Senta-te de uma forma confortável,
Numa posição meditativa,
Se quiseres,
Com as tuas pernas cruzadas,
Com as tuas costas direitas,
O topo da cabeça a apontar para o céu,
Deixando as tuas mãos simplesmente em cima das tuas coxas,
Com as palmas das mãos voltadas para cima,
Relaxando os teus ombros,
Ou então deita-te em shavasana,
Da barriga para cima,
Com as pernas esticadas,
Ligeiramente afastadas uma da outra e os pés tombados para o lado,
E deixas também os braços esticados ao longo do corpo,
Com as palmas das mãos voltadas para cima,
E também eles ligeiramente afastados do corpo.
Seja qual for a posição que vais escolher,
Que ela te traga conforto.
Se estiver sentado e sentires necessidade de te encostar,
Encosta-te,
Senta-te em uma cadeira,
Num sofá,
Mas encontra conforto.
E mesmo se estiveres deitado,
Se precisares,
Podes dobrar os joelhos para apoiares melhor a tua lombar,
Podes até colocar as pernas em cima de uma cadeira,
Em cima de um sofá,
Mas encontra conforto.
Mexe,
Altera e observa.
Observa o corpo,
Observa-se a tensões em alguma zona do corpo e respira para lá,
Deixando que a tensão libere-te.
E depois de encontrares o conforto,
Esquece as horas,
Volta-te para dentro e ganha consciência de como está a tua respiração,
Das sensações que percorrem o teu corpo e permanece aqui e agora,
Deixando o ar entrar pelas tuas narinas,
O ar que entra frio,
Descendo pela tua garganta,
Entrando nos pulmões,
Fazendo com que o teu abdômen encha,
Que as tuas costelas afastem,
Que o teu peito suba ligeiramente e na expiração,
O teu peito baixa,
As tuas costelas aproximam-se,
O teu abdômen recolhe e o ar já sai quente pelas tuas narinas.
Percebe que numa simples respiração,
Tu tens muito mais material para meditar.
Prende,
Foca na tua respiração,
Sem estar preocupado com alguns pensamentos que possam entrar na tua mente,
Deixa que eles passem,
Que andem,
Não lhes prestes atenção e volta de novo ao foco da tua respiração.
Sempre contando e volta de novo ao foco da tua respiração.
Sempre consciente daquilo que acontece no teu corpo,
A cada inspiração,
A cada expiração e ganhando consciência de que à medida que vais estando conectado com a tua respiração,
Com este vai e vem,
Que a tua mente acalma,
Que o teu corpo relaxa.
Então fica só aí por uns segundos,
Observando essa onda de inspiração e expiração.
E o convite da prática de hoje é para que não deixes vestígios,
É para que escolhas uma parte da tua casa e que durante uma semana não deixes vestígio de ter usado esse espaço,
Quer seja a cozinha ou a casa de banho,
Porque vão ser provavelmente os dois espaços mais desafiadores ao preparares uma refeição,
Ao tomares banho.
Então a ideia é que deixes o lugar completamente arrumado,
Sem nenhum vestígio de teres lá estado.
Deixa um lembrete no espaço que escolheres,
Coloca a indicação,
Não deixes vestígios.
É quase como se caminhasses na areia e o mar limpasse a tua passagem.
Então não deixas lá as tuas pegadas,
Não deixas nesse espaço as tuas dedadas.
E esta prática ensina-nos muito acerca da meditação,
Porque temos sempre uma desculpa para não fazer,
Para não praticar,
Porque temos uma vida louca,
Porque temos dias complicados,
Horários difíceis de encaixar.
Exatamente da mesma forma como na nossa vida,
Na nossa casa,
Nós deixamos algumas coisas por arrumar,
Porque temos sempre alguma prioridade em cima disso.
Então vamos silenciar a bagunça que é a nossa cabeça e vamos ser gratos por tudo aquilo que temos,
Olhando para o sabonete com gratidão,
Olhando para a comida e para os utensílios que usamos para fazer essa comida com gratidão.
E este sentimento de satisfação,
De olharmos para tudo com gratidão,
De colocarmos tudo no seu devido lugar,
Pode ser visto também como um desejo de ir embora deste mundo,
Mas deixando sempre um pouco melhor.
Então,
Idealmente,
Que os nossos únicos vestígios sejam a maneira como amamos,
Como inspiramos,
Como ensinamos ou como servimos os outros.
E no futuro é isso que terá efeito mais positivo nas pessoas.
Então deixa a divisão da casa que tu escolheste melhor do que aquilo que ela estava antes de tu teres lá entrado.
Não deixes vestígios da tua passagem e se deixares que sejam vestígios de amor,
De inspiração,
De ensinamento ou de gratidão por teres a possibilidade de teres um sabonete,
Um prato,
Uma almofada.
Então olha para o espaço,
Para todos os utensílios com mente de principiante e com gratidão,
Colocando-os exatamente no sítio onde eles tinham de estar,
Quase como pegando-os e agradecendo-os por eles te permitirem lavar o corpo,
Comer,
Dormir,
Escrever.
Há tantas práticas ao longo do dia,
Nos vários espaços da tua casa.
Podes sempre escrever aquilo que vais sentindo num diário,
Apontando as sensações que vão percorrendo o teu corpo e a tua mente.
O diário no final vai ser algo bem palpável para tu entenderes e teres mesmo perceção daquilo que a prática te dá.
Não sendo um produto físico aquilo que tu constróis,
É algo que vai realmente trazer muito mais liberdade à tua vida.
Então volta a trazer à tua mente a tranquilidade da tua respiração,
Fazendo uma inspiração bem profunda,
Longa,
Lenta,
Trazendo as mãos em prana mudrá,
Em frente ao peito,
Sentindo as tuas mãos,
O teu corpo,
A tua respiração.
Sorri!
Para mais uma semana de prática que começa.
Até breve!
Harium!