39:07

JD Podcast #1 Inteligência e Gestão Emocional

by Jorge Dias

Rated
4.9
Type
talks
Activity
Meditation
Suitable for
Everyone
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768

As emoções são um valor que merece ser considerado a todo o momento. Elas são preciosas para a tomada de decisões e fazer escolhas. A mecânica social afasta-nos de nós e da reflexão sobre os nossos processos internos, mantendo-nos ligados ao mundo da matéria, dos resultados, dos objectivos, do ganho, da performance. Porém, não é de todo este foco que nos traz a nossa espiritualidade. Só olhando para a nossa interioridade, conseguiremos o estado de espírito de missão, significado e propósito.

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Transcript

Olá,

Bem-vindo a este podcast sobre inteligência e gestão emocional.

O meu nome é Jorge Dias,

Sou trainer de programação neurolinguística,

De coaching e de inteligência emocional e dedico-me a estas temáticas há quase duas décadas.

Fiz um processo pessoal bastante duro no ano 2009 que me levou a rever muita coisa do que até ali eu tinha feito.

Levou-me a fazer uma viragem na minha vida,

Levou-me a rever muita coisa e mais profundamente o meu sentido de vida.

Foi um processo para o cura,

Até encontrar o que as minhas emoções desejavam e o que era também mais saudável para mim.

A minha intenção neste podcast,

O primeiro que faço aqui no Insight Timer é trazer-lhe mais reflexão sobre o papel das emoções,

De uma forma simples e leve,

De maneira a poder organizar melhor o seu mundo interior e a seguir em frente mais facilmente.

Hoje estamos a viver dias especiais,

Com este grande acontecimento global e avassalador que dá pelo nome de Covid-19.

Muita coisa já mudou,

Muita coisa ainda poderá acontecer e irá mudar,

Muita coisa que não será mais igual nem sequer parecida ao que era de antes.

Portanto,

O tema inteligência e gestão emocional pode aqui ter um valor diferente.

Antes a abordagem era para um dia-a-dia já conhecido,

Os costumes,

Do que nos era mais ou menos comum,

Independentemente de definirmos situações como negativas ou positivas.

Mas neste momento especial será talvez mais fácil associar a inteligência emocional à dimensão pessoal.

E eu quero dizer com isto que antes muita gente procurava estas ferramentas para aplicar diretamente nos outros ou na própria envolvente.

Mas agora penso que é mais fácil aplicar estes conhecimentos e competências a si mesmo que,

No fundo,

Na verdade,

É onde tudo começa.

É uma oportunidade para rever conceitos sobre emoções e tornar os comportamentos emocionalmente inteligentes perante estas mudanças incontornáveis.

E um dia é sempre inevitável,

Há sempre um dia de viragem.

Acontece-se aquele momento em que nos defrontamos com uma questão superior,

Que ultrapassa o nosso entendimento.

Pode ser um evento de vida,

Como uma perda de emprego abrupta,

A morte de um familiar,

Uma separação ou um divórcio,

Uma situação de falência ou até uma doença,

Ou até mesmo aquilo que estamos a viver numa forma mais abrangente.

Nestes momentos parece que nunca estamos preparados.

Precisamos decidir,

Preparar e fazer uma mudança na nossa vida.

Mas,

Num primeiro momento,

Há sempre aquela fase da negação,

Algo que está presente,

Que mesmo sem darmos por isso acontece.

Pode até ser fácil fazer essa mudança,

Mas é sempre mais fácil não fazer.

Sabemos que temos de não fazer o que estamos a fazer e fazer o que não estamos a fazer e apesar disso é sempre mais fácil não fazer e ficarmos à espera que alguém entretanto mude sem que tenhamos nós próprios de alterar alguma coisa.

E é nestes momentos mais críticos,

Mais confusos,

Que a nossa inteligência emocional é posta à prova.

De uma forma simples e coloquial,

Inteligência emocional é basicamente a capacidade de estarmos sempre presentes e de gerir pensamentos e emoções a todo momento.

Estarmos sempre atentos aos sinais que o corpo emite e aos tipos de pensamentos que temos.

Para que isso aconteça é preciso levar o foco ao seu mundo interno e treinar essa prática.

Um exemplo simples pode ser,

Por exemplo,

A ida ao restaurante.

A inteligência entra e sente um sinal de desconforto vindo do seu corpo.

Uma sensação,

Claro que não sabe traduzir de imediato em palavras o que se trata,

Mas o facto real e observável é que a sensação lhe está a dizer que ali e naquele lugar não deverá ficar.

O que acontece normalmente é que encontraríamos esses sinais emocionais emitidos pelo nosso corpo e habitualmente até os racionalizamos e arranjamos argumentos para os colocar em causa.

O certo é que a sua mente decide ficar no restaurante,

Ignorando as indicações emocionais enviadas pelo seu corpo e depois algo corre mal,

Não era suposto,

Ou o lugar é na verdade desconfortável,

Ou o serviço é demasiado demorado,

Ou a comida não está bem confeccionada.

E se você se lembrar aí dos sinais emocionais que sentiu anteriormente,

Sabrá que tinha à sua disposição os dados necessários para decidir de forma diferente.

Mas como os ignorou ou os racionalizou,

Decidiu contra o corpo e as coisas não correram tão bem,

Ou tão bem como esperava.

Estes sinais enviados pelo corpo são também muito úteis principalmente para decidir sobre os nossos relacionamentos,

Pessoas que nos trazem boas emoções de alegria,

De esperança,

De satisfação,

De motivação.

Eu quero propor-lhe aqui um primeiro exercício simples de autodiagnóstico.

Pode fazê-lo agora já ou poderá interromper por um momento o podcast.

Se não quiser fazer agora,

Tire o apontamento e conclua mais tarde.

Então aqui vai.

Em primeiro lugar,

Peço-lhe que identifique três pessoas que lhe deixam sensações positivas de,

Por exemplo,

Satisfação,

De tranquilidade,

De bem-estar,

De inspiração,

De leveza,

E aponte o nome dessas três pessoas.

Em segundo lugar,

Identifique agora três pessoas que lhe deixam sensações negativas,

Por exemplo,

De tristeza,

De desalento,

De ansiedade,

De receio,

De agitação,

E de novo aponte o nome dessas três pessoas.

E de seguida,

Para cada grupo de pessoas,

Anote para cada uma delas três características.

Por exemplo,

Como é que vocês definem?

São pessoas simpáticas,

Positivas,

Otimistas,

Amigáveis,

Atenciosas,

Alegres,

Carinhosas,

Etc.

Ou são pessoas negativas,

Pessimistas,

Antipáticas,

Desconfiadas,

Frias,

Distantes,

Tensas,

Etc.

Anote.

Deixe que fique tudo registado em papel.

Lembre-se como é que se sente durante a presença dessas pessoas e,

Sobretudo,

O que sente após a conversa.

Muito bem.

Depois deste exercício,

Deverá ter mais capacidade de tomar decisões em relação às pessoas com quem deve intensificar mais a comunicação e estar mais atento aos sinais que o seu corpo envia na presença destas pessoas e,

Assim,

Agir melhor.

Às vezes não se trata de deixar de falar a pessoas ou abandoná-las.

Trata-se não só de intensificar o contacto com pessoas positivas,

Sendo que vai diminuir o tempo de contacto com pessoas com uma perspectiva mais negativa.

Sobretudo há uma coisa aqui neste processo que é que o que você sente está certo.

Um dos fatores mais críticos da gestão emocional é a questão da necessidade de aprovação.

Para realizar,

Não poderá depender da opinião e da aprovação dos outros.

Você é único e o seu papel é confiar em si e no que as suas emoções lhe transmitem.

E quando sentir que algo não cola,

Algo não encaixa,

Algo está incongruente,

Anote essa sensação.

Se sentir invadido,

Anote esse sentimento.

É hora de decidir algo.

É hora de excluir essa situação,

Esse contexto.

E deixe a sua genuinidade manifestar-se.

De certo sairá uma boa decisão.

Isso é um sinal claro do processo de inteligência emocional.

Confie em si e nos sinais que o seu corpo emite.

Uma das coisas que fiz neste processo de vida em 2009 foi começar definitivamente a decidir mais de acordo com aquilo que sentia do que propriamente aquilo que pensava e a ter mais independente nas minhas decisões,

Portanto abandonar um pouco alguma necessidade de aprovação de fatores externos.

Um pouco mais agora sobre estes processos internos.

Primeiro tenho de saber que não controla as emoções.

Elas são automáticas,

Elas são autoritárias e têm uma função comunicativa.

Elas são automáticas porque respondem a estímulos no imediato.

Elas são autoritárias porque têm de dar-lhes atenção.

E o que é que isto quer dizer?

Que o mundo exterior entra a matéria.

Se você colocar a mão por cima de uma vela acesa terá uma reação automática vinda das emoções bionaturais que lhe darão a indicação para retirar a mão de forma a não se queimar.

Mas ao contrário,

No mundo interno não se lida com matéria,

Lida-se com informação.

Se você sente uma emoção e não lhe presta atenção ela voltará sempre no tempo para lembrar que tem de aprender algo ali.

Tome como exemplo algo do passado que foi ofensivo,

Mas recordem uma situação.

Uma coisa que foi desagradável,

Uma coisa que foi até traumatizante.

Uma discussão com um familiar,

Uma reprimenda de um professor,

Uma reação de um cônjuge,

Etc.

Para resolver essa situação,

Para serenar os seus sentimentos,

Não poderá fugir como se estivesse num mundo material.

Terá de abordar a emoção até retirar a aprendizagem e experiência que está associada a esse evento.

E se alguém adulto com 30,

40 ou 50 anos e ainda se comove com algum episódio negativo que recorda do passado,

Tenho a certeza que essa pessoa não retirou ainda a experiência nem a aprendizagem e continua a reprimir,

Continua a evitar a emoção.

Por isso se chora porque a emoção está intacta,

Ainda não foi retirada a aprendizagem.

Ao contrário do mundo material em que as emoções nos dão indicações precisas sobre as coisas pelas quais nos devemos aproximar ou afastar,

Aqui no mundo interior tem de ficar lá,

Compreender e abordar essa emoção para que ela deixe de se manifestar até retirar a aprendizagem.

Finalmente,

A função comunicativa das emoções é porque elas se manifestam em movimento e expressão facial.

Quando uma emoção se releva,

O mundo à sua volta dá por isso,

Mesmo que seja muito bom a reprimir ou a esconder o que sente no momento,

É um processo rápido e visível e manifesta-se no corpo e na expressão facial.

E tudo isto vem a propósito de não controlar emoções,

A única coisa que poderá fazer é gerir emoções.

Note que,

Depois de sentir a emoção,

Poderá geri-la e escolher o comportamento adequado.

E aqui recordo do psicólogo americano Kenneth Isaacs,

Que explica muito bem a função do pensamento e da emoção e a sua ligação.

E ele diz assim,

Pensamento diz-lhe o que está a passar-se,

A emoção diz-lhe o que significa o acontecimento e a intensidade da emoção diz-lhe sobre a importância do acontecimento para si.

Ideias são informação do pensamento e sensações são informação das emoções.

E a dinâmica da vida é um ciclo interminável e repetido,

Independentemente do que estiver a acontecer.

O pensamento gera a emoção,

A emoção gera o comportamento,

O comportamento gera o resultado,

Que é o feedback que se obtém,

Que podemos avaliar como positivo e negativo.

Se sente-se sentir desconfortável com alguma coisa é porque o pensamento deu origem a uma emoção negativa que é sentida no seu corpo,

No peito,

Cabeça,

Nos ombros,

No abdómen.

Retenha agora para si esta dinâmica como uma verdade natural,

Não se trata do que se passou,

Trata-se do que pensou sobre o que se passou e esse pensamento dá origem a uma emoção que se traduz numa sensação no corpo que lhe dá informação sobre o significado e sobre a importância do evento,

Se é do seu agrado ou não,

Se está no caminho que quer ou não,

Se realiza os seus valores,

Se se liga ao seu propósito e é a partir daqui que pode gerir a sua emoção,

Que força lhe vai dar,

Bem como decidir que comportamento será mais adequado manifestar.

E as emoções servem para tomar decisões,

Ainda o psicólogo Kenneth Isaacs diz que emoções não compelem a ação,

Elas impelem apenas a ação,

Isto quer dizer que enquanto a emoção é automática e natural já o comportamento é uma escolha sua,

Emoção e comportamento não é propriamente um pacote,

São coisas completamente independentes.

Vamos aqui a um ponto de partida para desenvolver a sua inteligência emocional,

Se quer aumentar a sua inteligência emocional peço-lhe por tudo aqui neste podcast que não duvide-se,

Não se inferiorize,

Uma coisa é adotarmos outras formas de fazer as coisas por acharmos que elas são mais adequadas para nós e para aquilo que está à nossa volta,

Outra é por nos sentirmos dependentes de elogios e opiniões alheias,

A tal necessidade de aprovação.

Nesta segunda você favorece alguém e desfavorece-se a si próprio,

E inteligência emocional é considerar-se a si e sentir a sua emoção e interpretá-la porque ela dá-lhe a indicação certa e tomar a decisão em relação a esse facto,

Lembre-se a distância entre confiar e não confiar em si é apenas de um pensamento.

Quando ouvir alguém dizer algo como perdi a cabeça,

Passei-me,

Fiquei cego,

Não aguentei e disse aquilo que não devia ter dito,

Saltou uma tampa,

Estas expressões que muitas pessoas com irritação mencionam,

É sinal de que há um grande déficit de inteligência emocional e gestão das próprias emoções e comportamentos,

Atente que há aqui dois mundos,

O mundo interno que é seu e da sua inteira responsabilidade,

Que é o mundo das emoções,

O mundo das sensações e depois há o mundo exterior que o rodeia e que está fora do seu domínio,

E o seu papel é focar-se no mundo interior de forma a decidir melhor o que fazer com o mundo exterior,

Saiba também que não tem controle nem poder nem capacidade de mudar o mundo exterior,

O mínimo que talvez consiga fazer é exercer alguma influência,

Porém você tem todo o poder de gestão sobre o seu mundo interno,

Sobre os pensamentos que tem,

Sobre a forma como se sente,

Sobre os comportamentos que manifesta.

Vou contar-lhe agora uma história sobre um monge que deixou escrito na sua lápide o seguinte,

Quando eu era jovem decidi que o meu propósito de vida era mudar o mundo,

E andei muitos anos perseguindo esse propósito e tentar mudar o mundo,

Mas ao fim de muitos e muitos anos dessa caminhada percebi que o mundo não mudava com as minhas ações,

Os meus comportamentos,

Os meus conselhos,

Mas mesmo assim não desisti,

Não desisti e decidi mudar o meu país,

E andei assim há anos e anos com este propósito,

Mudar o meu país,

Mas cheguei à conclusão que também o meu país não era possível mudar,

Então decidi mudar a minha família e continuei essa caminhada,

Esse meu propósito,

Mas mesmo assim a minha família não consegui mudar,

E hoje aqui no leito da morte eu compreendo,

Compreendo que se tivesse mudado a mim próprio talvez tivesse conseguido influenciar a minha família e se tivesse conseguido influenciar a minha família talvez a minha família tivesse conseguido influenciar o meu país e quem sabe se isso tivesse acontecido que o meu país tivesse conseguido influenciar o mundo.

Tanto que esta metáfora nos diz,

Monge do Westminster,

É que o nosso grande foco deve ser o nosso mundo interno e não tanto no mundo externo,

O que nós podemos mudar,

O que nós podemos alterar,

Onde nós conseguiremos encontrar a paz,

A tranquilidade e o equilíbrio será no nosso mundo interno e não tanto esperar que ele venha de fatores externos.

Esta dinâmica é constante durante a vida,

Haverá sempre períodos que decorrem da forma que prevemos,

Outros saem completamente dos nossos cálculos e nesses momentos temos de assumir a responsabilidade,

Andamos bem quando tudo corre bem,

Como esperado,

Depois sentimos dores quando as nossas expectativas não são satisfeitas e as dores emocionais devem-se,

Numa grande parte das vezes a isso mesmo,

Devem-se às expectativas que alimentamos.

Uma coisa é certa,

Só temos capacidade total para mudarmos efetivamente o nosso mundo interno.

E a típica história do homem que tinha uma vida estável,

Organizada e segura,

Tudo corria segundo o previsto,

De acordo com as mesmas rotinas e a cada dia o homem repetia as mesmas tarefas e aos mesmos sítios,

Falava com as mesmas pessoas sobre os mesmos assuntos,

Com as mesmas palavras vindas dos mesmos pensamentos e o homem sentia que tinha a vantagem de saber com exatidão o que esperava no dia seguinte e assim por diante,

O que lhe permitia programar mais facilmente todas as suas atividades.

Mas um dia acontece algo que altera tudo.

Toda a previsibilidade,

Toda a rotina,

Toda a sensação de segurança fica em causa e o homem mergulha numa dura preocupação que se deleva à confusão e a um misto de emoções alternadas,

Raiva,

Angústia,

Tristeza,

Desapontamento,

Pessimismo.

Vem a desorientação e a depressão,

Vem a ansiedade,

Que são apenas o fruto da nossa ilusão e expectativas que não foram realizadas e o nosso mundo interno fica desequilibrado.

Não sei ao certo se isto lhe é familiar,

Quando um dia o habitual deixou de existir,

Já não está lá e você pensava que estaria para sempre porque sempre esteve lá.

Mas no meio deste turbulhão de fortes emoções negativas o homem tem insights sobre o que quer ser,

Tem ideias sobre possíveis soluções e repara aqui que insight é sight from within,

Uma ideia,

Um vislumbre,

Uma visão vinda de dentro e assim o homem toma uma decisão seguida de um plano e então passa à ação e começa a odisseia,

A que leva a um novo nível de existência.

Pelo caminho há muita aprendizagem e o homem tem de permitir-se errar,

Tem de permitir-se experimentar,

Insistir,

Perseverar,

Manter o foco no caminho até chegar ao estádio seguinte.

Mas esse caminho tem muitas nuances,

Tem os seus mistérios,

Tem as suas surpresas,

Testes,

Tem muitos quebra-cabeças a ser desvendados.

São provações com as chamadas dores de crescimento.

Surgem dúvidas,

Hesitações,

Surge a vontade de desistir,

De querer voltar a algo que já não existe.

Aquilo que pensávamos ser seguro,

Previsível e confortável,

Mas que agora é passado e se tornou apenas uma memória.

Independentemente de tudo,

O que há está no aqui e no agora e à sua frente.

Optar por parar será fatal e produzirá ainda mais dor.

E é sobre a dor que falarei nos próximos instantes.

É estranho,

Mas é uma tendência humana muito vingada.

Nós só mudamos quando sentimos dor.

E este detalhe é oportuno até porque o fenómeno coronavírus vinca este aspecto.

Mesmo quando adivinhamos a mudança perto e ainda quando começamos a senti-la insistimos em ficar,

Esperando que algo aconteça para ficarmos na mesma confortáveis.

E então a dor aumenta,

Como que dizendo é melhor arrepiar caminho,

Toma uma decisão,

Olha lá que tens de fazer algo.

Sinais do corpo,

Aquele feeling que ignoramos.

E só mesmo no limite,

Quando a dor atinge o ponto crítico,

É que damos os primeiros passos.

Segundo a ciência e a investigação de alguns investigadores,

Baumeister,

Bratlovski e Finknauer e Volso,

O mundo das pessoas faz escolhas com base na necessidade de evitar experiências negativas do que no desejo de obter resultados positivos propriamente ditos.

E em programação neurolinguística isto chama-se de agir por aproximação ou por afastamento.

Quando as pessoas fazem o que fazem,

Se dirigem àquilo que querem,

Àquilo que desejam,

Porque cumprem o seu propósito e realizam os seus valores,

Agem por aproximação.

Mas quando as pessoas fazem o que fazem para fugir do que não querem,

Do que não desejam,

Do que temem,

Agem por afastamento.

E isto faz toda a diferença quanto aos resultados que se obtém.

Se não conhecermos as nossas emoções,

Se não as monitorizamos e as interpretamos,

Passamos a agir por afastamento.

Fugimos do que não queremos.

Passamos o tempo a evitar e obtemos resultados pobres porque estamos focados na própria dor.

Mas se conhecemos mais as nossas emoções,

Reconhecemos as sensações e fazemos ler e aliás,

Se sabemos ler os sinais do corpo,

Podemos fazer escolhas de acordo com o que queremos e obter assim melhores resultados e muito mais saúde.

Quero dizer-lhe que fiz processos na minha vida e tive de aprender a reverter o processo e tive de aprender a linguagem do corpo e a dor é incrível e tem uma função muito própria de nos colocar em contacto com a aprendizagem.

E se entendermos assim,

Mais fácil será interpretarmos os primeiros sinais e passarmos antecipadamente à fase seguinte.

Estou a falar de dores emocionais e estou a falar também de pensar sobre as dores emocionais.

A primeira competência da inteligência emocional é refletir sobre as emoções e traduzir os sinais que enviam.

É ganhar autoconsciência.

Um sinal pode ser uma sensação desconfortável ou confortável,

Tanto faz,

Dizendo-nos muito do que estamos a viver,

Do que é adequado ou não para nós.

Quando sentir alguma dor,

Dê-lhe as boas-vindas,

Na certeza que o melhor virá depois.

Aliás,

Pense,

O sucesso e os resultados têm mais valor e um melhor sabor com uma dor associada.

Tudo se torna pior quando oferecemos resistência,

Quando não se quer responder à chamada e ela,

A dor,

Aumenta na proporção da urgência.

Bom,

Por aproximação ou por afastamento?

Fico com este conceito.

E fico agora também com a questão que gostaria que respondesse e refletisse.

Pode fazer mais tarde ou agora,

Após interromper o seu podcast,

Faça como for melhor para si.

E a pergunta é esta,

Por norma,

Por padrão,

Você age mais por afastamento ou por aproximação?

Você decide com base no que não gosta,

No que é desagradável,

Desconfortável,

No que lhe causa sensações dolorosas ou,

Pelo contrário,

Decide com base no que gosta,

No que quer,

No que deseja,

No que lhe dá prazer,

No que o inspira,

No que o faz sentir bem?

E em tudo isto estão implicadas emoções,

Agradáveis ou desagradáveis.

O seu papel é cuidar de si,

Acreditar em si e nas sensações que experiencia.

Faça o exercício,

Escreva e tire as suas conclusões,

Reflita,

Mas sobretudo escreva.

Sobre formas de lidar com emoções.

Os líderes espirituais consideram que,

Basicamente,

Há três formas de lidar com emoções.

E a primeira forma é reprimi-las.

Esta é muito comum entre nós.

Na nossa sociedade fomos muito habituados a reprimir emoções,

Não as mostrarmos,

A calarmos internamente.

E esta forma causa danos à saúde e não permite aprendizagem.

Quando pessoas adultas choram,

Como já disse atrás,

Por algo que sucedeu no passado,

É porque reprimiram e não tiraram o que o evento ou a recordação tinha de valor.

Ficou a sensação intacta e não foi avaliada com a maturidade.

Uma pessoa em idade adulta tem meios para abordar a memória e a emoção chamada de traumática de uma forma adulta.

Há que retirar a aprendizagem e deixar a emoção.

Segunda forma.

A segunda forma é expressar.

Não é desadequado,

Porém pode ser excessivo e trazer-lhe consequências que não deseja.

Imagine expressar a raiva ou a irritação.

Poderá não ser apropriada em certas situações.

E finalmente,

A terceira forma.

A terceira forma terá talvez a melhor para uma vida mais plena,

Que é tão só testemunhar.

Observar a emoção é a capacidade de criar uma pausa e assistir ao que se passa consigo,

Notando os sinais no seu corpo,

A intensidade e tomar uma decisão em relação a isso.

Não se trata de tomar uma decisão para o outro,

Trata-se de tomar uma decisão para si mesmo.

E esta terceira forma,

Na verdade,

É a mais adequada e foi uma das coisas que eu aprendi naquela passagem de vida em 2009 e o que é mais surpreendente aqui é que não precisamos de fazer absolutamente nada.

Basta testemunhar,

Basta observar,

Basta refletir,

Não é preciso fazer nada,

Criar uma pausa apenas.

E de seguida quero propor-lhe que experimentemos uma prática respiratória que eu chamo de 5-3-5.

É simples e curta e consiste em fazer uma inspiração contando até 5,

De seguida aprender a respiração contando até 3 e finalmente a expirar enquanto conta até 5.

Vamos fazer em conjunto,

No final de 4 ciclos respiratórios.

Vamos dar atenção ao nosso bem-estar,

A uma sensação de equilíbrio e de presença agradável e em sintonia com a existência.

Vamos exercitar,

O observar e o testemunhar.

Então vamos começar,

Faça comigo,

Vamos inspirar e contar até 5,

Vamos trancar a respiração,

Contar até 3 e vamos expirar contando até 5 na expiração.

Vamos fazer de novo contando até 5 na inspiração,

Trancamos por 3 segundos,

Contamos até 3 e fazemos a expiração contando de novo até 5,

Mais duas vezes.

Vamos expirar,

Contar até 5,

Vamos trancar a respiração contando até 3 e vamos expirar contando até 5 de novo e fazemos uma última vez,

Expirar novamente contando até 5,

Trancar a respiração contando até 3 e fazer a expiração final contando até 5.

Muito bem.

Experimente agora levar o foco ao seu corpo e desfrutar dessa sensação de equilíbrio e de presença agradável em sintonia com a existência.

Observar e testemunhar uma placenta neutra da nossa existência,

Não requer esforço,

Não há obrigações,

É apenas observar.

A inteligência emocional exige um novo nível de atitude,

Tem de decidir de uma vez por todas colocar confiança em si mesmo,

Através de decisões assentes no que sente e não só no que pensa ou no que os outros pensam,

Tudo isto não terá a ver com bens materiais ou a ideia de sucesso comercializada no dia a dia tem a ver com o que faz sentido para si e uma satisfação interna.

A inteligência emocional pode ser um caminho para um estado de felicidade.

Deixo-lhe aqui uma mini-fórmula que se pode traduzir no seguinte,

F é igual a PP menos PN,

O que isto quer dizer é que a felicidade é igual a pensamentos positivos menos os pensamentos negativos,

A porcentagem de felicidade será igual aos pensamentos positivos descontados menos os pensamentos negativos e pensamentos negativos sobre si próprio e sobre acontecimentos,

Sobre o futuro,

O passado,

Sobre o que é normal,

Sobre o que é suposto fazer e a felicidade será igual à qualidade dos seus pensamentos.

Faça este cálculo de 0 a 10,

Quanto se sente feliz agora,

Em que 0 é a infelicidade total e 10 é a felicidade plena.

Faça agora mesmo,

Pense num número,

Diga o valor através do que sente,

O primeiro número que surgiu na mente é esse que é válido,

De 0 a 10,

Quanto se sente feliz e satisfeito neste momento,

Repare que esta classificação tem tudo a ver com aquilo que sente vindo dos pensamentos que se terem e das escolhas que faz,

Felicidade,

Satisfação,

Resultados dependem do desenvolvimento da sua inteligência emocional e da gestão das suas emoções,

Depende da capacidade para gerir a sua vida interna,

A vida interna da mente,

Limpar pensamento,

Selecionar o que deseja e focar-se no que realmente interessa.

Proponho-lhe agora fazer um novo exercício e que será o último deste podcast,

Chama-se o exercício das três perguntas,

Interá de interromper por instantes a audição ou tomar um apontamento e depois completar o exercício,

Faça como for melhor para si.

Então aqui vai,

A primeira pergunta é o que sou hoje?

Escreva uns tópicos sobre o que sou hoje?

Não pense muito,

Traduza mais o que sente,

O que sou hoje?

A segunda pergunta é o que serei amanhã?

O que serei amanhã?

Visualize e descreva mesmo por tópicos aquilo que sente.

E a terceira pergunta é o que farei hoje para mudar?

Não se esqueça de apontar,

De registar tudo em papel,

Uma folha,

Uma caneta,

Um lápis e trate de registar tudo o que lhe ocorrer,

Unindo assim mente e corpo num processo que se deseja fique instalado e não só pensado.

E nestes últimos momentos deste podcast sobre inteligência e isto tão emocional,

Quero dizer-lhe que está ao seu alcance atingir um estado de satisfação e felicidade.

Digo-lhe que está à distância de um pensamento,

Quando sentir que algo não resulta,

Quando sentir pessimismo ou desconforto,

Basta um simples pensamento para virar a forma como se sente em relação ao que está a acontecer.

A ciência diz que apesar de 50% da felicidade e da satisfação residir em aspectos genéticos e 10% nas circunstâncias,

Restam 40% que dependem do seu estado interno e associado às suas ações,

Às suas atitudes,

Ao seu otimismo,

Tipo de pensamentos e emoções.

Estes são os resultados obtidos no seio da psicologia positiva,

Nomeadamente com o trabalho da psicóloga Sonja Lyubomirsky.

E isto para dizer o quê concretamente?

40% está sobre o seu controle e domínio e imagino o que seria se conseguisse controlar 40% das condições climatéricas ou do trânsito nas suas viagens.

Seria muito,

Não é verdade?

O mesmo acontece com a sua vida.

Pode fazer muito criando os seus próprios conteúdos na sua mente.

Comece a trabalhar hoje mesmo a sua inteligência emocional,

Com alguns conceitos simples que lhe entreguei aqui,

Está ao alcance de uma decisão,

De um pensamento e de uma sensação.

Direcione-se àquilo que há de melhor em si,

Siga os sinais do seu corpo,

Siga as suas emoções,

Elas são uma preciosidade.

Está na hora de me despedir,

Fico grato pela sua presença aqui comigo,

Quero que fique bem,

Em paz e com uma sensação de equilíbrio e de leveza.

Então,

Até breve e até uma próxima.

Meet your Teacher

Jorge DiasLisbon, Portugal

4.8 (55)

Recent Reviews

Filipa

September 7, 2025

Gravado durante o Covid e ainda tão actual. Tudo vem ter connosco quando precisamos e hoje foi mesmo o que eu precisava. Gratidão Jorge! Estou a gostar muito das suas meditações e podcast. Fique bem! Filipa Lobo

Claudia

August 2, 2022

Grata pela partilha, pela influência! ✨ 🙏🏼

Maria

April 2, 2021

Sensacional, obrigada 🙌

Sergio

April 21, 2020

Parabéns, está aqui um excelente conteúdo e forma de o transmitir.

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