Bem-vindo ao podcast do Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Eu sou a Sophia Loureiro e sou a tua anfitriã na jornada de conhecimento deste traço de personalidade,
Para aprenderes a criar uma vida mais alinhada com a tua alta sensibilidade,
Onde harmonia,
Corpo e mente se unem num estado natural de serenidade.
Namastê e bem-vindos a mais um episódio do Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
E hoje vamos ter a oportunidade de ter mais uma rúbrica dos contos de cristal.
A rúbrica dos contos de cristal são episódios em que eu utilizo duas ferramentas muito interessantes,
Que é a biblioterapia,
Ou seja,
O uso de textos para fins terapêuticos,
E também o mindfulness,
Portanto,
Práticas de atenção plena.
Portanto,
Juntando estas duas ferramentas,
Nós vamos então trazer à consciência certos desafios que possamos estar a passar na nossa vida,
E que graças aos textos que são textos motivacionais,
Textos inspiradores,
Textos de mindfulness,
Vamos realmente conseguir trazer à consciência então estes desafios e,
Quiçá,
Também ajudar a superá-los.
Portanto,
Hoje o conto que eu vou partilhar é um conto tradicional zen,
E chama-se Sanjao e Ojo,
E eu vou passar então a ler.
Sanjao era uma jovem rapariga que vivia numa aldeia no norte da Índia,
E ela tinha um amigo chamado Ojo,
E desde sempre eles jogaram juntos,
Até que um dia o pai do Ojo disse um dia vocês darão um bom casamento.
Ao longo do tempo o seu amor foi crescendo e eles tornaram-se realmente muito próximos.
Sanjao era uma rapariga muito bonita e ela vinha daquelas famílias ricas em que tinha uma série de pretendentes.
Então,
Um dia o pai de Sanjao decidiu que ela iria casar com um jovem pretendente de uma aldeia vizinha,
E começou a planear toda a boda.
O pai de Sanjao chamou-a e informou-a que ela iria casar-se.
Sanjao ficou imediatamente muito triste.
E a palavra espalhou-se pela aldeia até que Ojo ouviu também que Sanjao iria casar-se e ficou de coração partido.
E então,
Nessa mesma noite,
Ele arrumou uma trouxa e fugiu até ao rio,
Onde agarrou numa canoa,
E quando ele estava prestes a deixar a aldeia para sempre,
Viu no luar uma sombra que se aproximava a correr.
E essa sombra era Sanjao,
E Sanjao gritou-lhe,
Eu não posso viver sem ti.
E assim,
Os dois meteram-se na canoa e remaram rio abaixo,
Até que um dia pararam num pedaço de terreno,
E foi aí que cresceram os seus filhos,
A sua família,
A sua casa.
E alguns anos passaram,
E um dia,
Ojo entrou na cozinha e viu Sanjao a chorar,
E perguntou-lhe porque é que ela estava a chorar.
Sanjao respondeu,
Tenho saudades da minha aldeia e tenho saudades do meu pai.
Nessa altura,
Ojo confessou que ele também tinha saudades da vida que eles tinham deixado para trás na aldeia.
E assim,
Decidiram os dois que iriam voltar rio acima,
Até à aldeia,
Com os seus filhos,
E pedir perdão ao pai de Sanjao,
E talvez assim,
Eles voltassem a ter e a ser uma família feliz.
E assim foi.
Sanjao,
Ojo e os dois filhos remaram o rio acima,
Até chegar à aldeia ao entardecer.
Ojo disse então que ele iria primeiro para falar com o pai de Sanjao e pedir-lhe perdão.
E assim foi.
Ojo saiu da canoa e andou colina acima.
Ao bater à porta,
O pai de Sanjao respondeu,
Quem é?
O que é que quer?
E ao abrir a porta e ver Ojo diante de si,
O pai disse que não o queria ver.
Mas Ojo respondeu,
Eu trouxe a sua filha de volta e os seus dois netos.
Por favor,
Perdones por nós termos fugido.
O pai olhou-lhe nos olhos com os olhos frios e disse a Ojo,
Não entendo o que é que estás a dizer,
Porque desde a noite em que tu fugiste,
A minha filha está lá em cima,
Doente e incapaz de falar.
Ojo respondeu,
Não,
Não é possível.
A tua filha está lá embaixo no rio,
Numa canoa,
Com os teus dois netos.
Acredita em mim.
E o pai disse,
Não,
Absolutamente não,
Sanjao está lá em cima,
No seu quarto.
E então,
No benefício da dúvida,
O pai de Sanjao enviou um servente que foi até ao rio e que voltou a gritar,
Sim,
É verdade,
Sanjao está na canoa com os teus dois netos.
E então,
O pai não entendeu e subiu as escadas e foi até ao quarto Sanjao,
Onde Sanjao estava na cama,
Deitada,
E o pai disse-lhe,
O Ojo está lá embaixo com uma outra Sanjao e com os teus dois filhos.
Nessa altura,
Os olhos de Sanjao abriram de uma maneira como não fazia há cinco anos e como se tivesse num sonho,
Levantou-se e caminhou até ao rio.
Ojo e o pai seguiram-na.
Ao chegar à canoa,
Sanjao encontrou a outra Sanjao e os dois filhos e as duas Sanjao abraçaram-se e tornaram-se uma e assim tornaram-se livres.
E assim tornaram-se livres e,
A partir daí,
A família ficou junta e feliz para sempre.
Portanto,
Isto é um conto tradicional zen e a primeira vez que eu li este conto tradicional zen no grupo de Mindfulness a que eu pertenço,
Realmente nós acabámos por falar e fazer uma reflexão sobre as várias camadas e interpretação desta história.
Esta história fala realmente destas partes por vezes que nós temos dissociadas de nós e que não aceitamos.
A Sanjao que tinha ficado deprimida na aldeia e a Sanjao que se tinha ido embora e só passaram a ser uma quando uma parte abraçou a outra.
Ou seja,
Quando só conseguimos ser completos quando nós abraçamos a totalidade do nosso ser.
E então aqui o tema é de novo a vulnerabilidade.
Portanto,
Um dos primeiros contos que eu partilhei nos Contos de Cristal foi a Mulher Esqueleto e a Mulher Esqueleto retratava exatamente o mesmo assunto e isto é um assunto que eu vou falar em mais episódios porque a vulnerabilidade e a aceitação das nossas emoções à autocompaixão é o que vai realmente ajudar-nos na nossa autoestima,
Na nossa autoconfiança,
A nós conseguirmos abraçar então estes desafios e estas emoções mais difíceis que nós temos,
Que quando nós estamos na nossa correria do nosso dia-a-dia ou quando nós negamos esta parte de nós,
Acabamos por não ser um e por dificilmente superar os desafios que vamos tendo.
Aliás,
Os desafios emocionais vão se tornando cada vez maiores quanto mais nós negamos estas partes de nós.
Eu acho que é muito interessante este conto,
O Zen,
Em que realmente nós temos estas duas partes,
Estas Sanjau,
Que apenas se tornaram uma quando se conseguiram abraçar e dar atenção e amor a ambas as partes.
Portanto,
Uma das coisas interessantes que nós podemos fazer para abraçar as diferentes partes de nós é realmente ter atenção plena às emoções pelas quais nós vamos passando,
Porque só ao ter atenção plena,
Ou seja,
Fazer mindfulness e aceitar estas emoções é que nós depois vamos conseguir então dar-lhes resposta e superá-las.
Por isso,
Hoje a prática de mindfulness que eu vou fazer é precisamente uma prática sobre as emoções,
Ok?
Portanto,
Atenção plena às emoções.
Vamos agora então,
Cada um,
Sentar-se confortavelmente e vamos fazer umas inspirações e expirações profundas.
Vamos inspirar durante 5 segundos e encher o peito de ar e expirar durante 5 segundos e libertar toda a atenção.
Inspirar,
Lente e profundamente,
Vamos encher o peito,
Os pulmões de ar e novamente libertar com a expiração todas as preocupações e dar oportunidade ao corpo e à mente de relaxarem.
E agora vamos trazer uma atenção relaxada à nossa primeira âncora,
O ritmo natural da respiração e a cada respiração vamos deixar a nossa mente acalmar e o nosso corpo relaxar.
E à medida que fazemos isto,
Vamos deixar as preocupações,
As tensões e estar no aqui e no agora com uma atitude de interesse,
De bondade e de curiosidade.
Vamos explorar o rio das emoções humanas e reconhecer o que está aqui.
Por vezes podemos ter vários sentimentos ao mesmo tempo,
Como alegria,
Tristeza,
Frustração,
Mágoa,
Contentamento e outras vezes vamos ter menos sentimentos.
Não importa,
Podemos estar simplesmente aborrecidos ou adormecidos ou quietos,
Isto também são sentimentos e com a atenção plena vamos simplesmente reconhecer cada sentimento e cada emoção que aparecer.
Não precisamos de mudar nada,
Nem deslugar nada,
Vamos deixar estar as emoções que aparecerem tal e como elas são.
Este é o rio das emoções humanas,
Vamos tratar cada convidado honradamente e ao reparar agora nos sentimentos deste momento presente,
Vamos também levar a nossa atenção às sensações no nosso corpo.
Quais é que são as sensações que os sentimentos e as emoções estão a provocar no nosso corpo?
Pode ser em diferentes partes do nosso corpo ou apenas numa parte do nosso corpo?
Onde é que os sentimentos vivem?
Quais é que são as sensações,
Momento a momento?
Aceita com curiosidade a vida que está a viver através de ti.
Podes perguntar-te o que é que está a acontecer dentro de mim agora?
E os sentimentos podem mudar de lugar ou ficar como estão,
Aumentar em intensidade ou diminuir,
Simplesmente nota o que está a acontecer e deixa estar.
A intenção não é parar o rio das emoções,
Mas apenas ter consciência delas e agora podes voltar a sentir a tua respiração calma,
Presente,
Com atenção e se de novo um sentimento forte surgir,
Volta a colocar atenção nele,
Voltando depois à respiração,
Quando esse sentimento deixa de ser predominante e assim estás a aprender a trazer uma atenção plena,
Um foco equilibrado às tuas emoções,
Aos teus sentimentos,
Deixando-os estar como são.
E sempre que necessário podes usar esta prática no teu dia-a-dia.
E agora cada um ao seu tempo,
Vamos fazer novamente três respirações profundas e quem fechou os olhos pode abrir os olhos e podemos até nos espreguiçar em atenção plena,
Sentindo cada movimento do nosso corpo.
Espero que tenham gostado desta partilha do Sanjau.
Eu gosto muito desta história e esta é a jornada de alta sensibilidade,
De aceitarmos e abraçarmos a nossa sensibilidade e a nossa vulnerabilidade que nos torna fortes.
Obrigada pela tua atenção plena,
Pelo teu coração presente e até o próximo episódio de Um Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Namastê.
Bem-vindo ao podcast de Um Mundo das Pessoas Altamente Sensíveis.
Eu sou Sofia Loureiro e sou a tua anfitriã na jornada de conhecimento,
Deste traço de personalidade,
Para aprenderes a criar uma vida mais alinhada com a tua alta sensibilidade,
Onde harmonia,
Corpo e mente se unem num estado natural de serenidade.