Iniciando esta meditação,
Trazemos a atenção ao assento que escolhemos,
Verificando a posição do corpo,
No sentido de perceber se será necessário algum ajuste que me permita ficar mais confortável nesta posição escolhida.
Se me perceber que algum ajuste é necessário,
Posso procurar fazê-lo com a ajuda da minha respiração.
Para tal,
Com o auxílio da expiração,
Posso relaxar mais o meu corpo,
Procurando aliviá-lo de qualquer tensão que ainda possa estar presente.
Esse conforto no corpo é muito importante,
Pois com o corpo confortável,
Relaxado,
Torna-se mais fácil aquitar a mente.
Encontrado então esse conforto no corpo,
Procuro agora criar um ambiente mental,
Interno,
Mais propício também à meditação.
Para tal,
Eu procuro ficar presente no agora e deixar tudo o resto para depois.
Eu comprometo-me no agora a estar só comigo mesmo,
Faço esse compromisso para comigo mesmo,
De estar quieto,
Só comigo mesmo,
Durante os próximos minutos,
Em bom da verdade.
Olhando para esta nossa existência de forma objetiva,
Percebemos que apenas no agora eu existo,
Eu existi no passado,
Existirei no futuro,
Mas no agora eu existo,
Aqui,
Agora.
Cada ciclo respiratório é a prova dessa minha existência subtil,
Agora,
A cada instante.
É interessante neste contexto perceber que os Yoga Sutras,
Um dos tratados mais importantes do Yoga,
Iniciam-se justamente com a palavra agora,
Em Sânscrito,
Ata,
Esse início,
Utilizando essa palavra,
Não foi por acaso,
Foi também uma forma de nos lembrar de que devemos estar atentos,
Presentes,
Estabelecidos no agora,
Pois é nesse agora,
Nesse instante,
Que eu posso perceber a verdadeira natureza de quem eu sou,
Esse entendimento de que eu já sou tudo aquilo que eu procuro,
Não é um entendimento que necessariamente se esteja ao gusto num tempo futuro,
Num longo caminho a percorrer,
Esse entendimento,
Esse reconhecimento está presente no agora,
Como tal,
No agora,
Eu tenho uma nova oportunidade de perceber,
De me dar conta da minha verdadeira natureza,
Quando eu tranquilizo a minha mente,
Quando eu recolho os meus sentidos,
Reduzindo o número de estímulos captados por eles e processados pela minha mente,
Torna-se para mim mais fácil,
Mais claro a compreensão de que este ser tranquilo,
Sereno,
É a minha verdadeira natureza,
Não é apenas uma experiência causada pela meditação,
Por outra prática que levemos a cabo,
Essas práticas apenas facilitam,
Tornam a minha tarefa mais fácil,
No sentido de reconhecer,
No entanto,
Em todas as situações do meu dia-a-dia,
Sejam elas quais forem,
Essa minha essência,
Essa minha natureza,
Está sempre lá,
A única diferença que,
Muitas vezes,
Faz à forma do dia-a-dia,
Essa minha natureza apenas aparenta estar mais encoberta,
Encoberta por um rol contínuo,
Infindável de pensamentos,
Encoberta por emoções,
Sentimentos,
Sejam eles mais fortes,
Mais suaves,
E esse encobrimento,
Por vezes,
Faz-me parecer que esse estado de paz,
Plenitude,
Tranquilidade,
É somente uma experiência causada por uma prática,
Por uma ação,
Quando,
Em bom da verdade,
Essa é a minha natureza,
E que está sempre presente a cada novo agora,
Disponível para mim.
Isto acontece porque aquilo que é a natureza de algo,
Nunca pode ser negada,
Nunca pode ser eliminada,
Nem destruída,
Da mesma forma que a natureza do fogo é,
E sempre será,
O calor,
A minha natureza é essa paz,
Essa plenitude,
Sempre presente e sempre disponível para mim.
Daí,
Então,
Podemos perceber,
Neste contexto,
A importância da palavra agora.
Agora,
No sentido de que está sempre presente,
Está sempre aqui,
Porque é aquilo que eu sou,
A minha natureza,
Completa,
Plena,
Nunca cessa de estar disponível para mim.
Assim,
Sendo,
Mantendo uma atitude de consciência,
De presença no agora,
Eu posso seguir com o meu dia,
Com os meus a-fazeres,
Nunca perdendo essa referência de que aquilo que eu sou está disponível para mim a cada momento,
No agora.
E com esse entendimento,
Esse reconhecimento,
Eu posso viver a minha vida,
O meu dia,
De forma mais confortável,
Mais relaxada,
Pois sei que aquilo que eu busco,
Aquilo que eu procuro,
Está e estará sempre aqui,
Agora,
Disponível para mim.
Terminando esta meditação,
Levamos connosco esse entendimento,
Beneficiando a nossa existência e beneficiando também,
Sempre que possível,
A existência dos demais à nossa volta.
Namastê.