Meditação,
Acolho tudo o que sou.
Começa por encontrares uma postura confortável,
Permite-te o tempo que precisares para que ajustes esta postura,
De forma que nos próximos minutos te possas até esquecer do corpo.
Asegura que a coluna permanece erguida e relaxa toda e qualquer posição,
Desde a cabeça,
Traços do rosto,
Pescoço,
Ombros,
Tronco,
Anca,
Virilhas,
Pernas,
Joelhos,
Tornozelos.
Da cabeça aos pés,
Sente todo o teu corpo ao mesmo tempo,
Estável,
Firme,
Mas também leve e confortável.
À medida que ajustas o teu corpo,
Cultiva internamente uma sensação de chegada.
Cheguei.
Cheguei a este lugar de encontro comigo mesma,
Onde me propus estar e me permito inteiramente permanecer.
Abro internamente espaço para me acolher.
Acolho-me na minha própria presença.
Sou consciente da minha presença,
Para lá do corpo,
Para lá da mente.
Sou consciente de que respiro,
Mas liberto qualquer controle da respiração.
Sou consciente da minha presença e acolho-me.
Acolho-me por inteiro.
E ao mesmo tempo que me acolho,
Também me sinto acolhida.
Sinto-me a encontrar o colo que tantas vezes procuro e que nem sempre encontro.
O meu próprio colo.
O colo da própria vida,
Da existência.
Acolho-me.
O que posso fazer neste momento para me acolher um pouco mais.
Acolho-me com tudo o que sou.
Com tudo o que carrego.
Com tudo o que me fez chegar até aqui hoje.
Acolho-me nas minhas qualidades.
Aquelas de que me orgulho.
Na forma bela,
Como muitas vezes me veem.
E acolho-me também nos meus defeitos.
Naqueles que por vezes tento esconder.
E de que pouco me orgulho.
Nas minhas escolhas.
E acolho-me nas minhas indecisões.
Acolho-me nos dias bons.
E nos dias bons.
Acolho-me nos momentos de tristeza profunda.
Nos momentos em que me sinto perdido,
Perdida.
Acolho-me na minha dor.
E na dor que sinto pelas pessoas que também já magoei.
Acolho-me nos momentos em que me sinto insignificante.
Sem valor.
Acolho-me quando não tenho respostas.
Quando não sei o caminho.
Acolho-me nas memórias de rejeição.
E recordo-me que este é o meu colo.
Onde o amor começa.
Acolho-me quando sei que poderia ter feito melhor.
Mas não fui capaz.
Acolho-me quando estou cansada.
Quero largar as armas e parar a luta.
Acolho-me nos dias mais escuros.
Acolho-me quando um colo é tudo o que eu preciso.
Acolho-me nos momentos de alegria,
De celebração,
De conquistas.
Acolho-me nos momentos em que amo e sou amada.
Acolho-me a viver a alegria dos meus sonhos.
Acolho-me a viver a minha verdade.
Acolho-me nos sonhos que me guiam no caminho.
Acolho-me na minha luz.
Acolho-me tal como sou.
Tal como estou.
Acolho-me por inteiro.
Acolho-me e ao mesmo tempo que me acolho,
Sinto-me acolhida.
Sou o meu próprio colo.
A aceitação e o amor que procuro.
Não porque não tenho outro.
Mas porque escolho,
A cada momento,
Estar aqui para mim.
Tal como estaria para acolher e amar a pessoa que mais amo.
Acolho-me.
Tudo o que sou.
E não sou uma coisa ou outra.
Sou o todo.
Acolho-me e encontro a união em mim mesma.
Encontro o todo em mim.
E sinto este colo,
Que não é apenas o meu colo,
É o colo da vida,
Da existência,
Do universo,
Em união com o todo.
Acolho-me.
O que posso fazer eu,
Neste momento,
Para me acolher um pouco mais.
Inspiro e expiro,
Profundo.
Acolho e sinto-me acolhida.
Trago esta consciência de volta ao meu corpo e permito-me lentamente,
Bem lentamente,
Levar-me num abraço.
Abraço-me.
Abraço-me e acolho-me.
Acolho-me neste colo que tantas vezes procurei e que nem sempre o tive.
Encontro,
Neste colo,
Neste abraço,
O amor e a aceitação que procuro fora de mim.
Eu sou este amor.
Acolho-me por inteiro.
Eu desfruto deste abraço.
Acolho-me.
Acolho-me neste abraço.