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Alma Perdida - História Para Dormir

by Mónica Magalhães

Rated
4.7
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Activity
Meditation
Suitable for
Everyone
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2.1k

Há quanto tempo não te contam uma história? Aqui leio-te o pequeno livro "A Alma Perdida" e aproveito no fim para fazer uma pequena visualização criativa para que possas interiorizar a moral que está impregnada nesta história.

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Transcript

Bem-vindo ano de 2021.

Bem-vindo à saúde.

Bem-vindo à paz.

E que essa paz seja a paz do teu coração.

Bem-vindo o amor,

Os abraços,

Os sorrisos.

Aceitamos isso bem dentro dos nossos corações.

Deixa que este momento seja um momento confortável para ti.

Se até apetecer deitar,

Deita-te.

Se preferires estar com as costas encostadas a algum lado,

Encosta-te.

Se preferires ouvir isto simplesmente deitado antes de ir dormir,

Está perfeito.

Desde que mantenhas essa consciência para a mensagem.

Então fecha os olhos,

Se é que os abriste.

E simplesmente,

Ouve a história da alma perdida.

Há quanto tempo é que não te contam uma história?

Ou há quanto tempo tu não contas uma história a alguém?

Então começamos o ano assim,

Desta forma bonita,

Porque contar histórias deve ser mesmo das coisas mais bonitas que há.

Bem como ouvir histórias.

Era uma vez um homem que trabalhava muito e depressa.

E que há bastante tempo deixara a sua alma a louros longe de si.

Sem ele vivia até muito bem.

Dormia,

Comia,

Trabalhava,

Conduzia o automóvel e até jogava tênis.

Às vezes,

Porém,

Tinha a impressão de que em seu redor tudo era plano.

Parecia-lhe que se deslocava sobre uma folha lisa de papel de um caderno de matemática.

Folha essa toda ela coberta de quadrados iguaizinhos.

Certa vez,

Durante uma das suas inúmeras viagens,

Estava o homem no seu quarto de hotel quando acordou a meio da noite e sentiu dificuldade em respirar.

Espreitou pela janela,

Mas não sabia muito bem em que cidade se encontrava.

Tanto mais que,

Vistas das janelas dos hotéis,

Todas as cidades pareciam iguais.

Também não sabia muito bem como é que ali fora parar ou por que motivo se encontrava e,

Infelizmente,

Também se tinha esquecido do seu nome.

Era um sentimento estranho porque não fazia ideia de como havia de se dirigir a si próprio e assim se remeteu pura e simplesmente ao silêncio.

Durante toda a manhã não dirigiu qualquer palavra a si próprio,

O que o fez sentir-se verdadeiramente como se no interior do seu corpo já não houvesse ninguém.

E quando se pôs diante do espelho da casa de banho,

Viu-se a si mesmo como uma sombra deslavada.

Por instantes,

Pareceu-lhe que se chamava Andrés,

Mas logo a seguir teve a certeza de que se chamava Mária.

Mas,

Por fim,

Aterrorizado,

Encontrou o passaporto no fundo da mala de viagem e viu que se chamava Jan.

No dia seguinte,

Foi ter encontrada a médica,

Que era velha e sábia,

E esta dirigiu-lhe as seguintes palavras.

Ah,

Se alguém pudesse olhar para nós lá do alto,

Veria que o mundo está repleto de pessoas que correm apressadas,

Transpiradas e muito cansadas,

E que atrás delas correm,

Bem atrasadas,

As suas almas perdidas e incapazes de acompanhar o passo dos donos.

E daqui resulta uma grande confusão.

As almas perdem a cabeça e as pessoas deixam de ter coração.

As almas sabem que perderam o dono,

Mas as pessoas frequentemente não se dão conta de que perderam a alma.

Jan ficou muito perturbado com este diagnóstico.

Mas como isso é possível?

Será que eu também perdi a minha alma?

Perguntou.

E a médica respondeu.

Tal acontece porque a velocidade de deslocação das almas é muito inferior à dos corpos.

É que as almas surgiram em tempos muitíssimo remotos,

Logo após a grande expansão,

Quando o cosmos ainda não estava muito acelerado e,

Portanto,

Continuava a poder olhar-se ao espelho.

O senhor tem de encontrar um lugar onde se sinta bem,

Sentar-se aí tranquilamente e aguardar pela sua alma.

Certamente ela estará agora onde o senhor esteve há dois ou três anos.

Por isso a espera pode demorar um pouco,

Mas não vejo outro remédio para o seu caso.

E foi precisamente o que fez o homem chamado Jan.

Encontrou uma casinha nos arredores da cidade e todos os dias aí se sentava na cadeira à espera.

Nada mais fazia.

Tal durou muitos dias,

Semanas e meses.

O cabelo de Jan cresceu muito e a barba essa chegou-lhe à cintura.

Até que certa tarde alguém bateu à porta.

Era a sua alma morrida,

Cansada,

Suja e arranhada.

— Ai,

Finalmente!

— exclamou ela ofegante.

E desde então viveram felizes para sempre.

E Jan passou a ter muito cuidado para não fazer nada demasiado depressa,

De modo que a sua alma conseguisse acompanhá-lo.

E fez ainda outra coisa.

Enterrou no quintal todos os seus relógios e malas de viagem.

E dos relógios cresceram belas flores,

Semelhantes a campânulas de várias cores.

E por sua vez,

As malas de viagem geraram enormes abóboras que alimentaram Jan ao longo de todos os tranquilos invernos que se seguiram.

Era uma vez um que vivia tão apressado que sem dar por isso perdeu a alma.

Continuava a andar,

A dormir,

A comer,

A trabalhar e até jogava tênis.

Mas às vezes tinha uma sensação estranha.

Um dia sentiu dificuldade em respirar e deixou de saber quem era.

Depois de uma consulta médica,

Tomou uma decisão que lhe mudou a vida.

E o convite agora é para que,

Mantendo os teus olhos fechados,

Também tu escolhas um espaço seguro,

Onde te possas sentar a olhar o seu jardim.

Seja ele onde for,

Seja ele como for.

Mas simplesmente senta-te,

Sem fazeres mais nada,

Sem nenhum tempo,

Nem nenhum espaço onde tenhas de estar.

Simplesmente observando tudo à tua volta.

As cores,

As texturas,

O tamanho das flores,

Da relva,

Das árvores.

Como é o teu jardim e o que nasceu depois de enterrares os teus relógios e as tuas malas de viagem.

Então deixa de simplesmente estar aí sentado a observar,

Percebendo a felicidade que é.

Simplesmente não teres onde estar,

Não ter horas para cumprir e poderes estar simplesmente aqui e agora,

Juntamente com a tua alma.

Aproveita este momento,

Visualiza cada pormenor e depois deixa-te estar nesse amor e nessa paz que encontraste.

Tenha um dia maravilhoso,

Cheio de paz,

Cheio de tranquilidade.

Que as palavras não sejam só palavras,

Que aprendas a estar sem correr de um lado para o outro,

Simplesmente deixando-se viver a vida.

Namastê.

Meet your Teacher

Mónica MagalhãesTrofa, Portugal

4.7 (207)

Recent Reviews

Tania

January 13, 2021

Sensacional. Namastê.

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