Vou convidar-vos,
Antes de mais,
A procurarem um lugar onde se sintam confortáveis.
Uma postura que nos permita soltar tensões,
Encontrar algum relaxamento,
Mas que também nos traga alguma vitalidade,
Uma coluna direita que se auto-sustente sem grande esforço,
Soltando os ombros,
Os braços,
As mãos,
Salvizando a fase,
Fechando os olhos,
Se for confortável.
E gradualmente vamos reposando a atenção no corpo,
Sentindo o corpo,
Habitando o corpo.
E mantendo esta presença,
Partilho com vocês um poema,
De Hafiz.
Não tens mais que agir como louco,
Todos sabemos que és bom nisso.
Agora retira-te,
Meu querido,
De todo esse trabalho duro que fazes,
De trazer dor aos teus doces olhos e coração.
Olha para o claro espelho da montanha,
Vê o belo antigo guerreiro e os elementos divinos que sempre carregaste dentro,
Que infundiram este universo com vida sagrada há tanto tempo.
Tantas vezes nos esquecemos que somos feitos desta vida sagrada.
Tantas vezes nos esquecemos de olhar para nós como uma coisa imbuída de beleza.
Ao nos irmos sentando na nossa própria companhia,
Vamos aprendendo a voltar a casa,
Nos permitirmos parar por alguns momentos,
Correr atrás de um futuro eu,
Quando mais não seja,
Por alguns momentos.
E com este sentar vamos,
Gentilmente,
Aprendendo também a inclinar-nos sobre a beleza,
A magnificência,
A simplicidade de quem somos.
Este é o convite que vos trago hoje,
Que podemos ir ao encontro de quem somos.
E quando vos convidei a repousarmos a atenção no corpo,
É apenas porque não precisamos,
Neste momento,
De nada mais do que este corpo que nos carrega.
É a única coisa que precisamos neste momento.
Sente a respiração,
Sente o seu ritmo,
Os movimentos no corpo quando respiramos.
Sente cada inspiração e cada expiração.
Sente o bater do coração,
Talvez no centro do peito,
Talvez no pescoço,
Talvez nos ouvidos,
Nas pontas dos dedos.
Sente a respiração e o bater do coração.
E aqui é tudo,
E a harmonia que temos dentro.
Volta à casa.
Esta é a nossa casa,
A casa que habitamos.
Não precisamos de nada mais do que este corpo,
Esta respiração,
Este bater do coração.
Vou convidar-vos a levar-nos as duas mãos aos olhos,
Tapando os olhos com as duas mãos,
E agradecermos o elemento sagrado que é a nossa visão.
Agradecer a dádiva que é poder ver o sorriso daqueles que amo,
Poder ver as flores no jardim,
Poder ver o nascer e o pôr do sol,
Poder ver o jogo de luzes e sombras que atravessam a sala onde me encontro.
Respirarmos aqui um momento em gratidão.
E agora vamos levar as mãos aos ouvidos,
Agradecendo o elemento sagrado que é a nossa audição.
Agradecendo a dádiva que é podermos ouvir gargalhadas,
O canto dos pássaros,
A voz de quem amamos,
O riso de uma criança,
O vento,
A nossa própria respiração.
Respiramos aqui um momento em gratidão.
E agora levando as mãos à garganta,
Parte da frente do pescoço,
Agradecendo o elemento sagrado que é a nossa fala,
Agradecendo a dádiva das palavras,
De podermos expressar amor através das palavras,
De podermos verbalizar o que nos vai no coração.
Respiramos aqui um momento em gratidão.
E gentilmente vamos levando as mãos à zona do coração,
Agradecendo o elemento sagrado que é o sentir,
Agradecendo a dádiva de sentir tornura,
De sentir alegria,
De sentir amor,
De sentir tudo o que aperta e expande o coração.
Respiramos aqui um momento em gratidão.
Conseguimos agora ver de que somos feitos de vida sagrada.
Conseguimos agora ver como tudo é feito dos mesmos elementos sagrados.
Sente a respiração.
Sente o bater do coração.
Sente a quietude e a harmonia que tens dentro.
Volta a casa.
Conseguimos agora notar como se está a ser oferecido a cada momento.
Conseguimos agora estar na nossa própria companhia.
Conseguimos agora finalmente oferecermos amor.
Sente o silêncio que tens em ti.
Não precisamos de nada mais do que este corpo que nos carrega.
Pergunte-te se estás a sentir os elementos sagrados que sempre carregaste dentro de ti.
Aprecia a vida.
Esta vida é para ti.
Não tens mais que agir como louco.
Todos sabemos que és bom nisso.
Agora retira-te,
Meu querido,
De todo esse trabalho que fazes de trazer dor aos teus doces olhos e coração.
Olha para o claro espelho da montanha.
Vê o belo antigo guerreiro e os elementos divinos que sempre carregaste dentro,
Que infundiram este universo com vida sagrada há tanto tempo.
Sentindo a respiração no corpo.
Sentindo o seu ritmo,
O seu movimento,
A sua textura.
Sentindo o batimento do coração,
A pulsação,
As pontas dos dedos das mãos,
O centro da pele.
Sentindo a harmonia que temos dentro de nós.