estava a pensar que o melhor era encontrar uma casinha no caminho,
Depois,
Se calhar,
Também faria um café para os peregrinos.
E de repente ele para e olha para mim e diz,
Mas como é que isto começou?
Como é que eu te abri o coração?
Porquê que esta conversa começou?
Eu disse,
Esta conversa apenas começou primeiro porque é normal entre peregrinos nós fazermos isto e depois porque eu abri o espaço para que isto acontecesse.
Ou seja,
Um homem que ao princípio eu pensava que era um pirata e até estava com medo de o terem metido no mesmo dormitório que eu e acabámos por ser realmente as únicas pessoas naquele dormitório,
Acabou por ser muito engraçado e acabou por ser o que eu acho provavelmente que era um homem altamente sensível e que estava à procura do seu caminho na vida como muitos de nós.
Portanto,
A primeira lição é que nem tudo é o que parece e realmente ele de pirata não tinha nada.
A segunda lição foi eu entrar em contacto com o meu medo e como eu consegui superar esta fase.
Portanto,
Como mulher e andando sozinha nos caminhos,
Nas longas caminhadas,
Como é evidente,
Nós por vezes somos assaltadas por ideias como se estivéssemos no meio de uma floresta ou de uma montanha sozinhas e somos assaltadas por vezes por aquela ideia do e se?
E se aparece aqui alguém que me quer fazer mal,
O que é que vai acontecer?
E se?
E se?
E estava eu neste rodopio a ser levada pelo medo quando de repente me vem à mente uma imagem que eu tinha visto há uns tempos atrás,
Era um desenho,
Portanto um nativo americano agarrar como se fosse uma trela de três cães com umas cabeças mesmo assim enormes como se fossem aqueles cães assim do inferno e realmente aí nesse posto que eu tinha visto dizia que nós não podíamos levar a vida inteira a fugir dos nossos demónios senão eles iriam nos perseguir para sempre e não podemos e temos que enfrentar a escuridão e que jamais então nos vamos libertar delas se estivermos sempre a correr em direção à luz.
Eu não sei como é esta imagem mas o que me apareceu foi precisamente só a imagem dos cães,
Os cães assim com um ar assim muito maníaco e que eu naquela altura identifiquei como sendo os meus medos,
Os meus medos que estavam dentro de mim e que estavam ali a ser um obstáculo à longa caminhada porque eu em vez de estar a apreciar toda aquela natureza espantosa que estava à minha volta naquela altura,
Que eu estava ali numa montanha entre florestas,
Eu em vez de estar a apreciar aquele momento em atenção plena e coração presente eu estava a ficar presa na teia do medo.
Então veio-me à ideia aquela imagem dos cães,
Daqueles cães muito ferozes e eu pensei espera aí,
Se o medo são estes cães ferozes,
Ele em vez de estar dentro de mim,
Que está aqui a atrapalhar-me,
O trabalho dele como medo e como sendo estes cães ferozes é soltá-los e libertá-los e eles irem aqui bater toda esta floresta à minha volta para me proteger porque isso é a função do medo,
É nos proteger.
E então fui instantaneamente,
Eu até ia de olhos abertos,
Eu nem sequer recheia os olhos e imaginei que o meu medo saía dentro de mim na forma daqueles cães e que aqueles cães iam bater a floresta toda à volta e eu disse se houver algum perigo,
Por favor venham e avisem.
E então parece que foi um modo de me relacionar com essa emoção do medo,
Eu não a ignorei,
Eu não a rejeitei,
Eu apenas me relacionei com ela,
Olhei nos olhos e depois nós transformamos em amigos.
É muitas vezes isto que é interessante fazer com as nossas emoções,
Realmente é nós aprendermos a nos relacionar com elas,
Tudo quanto nós vamos reprimindo na nossa vida,
Vai indo mais para o nosso subconsciente e acaba por evitar o nosso comportamento no dia a dia sem nós darmos por isso,
Porque estamos a reprimir as emoções,
Elas estão a crescer e a transformar-se em coisas cada vez,
Em obstáculos,
Em desafios cada vez maiores.
Portanto,
Aprender,
Termos estratégias para aprendermos a nos relacionar com as nossas emoções é muito interessante.
Portanto,
A primeira lição foi nem tudo é o que parece e a segunda lição foi esta grande lição de aprender a relacionar-me com as minhas emoções e fazê-las minhas amigas.
E isto é o que acontece muitas vezes,
Há certas emoções desafiantes,
Quanto mais desafiantes elas são,
Maior é o portal para a nossa libertação.
Portanto,
Os nossos desafios são muitas vezes,
Precisamente,
Os nossos portais para nos libertarmos.
Quer seja o medo,
Quer seja a ansiedade,
Quer seja a raiva,
Portanto nós aprendermos a lidar e a gerir as nossas emoções é muito importante para a nossa evolução.
A terceira lição aconteceu,
Portanto,
No dia a seguir e esta lição eu vou chamar de decisões abençoadas.
Portanto,
Eu cheguei ao albergue de peregrinos e vi que,
Nesse dia,
Já tinha passado por uma tempestade,
Durante a manhã,
E vi que,
Realmente,
No dia a seguir,
A tempestade ia seguir,
Mas depois ia parar por volta das 10h30,
11h da manhã.
Portanto,
Iria fazer um vento forte e chuva forte e esse era o meu último dia,
Era a minha última etapa,
Eu ia desde a população de Sé até Fisterra,
Até à vila de Fisterra,
Porque depois nós ainda temos o cabo de Fisterra,
Ou cabo de Finisterra,
Como quiserem chamar.
Fisterra acho que é em galego e Finisterra acho que é em castelhano.
Portanto,
Eu tive que tomar uma decisão e comecei a pensar,
Bom,
Eu saio logo de manhã e vou andar os 16km que me restam até à vila de Fisterra,
Debaixo de uma tempestade,
As primeiras duas horas,
Em que eu vou chegar encharcada à vila de Fisterra,
E eu aí tinha um autocarro,
Já comprado o bilhete para um autocarro,
Às 3h da tarde,
Para voltar a Santiago,
Portanto,
Eu ia chegar à vila de Fisterra,
Completamente encharcada,
Provavelmente sem tempo de ir da vila de Fisterra até ao cabo,
Que ainda são 3,
5km,
E de volta eram 7km,
E se calhar nem ia poder ir ao cabo de Fisterra,
Ia ficar encharcada,
Até apanhar a caminhonete até Santiago,
Com bestela,
E ainda ter que andar até ao hotel Alberto Peregrinos,
E só aí é que eu ia ter hipótese de trocar de roupa,
De tomar um banho e estar bem.
E havia outra hipótese,
E eu comecei a pensar noutra hipótese,
Então,
Qual é que é a outra hipótese que eu posso ter aqui?
E a outra hipótese que eu posso ter aqui é,
Eu já me tinha informado dos horários de autocarro que havia de ser até à vila de Fisterra,
E tinha visto que havia um autocarro às 10h da manhã,
E a tempestade ia durar precisamente até às 10h30,
11h da manhã,
Então eu pensei,
Ok,
Eu durmo,
A outra hipótese é,
Eu durmo até mais tarde,
Vou apanhar o autocarro das 10h da manhã,
Chego a Fisterra por volta das 10h30,
Um quarto para as 11h,
Espero que passe a tempestade,
E depois possa andar até ao cabo da vila de Fisterra,
Até ao cabo e voltar,
Que realmente é a parte,
Digamos,
Muito bonita para fazer,
E depois ainda tenho tempo de estar um bocadinho em Fisterra,
Às voltinhas,
Para depois voltar de autocarro para Santiago,
Com bestela,
E aí vou-me poupar,
Realmente não vou apanhar aquela tempestade,
Não vou sair completamente encharcada de Fisterra.
Ora bem,
A Sofia,
Se fosse há uns anos atrás,
Por exemplo,
A Sofia de 25 anos,
Teria decidido,
Como é evidente,
Sair logo de manhã,
Porque é isto que eu tenho de fazer,
É caminhada até Fisterra,
Chegaria completamente encharcada,
Teria de esperar até o autocarro vir,
Iria encharcada até Santiago com bestela,
E se calhar até apanhava uma constipação,
Sabe-se lá,
Nunca se sabe.
Mas a Sofia,
De 52 anos,
Decidiu ser bondosa para consigo,
Porque desde que iniciei a jornada da alta sensibilidade,
E cada vez mais a praticar com mindfulness e todo este tipo de ferramentas,
Uma das coisas que sobressai é nós aprendermos a ser bondosos para connosco,
E fazer decisões que são bondosas para connosco.
E então eu tomei a decisão que era bondosa para comigo,
Que era poupar-me ao temporal,
Que era apanhar o autocarro até Fisterra,
Às 10 da manhã,
E assim foi.
Muito engraçado foi que o autocarro a paragem era mesmo em frente a uma lavandaria automática daquelas que estão sempre abertas,
E então eu sentei-me simplesmente ali,
E num espaço de 10,
15 minutos,
A chuva tinha passado,
Eu andei até ao Cabo de Fisterra,
Fiz lá o meu piquenique,
Fiz a prece,
Porque isto era uma caminhada que eu tinha feito pela paz,
Amor e justiça no mundo para todos os seres vivos,
Portanto chegando ao Cabo de Fisterra fiz essa prece,
Apanhei umas beberinhas para dar aos meus amigos,
Voltei até à Vila de Fisterra e ainda reencontrei uma peregrina que eu tinha encontrado pelo caminho,
Ainda estive com ela numa esplanada,
Ainda falámos e depois voltei para Santiago de Compostela muito contente de ter feito uma decisão alinhada com a minha bondade e que fosse melhor para comigo.
O engraçado é que antes de eu sair do albergue havia um casal de espanhóis e havia um senhor holandês.
O senhor holandês tinha 71 anos e ele já tinha feito todos os caminhos e mais alguns,
Não só de Compostela como da Finlândia e da Suécia,
Era realmente um caminhante.
E depois tínhamos aquele casal de espanhóis e eu partilhei com eles os três essa mesma informação.
O temporal vai durar até mais ou menos às 10h30,
11h da manhã.
Eu o que vou fazer é apanhar o autocarro,
Vocês não sei o que é que querem fazer,
O senhor holandês espera de manhã e diz Eu vou seguir porque é assim que tem que ser.
E isto,
No fundo,
Era como eu me visualizava sendo a decisão da Sofia quando eu tinha 25 anos.
E lá foi ele-se embora.
Passado 10,
15 minutos,
Começa a cair aquele temporal enorme.
Eu pensei mesmo no senhor,
Mas pronto,
Isto foi a decisão que ele tinha tomado.
As outras pessoas que estavam lá,
Que era o casal espanhol,
Deram-se para mim e disseram,
Sofia,
Bom,
Mas se é assim,
O que nós vamos fazer é esperar realmente até às 10h,
10h30 e só andamos.
A partir dessa hora é que nós vamos começar a caminhar até Fisterra.
Porque eles não tinham como eu mover-te de autocarro para voltar para Santiago às 3h da tarde.
E assim foi.
O engraçado é que eu tinha trocado contactos com este casal espanhol e quando eu ia já dentro do autocarro para Santiago de Compostela,
Recebo uma mensagem por WhatsApp realmente a senhora a dizer foi muito acertado a decisão que nós fizemos.
Estamos a chegar a Fisterra e está sol.
Obrigada pela tua partilha.
Portanto,
Eles tinham feito a outra decisão e estavam muito contentes com isso.
Portanto,
Eu achei muito interessante estas opções que eu tinha para fazer.
Fui capaz de fazer uma decisão alinhada com a minha bondade e eu até fiquei sempre a pensar,
Eu tenho que partilhar isto depois num mundo das pessoas altamente sensíveis.
Portanto,
As grandes lições que eu aprendi nos caminhos de Compostela este ano,
Ou mais precisamente no caminho de Fisterra foi,
Primeiro,
Nem tudo é o que parece,
Não é?
Com aquele senhor que parecia um pirata e no fim eu até me parece que ele era um homem altamente sensível.
A segunda lição foi realmente relacionar-nos com os nossos medos que podem ser portais para a nossa libertação.
Ou seja,
Usar essas emoções a nosso favor foi o que aconteceu então com o medo.
Quando eu visualizei o medo que estava dentro de mim como uns cães,
Então se eram cães eles tinham que estar fora de mim e ir bater a floresta para me proteger e se houvesse alguma coisa que me voltassem e me avisassem.
Portanto,
Foi uma transformação que houve ali.
E a terceira foi esta de capacidade que nós temos de fazer decisões bondosas para connosco.
Isto é muito importante para as pessoas altamente sensíveis.
Nós somos muito exigentes para connosco e raramente pensamos realmente no nosso conforto,
No nosso bem-estar.
Estas foram as grandes três lições deste ano que eu tive nas minhas longas caminhadas.
Novamente,
Se quiseres aprofundar o que é um buscador de altas sensações,
Vai ao podcast número 10.
Um grande namastê pela tua atenção e até ao próximo episódio das Pessoas Altamente Sensíveis.
Bem-vindo ao podcast do Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Eu sou a Sofia Loureiro e sou a tua anfitriã na jornada de conhecimento deste traço de personalidade para aprenderes a criar uma vida mais alinhada com a tua alta sensibilidade,
Onde harmonia,
Corpo e mente se unem num estado natural de serenidade.