Já sabem,
Se quiserem,
Podem fechar os olhos,
Ou podem apenas baixar o olhar,
Deixando que o olhar repose sobre um ponto no chão,
Ligeiramente à sua frente,
E deixando que a atenção fique,
Nestes primeiros instantes,
Aberta a tudo aquilo que faz parte da sua experiência interna neste momento.
Deixando que a atenção note pensamentos,
Emoções ou sensações físicas que estão presentes,
Notando aquilo que surgir,
Sem tentar mudar nada,
Acolhendo tudo aquilo que bater à porta neste momento.
E quando quiser,
Ao seu ritmo,
Deixando agora que a atenção fique com as sensações físicas da respiração acontecer na zona da barriga,
Notando o movimento que acompanha cada inspiração e cada expiração,
E se notar que a atenção deixou de estar com a respiração,
Convide-a a voltar,
Deixando que repose sobre a zona da barriga,
Acompanhando as sensações físicas da respiração,
E quando se sentir preparada ao seu ritmo,
Começando a alargar,
A expandir o foco da atenção para além desta zona da barriga,
Até ter uma atenção que acolha o corpo como um todo.
Uma atenção ampla que acolhe a totalidade do corpo,
Aqui e agora.
Talvez indo mesmo para além do corpo e notando o espaço à volta do corpo,
Talvez acolhendo os sons que vêm desse espaço exterior,
Os sons que venham de dentro do corpo,
E deixando que a partir desta consciência do corpo neste momento,
E também do espaço à volta do corpo,
Este seja um momento em que possa contemplar alguma escolha que queira fazer nas próximas horas,
Ou nos próximos dias,
Que lhe permitam continuar a cuidar de si.
Talvez possa fazer algo que lhe dá prazer,
Ou algo que lhe traz algum sentido de satisfação ou realização,
Ou talvez apenas lembrar-se de trazer intencionalmente uma atenção curiosa e aberta para o que é que quer que faça durante o dia,
No momento em que o faz,
Escolhendo algo que lhe permita continuar a cuidar de si.
E nos momentos finais desta prática,
Deixando algumas palavras de Susumu Irayama,
Sentar em silêncio é colocar a casa em ordem.
Não na ordem que alguém disse ou que eu desejo,
Sim na ordem que ela é.
Sentar em silêncio é oferecer atenção a si mesmo,
Perceber-se,
Compreender-se,
Não apenas pelos sentidos ou pelo inteleco,
Sim por ser inteiro.
Sentar em silêncio é oferecer atenção à vida,
Percebê-la,
Compreendê-la,
Enxergar os seus sabores,
Armadilhas e saídas.
Sentar em silêncio é colocar a casa em ordem,
Encher-se,
Esverzear-se,
Libertar-se,
Deixá-la pronta para a plenitude de cada momento.