33:39

Uma Força Vital

by Joao Palma

Rated
4.8
Type
guided
Activity
Meditation
Suitable for
Everyone
Plays
730

Nesta meditação, pecorremos diversos estágios de atenção na respiração, desde a introdução de uma contagem, à passagem pelas sensações da zona abdominal subindo até às narinas. Ao estabelecermos maior concentração e deixando cair todas as âncoras, avançamos para uma consciência aberta. Terminamos com um poema de Sangharakshita.

MeditationBreathingConcentrationOpen AwarenessPoetryBody AwarenessAwarenessBeginnerImpermanenceEyes OpenBreath CountingNon Judgmental AwarenessAbdominal BreathingAlternate Nostril BreathingBeginner MindsetImpermanence AwarenessPoetry Integration

Transcript

Sentados numa cadeira ou numa almofada,

Se estivermos numa cadeira colocando os dois pés no chão,

Se estivermos numa almofada sentindo o contacto das partes do corpo,

Os pés e as pernas que estão em contacto com o chão,

E seja qual for a postura em que nos encontramos,

Sentindo o contacto das návegas com a almofada ou com a cadeira.

Vamos tomar uma consciência do corpo,

Aqui sentado,

E ao tomarmos consciência do corpo facilmente encontramos as sensações da respiração,

Os movimentos no corpo causados pela respiração e suavemente vamos convidando a atenção a notar a respiração no corpo,

Permitindo que a respiração seja a mais natural possível.

A respiração passa a ser o principal objeto à nossa atenção e com isto vamos notando o ritmo da respiração,

Notando a sua textura,

A sua duração e notando cada inspiração e a inspiração conforme vão acontecendo naturalmente.

Vamos convidar a atenção a notar cada inspiração enquanto esta acontece,

O seu início,

O meio e o fim de cada inspiração e convidando a atenção a notar cada expiração,

O início,

O meio e o fim de cada expiração e as pequenas pausas entre elas,

Os momentos de transição de uma para a outra,

Inspirando,

Pausa,

Expirando,

Pausa e a mente vai acompanhando este processo com curiosidade,

Com interesse.

Vou fazer-lhes um convite,

Introduzir-lhes uma contagem na respiração,

Em silêncio,

Inspiramos,

Expiramos e contamos 1,

Inspiramos,

Expiramos,

Contamos 2,

Inspiramos,

Expiramos,

3.

E fazemos isto até 10,

Tentando não perder a contagem até 10 e quando chegamos a 10 retomamos a 1.

Eventualmente a mente se perdera pelo meio,

Que é perfeitamente natural que aconteça.

No momento em que reconhecermos que nos distraímos,

Voltamos a 1.

Vamos fazer isto por alguns minutos,

Suavemente,

Sem esforço.

A atenção vai estar muito mais na respiração.

Nós vamos ter destes pequenos marcos que nos vão ajudando a manter presença na respiração.

Sempre que a mente se distrair em pensamentos ou memórias,

Imagens,

De nada adianta uma mente crítica e julgadora pelo facto de nos termos distraído.

Uma atitude de apreciação,

De gratidão,

De paciência é muito mais válida e permite-nos progredir na prática.

Então o momento em que notamos que a mente se distraiu é um momento de mindfulness.

E esse é um momento de celebração,

De presença,

De escolha,

De liberdade.

E por isso convidamos a atenção,

Gentilmente,

Com bondade,

A voltar ao corpo,

À respiração e à contagem.

Com esta atitude generosa,

Permissiva,

Paciente,

Convido-vos a largarem a contagem.

Mas a mantermos a atenção na respiração.

E vamos levar a atenção a notar a respiração agora na zona abdominal.

Não precisamos de contagem mais.

Vamos notar os movimentos da zona abdominal conforme vamos inspirando e expirando.

Estes movimentos de expansão,

De contração,

Conforme vamos respirando.

Esta passa a ser a nossa nova âncora,

A respiração na zona abdominal.

E mais uma vez,

Se a atenção se dispersar,

Se nos distrairmos,

Reconhecemos que já não estamos na respiração.

Já não há presença.

Nesse momento o reconhecimento voltou a estar presente.

A atenção voltou a estar neste momento no corpo,

Na respiração,

Na zona abdominal.

É isto porque convidámos de volta,

Sempre sem crítica e com bondade.

Vamos fazer uma pequena alteração na forma como prestamos atenção à respiração.

O melhor que conseguirmos,

Vamos deixar que a zona abdominal,

Este movimento da respiração,

Se dissolve um pouco em segundo plano e vamos levar a atenção um pouco mais acima,

A notar a respiração na entrada das narinas.

Vamos ver se conseguimos notar a entrada e a saída do ar pelas narinas conforme vamos inspirando e expirando.

A zona mais pequena do corpo requer maior concentração,

Mais foco.

E vamos notando as sensações do ar que entra,

Notando as sensações do ar que sai conforme vai tocando esta parte do corpo.

Talvez consigamos notar diferenças de sensação na inspiração e na expiração das narinas.

Talvez até notemos que na inspiração,

Quando o ar entra pelas narinas,

Ele vem fresco.

E na expiração,

Quando sai das narinas,

Ele vem mais morno.

Mas não se é possível sentir isto.

Mais uma vez,

Sempre que nos distrairmos,

Que é muito possível que aconteça ou que já tenha até acontecido,

Quando notarmos a distração,

Convidamos a atenção a voltar a esta zona do corpo,

A entrada e a saída do ar nas narinas.

As sensações que surgem causadas pela respiração,

Voltando com bondade,

Com paciência e com uma mente de principiante,

Uma mente que se interessa,

Curiosa e cultivando apreciação por cada pequena sensação que vamos notando.

Então,

A nossa vida não depende de notarmos a respiração.

Ela depende da própria respiração.

Como é que podemos notar esta força vital que nos traz vida a cada instante?

E não é o nosso objetivo travar pensamentos vitales,

Fugir deles,

Pois eles continuarão a surgir.

É assim o nosso objetivo continuar a notar a respiração,

Mesmo na presença de pensamentos.

E quando fazemos isso,

Há probabilidade de olharmos para o pensamento enquanto o pensamento é muito maior do que aquilo que habitualmente acontece,

Que é sermos reféns das histórias que os pensamentos nos contam,

De podermos ser espectadores.

E,

Na realidade,

Aquilo que nos estamos a propor,

Embora não seja uma tarefa fácil,

Não podia ser mais simples.

Estar presente à respiração,

Momento a momento.

Se conseguimos manter a atenção minimamente estável na respiração,

Na zona das narinas,

Se conseguimos ancorar a mente na respiração por alguns instantes,

E se nos encontrarmos minimamente estáveis,

Convido-vos a soltar a âncora.

Não temos mais que notar a respiração.

Aliás,

Não temos mais que fazer absolutamente nada.

Escolhemos sentar-nos neste corpo e simplesmente testemunhar a vida que acontece a cada segundo,

A cada instante.

Naturalmente que a respiração irá estar presente,

Irá chamar pela nossa atenção.

Naturalmente também outras sensações no corpo,

Umas agradáveis,

Outras desagradáveis.

Naturalmente pensamentos,

Projetos futuros,

Memórias,

Irão surgindo.

Fantasias,

Imagens na mente,

Sons.

Escolhemos poder estar presente a tudo,

Mas sem preferências,

Sem termos que nos agarrar a nada,

Sem termos que rejeitar ou evitar o que quer que seja.

E simplesmente sermos estas testemunhas que notam cada fenómeno,

Como ele surge e cessa no nosso espaço de consciência.

Portanto,

Como tudo aquilo que surge é transitório,

Impermanente.

E apenas por alguns instantes abrirmos mão a crermos que a experiência seja diferente daquilo que é.

Apenas por alguns instantes acolhendo este momento com todos os seus prazeres e dificuldades,

Sem qualquer apego ou ofensão.

Simplesmente permitindo que este momento seja o que é.

Esta atitude de abrirmos um espaço interno que tudo acolhe é algo que raramente fazemos no nosso dia a dia.

Corremos atrás daquilo que desejamos,

Que nos dá prazer.

Fugimos daquilo que não gostamos.

E raramente nos sentamos de forma a poder estar com tudo isso.

Há aqui uma mudança de atitude.

Poder abraçar a vida tal como ela é.

E ao irmos criando este hábito de nos sentarmos,

Vamos criando o hábito de abraçar a vida tal como ela é.

O Einstein dizia-nos que não podemos resolver problemas usando o mesmo tipo de pensamento que usamos quando os criámos.

E é isto que nos propomos.

Encontrar novas formas,

Novas relações com a vida,

Conosco,

Com os outros.

Informadas por mais bondade,

Compaixão,

Maior alegria,

Mais serenidade.

Conforme vamos chegando ao final da prática,

Deixo-vos um poema de Sangharaksita.

Hora após hora,

Dia após dia,

Tentamos alcançar o inalcançável,

Identificar o imprevisível.

As flores murcham quando tocadas,

O gelo de repente racha sobre os nossos pés.

Em vão tentamos trilhar voos de pássaros através de rastros,

No céu.

Peixes silenciosos em águas profundas.

Tentamos antecipar o merecido sorriso,

A suave recompensa.

Tentamos até apodrar-nos das nossas próprias vidas.

Mas a vida desliza-nos pelos dedos como neve.

A vida não nos pode pertencer.

Nós pertencemos à vida.

E isto implica sermos maleáveis,

Sermos como a água que flui,

Que se adapta.

Vamos voltando à atenção novamente,

À respiração.

Talvez agora tomando uma consciência geral de todo o corpo aqui sentado,

Respirando.

E conforme vamos terminando a prática,

Em vez de abrirmos os olhos rapidamente,

Convido-vos a abrirmos bem lentamente os olhos,

Suavemente,

Deixando entrar apenas um feixe de luz no início.

Tentamos não perder esta atenção presente ao corpo,

Este mindfulness.

Então os olhos vão abrindo,

Mas há uma presença,

Uma consciência que continua presente ao corpo e à respiração.

E vamos fazendo isto cada um ao seu tempo,

Sem pressa.

Meet your Teacher

Joao PalmaLisbon, Portugal

More from Joao Palma

Loading...

Related Meditations

Loading...

Related Teachers

Loading...
© 2026 Joao Palma. All rights reserved. All copyright in this work remains with the original creator. No part of this material may be reproduced, distributed, or transmitted in any form or by any means, without the prior written permission of the copyright owner.

How can we help?

Sleep better
Reduce stress or anxiety
Meditation
Spirituality
Something else