Seja bem-vindo e bem-vinda a mais um ensinamento sobre o que é ficar centrado,
O que é ficar indiferente,
O que é ficar inabelável.
Precisamos de desenvolver sempre estas competências para situações mais desafiantes no nosso dia-a-dia,
No trabalho e na vida.
E para isso vou contar-te uma história,
A história do C como um morto.
É um título estranho,
Mas é uma história oriental.
É sobre um mestre.
Nos seus olhos havia um reconfortante vislumbre de paz permanente.
Era uma pessoa que parecia inabelável,
Imperturbável.
Ele só tinha um discípulo ao qual ia transmitindo os ensinamentos místicos.
E um dia,
Num entardecer,
O mestre dirigiu-se ao seu discípulo e ordenou-lhe,
Meu querido,
Meu muito querido,
Vai ao cemitério e uma vez lá começa a gritar toda a classe de elogios aos mortos a plenos polmões.
O discípulo achou estranho esta sugestão,
Esta ordem,
Mas foi,
Foi até ao cemitério mais próximo.
O silêncio era inquietante e intimidativo e então foi o discípulo que quebrou esta silenciosa atmosfera,
Este silencioso ambiente e começou a gritar todo o tipo de elogios aos mortos.
Depois regressou para junto do seu mentor e ele perguntou-lhe,
Então o que é que responderam os mortos?
Não disseram nada.
Nesse caso,
Meu muito querido pupilo,
Volta ao cemitério de novo e profere toda a variedade de insultos.
Mais uma vez o jovem achou estranho esta sugestão,
Esta ordem,
Mas como estava em processo de aprendizagem,
Voltou ao cemitério e começou a berrar,
A gritar com todo o seu fogo todo o tipo de ofensas contra os mortos e após uns minutos voltou para junto do mestre que lhe perguntou muito rapidamente o que é que responderam os mortos?
Mais uma vez nada disseram,
Respondeu este discípulo e o mestre concluiu.
Pois bem,
Assim deves ser tu,
Indiferente como um morto,
Aos elogios e aos insultos.
E na verdade esta é uma metáfora,
Pode ser estranha,
Mas que tem grandes mensagens.
No fundo nós somos muito vulneráveis a elogios e a insultos.
A elogios porque gostamos de ser reconhecidos,
Gostamos da aprovação externa,
Da aprovação dos outros e é um exercício muitas vezes que vem do ego,
Daquela vaidade,
De uma sensação de orgulho que gostamos de ter.
De outro modo,
Os insultos também nos perturbam,
Porque nos identificamos com as palavras,
Identificamos-nos com os argumentos daqueles que nos insultam e mordemos o isco.
Ficamos doentes,
Ficamos ansiosos,
Ficamos raivosos.
Aqui no seu sentido mais profundo o termo indiferente quer dizer não fazer diferenças.
Quer dizer também não valorizar,
Não valorizar elogios,
Não valorizar insultos,
Ficar perto daquilo que é inabalável.
E para isto é preciso também criarmos competências,
Treinarmos para nos tornarmos mais indiferentes durante mais tempos,
Tanto com elogios como para insultos,
Para não nos deixarmos deslumbrar,
Não nos deixarmos manipular e não permitir que tanto insulto ou tanto elogio nos afete.
Do lado do elogio,
Claro que nós gostamos de ser elogiados,
De ser reconhecidos e quando são entregues de uma forma sincera,
De uma forma franca,
São bem-vindos e podem motivar-nos.
Mas muitas vezes,
Vezes demais,
Há elogios que surgem para que baixemos as guardas e para alienarmos recursos nossos ou para fazermos a vontade de quem nos elogia.
Há vezes,
Ou muitas vezes,
Os elogios que nos dirigem são manobras de manipulação.
De outra forma,
O insulto,
Os insultos que são diretos ou mesmo velados,
Mais subliminares,
Servem para nos tirar do centro,
Para nos descontrolar,
Para nos desorientar e dão àquele que insulta vantagem.
Quando nós reagimos ao insulto,
Damos vantagem àquele que insulta.
Portanto,
Esta metáfora tem um grande valor.
Ser como um morto,
Ser como um morto é ficar inabalável,
Ficar centrado,
Não ficar demasiadamente emocionado tanto com elogios como com insultos.
Fica bem e até breve.