Todos nós fizemos coisas nas nossas vidas que lamentámos e onde experimentamos austeridade interiores em relação a nós próprios.
Esta prática convido-o que possa explorar uma área da vida onde há alguma dificuldade de aceitação em relação àquilo que fez.
Isso requer alguma coragem.
O que lhe surgiu é que escolha algo que sinta que,
Neste momento,
É relativamente simples para si a explorar.
Mais tarde poderá sentir espaço para explorar algo mais difícil,
Selecionando uma área da austeridade interior que se sinta capaz de explorar neste momento.
Pode ter feito ou dito algo que magoou alguém,
Ou evitou algo que deveria ter feito,
Pode ter desiludido um amigo,
Gritado sem razão com o seu filho,
Esquecido de dar os parabéns a alguém,
Negligenciado o seu animal de estimação,
Ou evitado de dizer a verdade ao seu parceiro,
Pode ter sido mal educado ou perdido uma oportunidade de ser gentil.
Algo que neste momento talvez o faça sentir vergonha,
Culpa ou remorso quando pensa nisso.
Escolhendo algo que neste momento é uma área de austeridade interior,
Algo que neste momento se sinta capaz de explorar.
Quando o tiver escolhido,
Aquilo que vai explorar nesta prática,
Pode começar por fazer uma pausa consciente,
Notando aquilo que faz parte da sua experiência neste momento,
E depois notando a respiração,
Permitindo que ela vá pouco a pouco abrandando,
Tornando-se mais profunda,
Até alcançar um ritmo respiratório tranquilo,
E lembrando-se que em qualquer momento de prática pode voltar a esta consciência do momento presente e a este ritmo respiratório tranquilo.
Pode também ser útil lembrar-se de se conectar com um companheiro compassivo,
Ou com a prática de incorporar a compaixão,
Quer agora no início da prática,
Quer em qualquer altura em que se encontre a rejudelar para um autojulgamento sobre-sever,
Começando então por olhar esta área de austeridade,
Explorando-a curiosamente como uma paisagem interior,
Quando se lembra desta situação o que há para descobrir,
Como é que o corpo se sente,
Que emoções emergem,
Que pensamentos,
Imagens,
Histórias surgem na mente,
Notando aquilo que surgir sem julgamento,
Conectando-se com a sua intenção de aliviar o sofrimento.
Enquanto a explora esta área de austeridade interior,
Deixe-se tocar por algumas perguntas,
Lembrando qual o impacto que tem no seu interior,
Não procurando forçar qualquer resposta,
Apenas estando com as perguntas e notando com curiosidade e abertura que reações e respostas surgem por si próprias,
Como surgiu e se desenvolveu esta austeridade interior,
Lembra-se onde e quando fez o que fez,
O que aconteceu nesta situação,
Fez o que fez de propósito,
Foi uma decisão consciente ou um impulso no calor do momento,
Será possível que estivesse em modo de ameaça ou de traído,
Impulsionado por uma reação ao stress ou por um velho padrão interno,
Recolheu as causas a partir das quais este comportamento surgiu,
Previa as consequências do que fez,
Repetiria tudo de novo com a sabedoria que tem agora,
Quantas pessoas imagina que fizeram algo semelhante,
Há alguma coisa útil que possa ter aprendido ou que possa aprender com esta situação?
Esta prática não tem como intenção desculpar erros ou comportamentos imprudentes,
É sim um convite para fazer as pazes com a pessoa vulnerável e imperfeita por detrás desse comportamento,
Os seres humanos não são perfeitos,
Tal como acontece consigo,
Todos nós fazemos coisas de que mais tarde nos arrependemos,
Muitas das vezes a nossa sabedoria está de férias,
Pode faltar-nos clareza,
Sentir-nos sobrecarregados ou cansados,
Podemos seguir emoções cegamente e agir por instinto,
Por medo,
Raiva ou ciúmes,
Esquecemos-nos de fazer uma pausa antes de agirmos e não prevemos as consequências do nosso comportamento,
Como é reconhecer as suas imperfeições e considerar fazer as pazes consigo mesma,
Experimentando como é proferir silenciosamente esta palavra,
Perdão,
Como seria perdoar-se,
Pode experimentá-lo dizendo por exemplo compreendo que o que fiz causou danos,
Estou disposta a aprender com isso,
Vejo que não me perdoar a mim mesma está a causar mais danos,
Assim sendo perdoa-me,
Consegue dizer isto de coração e recebê-lo,
Observando cuidadosamente o que acontece e lembrando,
Não há experiências erradas,
Talvez suavize a austeridade interior,
Talvez não,
Se as palavras que escolheu estão a ser recebidas,
Continuando a repetir suavemente,
Eu perdoa-me ou estou perdoada,
Se sentir resistência,
Pode ser que a palavra perdão não esteja a criar a conexão de que precisa para ouvir agora,
Talvez outras palavras,
Frases ou reflexões possam conectar-se melhor com as suas necessidades no momento,
Talvez faça mais sentido ligar-se a uma intenção de perdoar,
Talvez usando frases como que eu esteja aberta à possibilidade de me perdoar no futuro,
Ou desejo reconciliação,
Compreensão,
Conforto,
Paz,
Ou que eu possa me reconfortar com os meus erros,
Se outras pessoas ou seres sofreram com o que fez,
Um desejo uniforme a nós pode ser proferido,
Que possamos fazer as pazes,
Ou que possamos viver em harmonia,
E proferimos silenciosamente essas frases e palavras,
Talvez apoiando-as com um sorriso suave ou uma mão no coração,
Por vezes não há palavras adequadas,
Pode escolher praticar uma respiração reflexiva que não precisa de palavras,
Imaginando colocar a austeridade,
A dor ou a resistência à sua frente,
Inspirando-a e permitindo que ela se transforme numa energia branda e paciente,
E a inspirando esta energia branda e paciente,
Podendo se quiser acrescentar movimentos do braço e mãos que acompanham este receber da austeridade e este dar de uma energia branda e paciente,
Se durante a prática não sentiu muito espaço em torno do tema que explorou,
Poderá experimentar perdoar-se por isso,
E talvez apreciando que pelo menos começou a fazer este trabalho difícil,
Finalizando esta prática com um poema,
Escutando com o corpo,
A mente e o coração,
Na noite passada enquanto dormia sonhei,
Sonhei que tinha uma colmeia de abelhas dentro do meu coração,
E que as abelhas douradas faziam uma cera branca e um doce mel,
Uma cera branca e um doce mel a partir da minha velha amargura.