Bem-vindo,
E senta-te de uma forma confortável,
Podes até deitar,
Se preferires,
Se optares por ficar sentado,
Podes encostar as tuas costas,
De forma a sentires-te mesmo no conforto,
Tendo ou não as pernas cruzadas,
Sentando-te ou não numa posição meditativa,
Ou então deitando-te no chão em shavasana,
Deixando as pernas esticadas,
Os pés tombados para o lado,
Deixando os braços também esticados ao longo do corpo,
Ligeiramente afastados do corpo,
E com as palmas das mãos voltadas para cima,
Se preferires podes dobrar um pouco os teus joelhos,
De forma a dar-te mais conforto à tua lombar,
E colocar as tuas mãos em cima do abdômen,
Tu decides para ti onde está o conforto,
Ajeitas-te,
Relaxas,
Fazes uma inspiração bem profunda,
Bem lenta,
Bem suave,
Ganhando um pouco de consciência,
Não só do teu corpo,
Mas também do ambiente à tua volta,
Ouvindo o silêncio,
Ouvindo também o teu silêncio interior,
Deixando que a mente esteja aqui,
Agora,
Que esteja focada na tua respiração,
E os pensamentos que possam surgir,
Deixa que eles entrem,
Passem,
Voem,
Não lhes dês atenção,
E volta novamente para a tua respiração,
E relaxas o teu corpo,
Ganhas consciência do momento presente,
Das sensações que percorrem o teu corpo,
E do fluxo de pensamentos na tua mente,
Tudo vai aquietando um pouco quando paras,
Quando ouves a tua respiração,
Quando sentes a tua respiração,
Quando visualizas o ar a entrar pelas narinas,
Frio,
Descendo pela tua garganta,
Entrando nos teus pulmões,
Sentindo o teu abdômen a estender,
As tuas costelas a afastarem,
O teu peito a subir,
E quando a expiras,
O peito baixa,
As costelas aproximam-se,
O abdômen recolhe,
E o ar é expirado pelo teu nariz,
Foca-te só nisso,
Por alguns segundos,
Somente na tua respiração,
E convido-te a ouvires um pequeno ensinamento,
Que poderás pôr em prática,
Durante esta semana,
Uma prática de mindfulness,
Uma prática de atenção plena,
Que na verdade não é mais do que transformar pequenas tarefas do dia-a-dia,
Em momentos de plena consciência,
Então a ideia é que faças algumas tarefas do teu dia-a-dia,
Com a tua mão não dominante,
Vou-te dar um exemplo,
Se costumas escovar os dentes com a tua mão direita,
Passas a fazê-lo com a tua mão esquerda,
Se costumas segurar os talheres com a tua mão direita,
Passas a fazê-lo com a tua mão esquerda,
Ou se costumas usar a tesoura com a tua mão esquerda,
Passas a fazê-lo com a tua mão direita,
Quem sabe até tentar escrever com a tua mão não dominante,
Na verdade,
Aquilo que vai acontecer é que vais ficar com uma mente de principiante,
Vais voltar a estar caseiro,
Vais ter que aprender a comer,
Aprender a segurar nos talheres ou nos pauzinhos e a ter muito cuidado em qualquer uma das tarefas que enumerei ainda agora.
Escovar os dentes com a mão contrária,
Aquela que habitualmente tu usas,
É um desafio,
Mas é um desafio bom,
Porque te leva a estar presente naquilo que tu fazes,
Porque a maior parte das vezes já o fazes de uma forma mecânica,
Já não te apercebes dos movimentos,
Da força e quando estás a lavar os dentes,
Normalmente estás com a cabeça no outro lado qualquer,
Então a ideia é trazer a nossa consciência para o momento presente e quando nós lhe trocamos as voltas,
Isso acontece.
Experimenta,
Colocas um papel na casa de banho para não te esqueceres algo impossível,
Que permita que tu te lembres de usar a outra mão,
Podes colocar um pequeno papel preso num anel,
Caso uses,
De forma a que quando olhes para esse papel,
Te relembres,
Ok,
Não posso usar esta mão,
Vou usar a outra.
Cria algumas estratégias no espaço onde moras ou no espaço onde habitualmente praticas a tarefa que vais mudar,
De forma a que te lembres,
Porque o grande desafio não é só passares a usar a tua mão não dominante,
É também lembrares de fazer a prática,
Então cria aí essas pequenas estratégias de forma a não te esqueceres e na verdade esta é uma tarefa que mostra bem como os hábitos estão muito presos já e a dificuldade que é nós alterarmos esses hábitos,
Este tipo de prática pode te ajudar a tornar mais flexível e a perceber que nunca é tarde para aprender truques novos,
Quanto mais tu usares a tua mão não dominante,
Mais ela vai aprendendo e se fizeres isto durante muito tempo,
O que vai acontecer é que não vais notar tanto a diferença entre a mão esquerda e a mão direita.
Quando nós desenvolvemos uma habilidade nova,
Percebemos que existem muitas outras habilidades apagadas dentro de nós,
Essa nova habilidade torna-te mais livre na tua vida e esta flexibilidade não é só uma flexibilidade física,
Como falávamos do uso da mão,
Mas é também um aumento de uma flexibilidade mental,
Porque tu abres-te para novas possibilidades.
O mestre Zen dizia que na mente do incipiente existem muitas possibilidades,
Mas na mente do especialista existem poucas e a prática da atenção plena permite-te retornar às possibilidades completamente ilimitadas,
Que vão surgindo extremamente de cada momento presente.
Então,
Para criar novas possibilidades na tua vida,
Vê a vida como se fosses um principiante,
Vê a vida como se cada tarefa do teu dia-a-dia fosse realmente algo novo que podes experimentar num momento presente.
E estando mais presente em cada movimento,
Em cada cheiro,
Em cada som,
Percebendo as cores,
Como se fosse a primeira vez que despertas para lavar os dentes ou para colocar-te o garfo na boca.
Então,
Leva contigo este exercício que podes fazer ao longo desta semana.
Não te esqueças de deixar algumas pequenas lembranças,
Seja um post-it,
Seja alguma coisa que fica num sítio contrário,
Do que tu te lembres e que tornes esta prática do uso da mão não-dominante uma disciplina ao longo desta semana.
E se quiseres,
Podes até criar um pequeno caderno onde podes escrever aquilo que sentiste,
Porque vais ver e vais sentir as alterações dentro de ti.
E é sempre bom acompanhar-se estas práticas com um pequeno diário.
Voltando à atenção novamente para o teu corpo,
Sentindo a tua respiração acontecer,
Lenta,
Suave,
Profunda.
Trazes as mãos em frente ao peito,
Deixando presente na tua mente e no teu coração a vontade de criares flexibilidade e novas possibilidades para a tua vida.
Até breve.
Adião.