Olá,
Seja muito bem-vinda e muito bem-vindo a esta prática de meditação do desapego,
De preferência utiliza-a os coletadores para uma experiência mais plena e permanece ancorado à intenção de estar aqui nesta prática.
Até o seu final,
A mente poderá querer desistir,
Poderá vaguear,
Poderá procurar outro tipo de estímulo e nós reconhecemos com um sorriso que decidimos estar aqui nesta prática.
Adota,
Por favor,
Uma postura que seja confortável,
Com as costas direitas,
Estável,
Mas também graciosa e relaxada.
Podes fazer uma,
Duas ou três inspirações mais profundas e expirações lentas para te conectares ao momento presente através da respiração e proporcionares um estado mais tranquilo através dessas respirações mais profundas.
Começamos logo a notar que cada uma dessas respirações não é nossa,
A inspiração veio,
A inspiração vai,
A respiração vem,
A respiração vai.
A respiração que dizemos e percebemos como nossa deixa de ser o melhor,
Nunca foi verdadeiramente nossa.
Com o foco sensível na nossa respiração,
No movimento permanente que vem e que vai,
Tomamos consciência da dinâmica da nossa vida,
Do que parece ser nosso,
Que deixa de ser nosso,
Porque nunca foi nosso.
Sentimos a respiração e com ela sentimos o nosso corpo,
Notamos como o nosso corpo é diferente do nosso corpo que foi ontem,
Que era há um ano e que será daqui a um dia ou um ano.
O que nós chamamos de nosso corpo está sempre em mutação,
Temos a tendência de o assumir como o nosso num determinado momento e com esta observação reparamos que no momento seguinte ele já é diferente,
O corpo está vivo e sempre em mutação.
Então o que nós chamamos o nosso corpo,
No instante imediatamente seguinte,
Já deixou de ser,
Porque já é diferente.
As nossas crenças,
O nosso conhecimento,
As nossas informações,
No momento seguinte,
Já são diferentes.
Temos que abandonar momento a momento tudo que intitulamos como o nosso para dar permissão à transformação inevitável que um pensamento,
Uma ideia,
Uma respiração ou o nosso corpo tem.
A natureza mostra-nos momento a momento,
Dia após dia,
Que tudo está em mutação.
As árvores,
As folhas,
As flores,
O céu,
Tudo é dinâmico.
Então somos convidados a observar,
A disfrutar,
Mas não podemos ficar apegados ao sol que depois vai descansar para dar lugar à lua,
Não podemos ficar apegados ao céu limpo que vai dar lugar a um céu nebuloso,
Não podemos ficar apegados às folhas verdes e refrescantes de uma árvore que vão dar lugar a folhas secas e a ramos expostos.
Conseguimos com isto reconhecer que nada se mantém,
Que nada é igual a si próprio no momento seguinte e somos convidados com esta tomada de consciência,
De maturidade e de entendimento da vida e do universo tal como é,
A aceitar que os objetos se degradam e se transformam,
Que o nosso corpo tem um período de vida limitado e se transforma a cada dia com esta observação da realidade tal como ela é.
Sorrimos o estatuto social,
A conta bancária,
A nossa casa e mesmo as relações,
Pois vivemos intensamente a vida sabendo que no momento seguinte tudo pode e será diferente com esta capacidade de observação objetiva que a meditação nos dá.
Ficamos em paz com a mudança,
Ficamos tranquilos,
Serenos,
Quando temos que abdicar de algo,
Pois à partida já sabemos que não era nosso,
Qualquer objeto,
Qualquer situação,
Qualquer relação,
Qualquer pensamento ou circunstância foi-nos proporcionada para desfrutarmos,
Crescermos e inevitavelmente largarmos e dar lugar a outro.
Com esta prática reconhecemos que as nossas crenças,
Conhecimento,
Está pronto a ser renovado para dar lugar a algo novo,
Reconhecemos a ilusão que é ficarmos agarrados ao que quer que seja e a nossa aceitação e consciência.
Sorrimos perante o que há de vir,
Qualquer cargo,
Profissão,
Papel social,
Título é-nos atribuído por algo externo,
Não é nosso nem nunca será e o deixará de o ser assim que percebermos.
A ilusão que nos faz ficar apegados,
Seja o que for,
E a cada novo dia percebemos que o dia anterior já foi,
Que o momento anterior já foi e ficamos em paz para continuar a renovar-nos permanentemente e somos convidados a desfrutar de cada momento,
De cada situação,
De cada relação e dos nossos veículos corpo,
Mente,
Cada vez mais,
A cada momento desfrutamos com uma consciência cada vez maior de que nada é nosso,
Que tudo deixará de ser nosso no momento em que o percebemos.
Então,
Somos invadidos por uma liberdade de viver e quando somos convidados a deixar ir porque já não nos serve,
A deixar ir porque já cumpriu a submissão na nossa vida,
A largar,
Estamos cada vez mais bem preparados para o fazer com a serenidade que a vida é,
Por definição,
Não contrariamos as leis do universo,
Abraçamos a vida tal como ela é e tal como um pensamento vem,
Tal como um pensamento vai,
Uma ideia vem,
Uma ideia vai,
Uma nuvem vem,
Uma nuvem vai,
Uma sensação vem,
Uma sensação vai,
Tudo é impermanente,
Um hábito vem e um hábito vai,
Nada é nosso,
Viemos sem nada e vamos sem nada,
Deixamos cair a ilusão da propriedade ou da soberania,
Nada nem ninguém é nosso e nós não somos de ninguém,
Recordamos nesta parte final da meditação a intenção que nos faz estar aqui,
Esta preparação para deixar ir,
O que a vida nos convida a deixar ir,
Este entendimento,
O objetivo de ver,
Aceitar e amar a realidade tal como ela é e ao teu ritmo vais sentindo o corpo a mexer e quando abris os olhos nota como o mundo é diferente do momento em que encerraste os olhos para a prática,
De que as tuas ideias são diferentes do que eram antes da prática,
Que as sensações que tens no corpo são diferentes das que eram antes da prática,
De que mesmo que não notamos os objetos à nossa volta já estão diferentes do que estavam antes da prática,
O nosso corpo já está diferente do que estava antes da prática e deixamos cair essa ilusão rígida para dar lugar à aceitação do deixar ir,
Ao reconhecimento da impermanência e sorrimos perante qualquer convite ao desapego,
Percebendo que o desapego só é necessário se cairmos na ilusão do apego.
Muito obrigado por participarmos juntos nesta prática.
Um abraço.