Nestes primeiros momentos desta nossa meditação,
Eu procuro aquietar-me,
Relaxar a minha mente,
Deixando lá fora tudo o que pertence lá fora,
Todos os objetos externos permanecem externos.
Ao sentar-me para meditar,
Eu fecho os olhos como um sinal de recolhimento,
Eu deliberadamente escolho tirar o momento para me recolher,
Para estar só comigo mesmo,
Ficando de olhos fechados.
Esse gesto só por si contribui para que os nossos sentidos repousem,
Encontrem um momento para relaxarem,
Para se voltarem para dentro,
O que por sua vez tem um efeito tranquilizante na nossa mente.
Ao reduzir então desta forma o fluxo de estímulos que entram na minha mente a cada momento,
Eu posso-me aperceber com mais facilidade,
Mais clareza,
Da pessoa simples,
Plena,
Tranquila que eu já sou na verdade.
Este momento serve apenas de lembrete de que eu já sou essa calma natural,
Essa satisfação,
Essa paz que eu busco.
Em bom da verdade,
Eu nada necessito fazer para estar bem,
Para estar satisfeito.
Para consegui-lo,
Eu apenas necessito reconhecer esse facto de que eu já sou tudo aquilo que eu busco.
Nesta tradição milenar do yoga,
Todas as práticas têm por finalidade primordial apontar para o ser pleno e satisfeito que eu já sou.
Esse simples gesto simbólico de fechar os olhos e ficar imóvel por uns instantes é apenas uma forma de facilitar esse reconhecimento,
Pois,
Em bom da verdade,
Aquilo que eu tenho que fazer é simplesmente reconhecer.
Eu não tenho que conhecer algo que não esteja aqui,
Agora.
Tudo o que eu tenho de fazer é reconhecer aquilo que eu sou.
Aquilo que eu sou,
Em essência,
Não muda.
A minha natureza de consciência é sempre a mesma,
A cada instante no meu dia-a-dia.
Eu sou o observador,
A testemunha de tudo o que se passa à minha volta,
Tudo o que se passa no meu corpo,
Tudo o que se passa na minha mente.
Da mesma forma que,
Para mim,
É simples compreender que eu não sou nenhum dos objetos externos a mim que eu observo,
Vai-se tornando,
Progressivamente,
Cada vez mais claro o entendimento de que eu também não sou os objetos internos.
Eu também não sou os meus pensamentos,
Nem os meus sentimentos,
As minhas emoções,
As minhas alegrias,
As minhas tristezas.
Elas aparentam ser eu apenas pelo facto de estarem mais próximas de mim do que um qualquer objeto externo.
Mas proximidade não significa identidade.
E,
Assim sendo,
Esses objetos internos apenas estão mais próximos de mim,
Mas não são aquilo que eu sou.
Aquilo que eu sou nunca muda,
É sempre permanente,
Pleno em si mesmo,
Em paz,
Nunca oscila,
É sempre estável,
Imóvel,
Imperturbável.
Assim sendo,
Com essa atitude de distanciamento,
De objetividade,
Discernimento,
Eu vou então,
Ao terminar esta meditação,
Levar esse entendimento comigo,
Ao longo do meu dia.
Terminamos aqui a meditação,
Mas essa objetividade segue connosco,
Pelo resto do nosso dia.
Namastê.