Olá,
Olá,
Seja muito bem-vinda e muito bem-vindo a mais uma prática de meditação.
Parabéns e obrigado por dedicar-se este tempo a ti,
A observar-te,
A conhecer-te,
A amar-te.
Na prática de hoje iremos reconhecer e abrir espaço em nós,
Soltando,
Libertando o que já não nos pertence nem interessa e abrindo espaço para o novo que há de vir.
Sempre que a mente desligar durante a prática,
Podes sorrir quando tomares consciência disso e voltar ao momento presente à orientação da prática,
A ti próprio.
Está tudo bem.
A mente tem memórias,
Tem projeções,
Imaginação.
Nós apenas voltamos ao momento e à prática em si,
Com o coração aberto e com a sensação de que tudo está certo a cada momento.
Coloca-te numa posição que seja confortável,
Com as costas firmes,
Estáveis.
Comece a sentir o corpo a relaxar e ao teu ritmo encerra os olhos,
Podes fazer uma inspiração mais funda para regressares aqui,
Ao momento onde estás agora e te conectares à prática.
Mais importante do que seguir todas as instruções,
Porque a mente pode expressar,
Podem surgir sensações que nos retiram a atenção,
É levar a prática até ao seu final.
Esta intenção de querer estar aqui e agora,
De querer entregar-se à meditação,
De querer conectar-se ao espaço onde tudo existe,
Ao espaço que tudo permite,
Observando quem somos e a nossa relação com o mundo,
De forma mais objetiva,
Mais transparente,
Que a prática da meditação tanto promove.
Durante a prática podemos sempre usar o corpo ou a respiração como um veículo para retomarmos a atenção na própria prática.
Começamos então por imaginar uma nuvem no topo da nossa cabeça,
Uma nuvem branca,
Pura,
Cheia de nada,
Cheia de espaço,
Cheia de vazio,
Uma nuvem fofa,
Mega,
Flexível.
Vamos reconhecer essa nuvem a pairar no topo da nossa cabeça e quando estivermos prontos para a receber,
Para receber o espaço novo,
Vamos deixá-la entrar em nós,
Pelo topo da nossa cabeça.
Observamos então a nuvem já dentro da nossa cabeça,
Que vai tocando nas extremidades,
Que vai explorando tudo o que está dentro de nós.
É uma nuvem virgem e fresca,
Contendo apenas.
Essa nuvem vai enchendo,
Vai enchendo a nossa cabeça e ao encher a nossa cabeça vamos libertando as nossas ideias fixas,
Nossos preconceitos,
As nossas crenças limitadoras e a nuvem que se vai estendendo na nossa cabeça vai abrindo espaço para ideias novas,
Criativas,
Para pensamentos frescos e jovens,
Para que a nossa mente esteja renovada através deste espaço que agora preenche a nossa cabeça,
No seu interior.
Vamos sentindo a nuvem a passear dentro da nossa cabeça e sentindo a leveza que isso nos proporciona.
A nuvem agora explora a zona interna dos nossos ouvidos e então vamos esquecendo e libertando palavras que nos magoaram,
Explorando a nuvem junto aos ouvidos,
Preenchemos esse espaço com ar fresco e apuramos o nosso sentido auditivo para os sons do universo,
O som dos passarinhos,
Das ondas do mar,
Do vento,
Nas folhas das árvores.
A nuvem agora passeia dentro de nós para a zona interior dos olhos e aí para que possamos abrir espaço para a nuvem pura vamos libertar-nos de imagens que nos possam ter ferido,
Vamos deixar cair julgamentos superficiais que por vezes atribuímos com a nossa visão.
Vamos abrir espaço para a nuvem de ar,
De espaço,
De vazio,
Onde tudo está renovado e vamos relembrar a beleza eterna que existe no mundo a cada momento.
Preenchemos o espaço interno por nossos olhos com ar puro e cristalino e a nossa visão fica rejuvenescida,
Pronta para o fascínio de um sorriso,
De uma flor,
Da lua.
A nuvem continua para a zona interna do nosso nariz e permitimos que a nossa memória se quiser alucar aí,
Pode fazê-lo,
Pois nós estamos a libertar quaisquer memórias que já não nos pertencem,
Quaisquer memórias que não se estejam a causar danos.
O olfato como sentido,
Com mais memória,
Ajuda-nos a libertar o passado que já foi e abrimos espaço para a nuvem a explorar.
Damos as boas-vindas ao novo,
Continuamos com a nuvem para a zona interna da nossa boca,
Deixando,
Deixando ir quaisquer palavras que nós possamos ter dito ofensivas,
Quaisquer apreciações ou críticas pouco construtivas que possamos ter feito,
Perdoamo-nos porque o fizemos e agradecemos porque estamos a deixar ir tudo isso que já aconteceu,
Colocamos a nuvem pura e fresca na zona interna da nossa boca,
Reconhecendo que podemos hoje ter uma comunicação mais afável,
Mais afetuosa,
Mais conciliadora.
Sentimos a nuvem de ar,
Do novo,
Na zona interna,
Por trás da nossa boca.
A nuvem continua dentro de nós,
Promovendo uma sensação de libertação e de abertura e agora ela situa-se na parte interior do pescoço,
Por trás da garganta e aí nós reconhecemos a nossa voz interior,
A nossa verdade,
Reconhecemos que somos seres novos a cada dia e que queremos escrever a nossa história e viver a nossa verdade de forma renovada.
Abrimos então espaço para essa nuvem que se estende e ocupa toda a zona interna do nosso pescoço,
Libertando quaisquer tensões que pudessem existir,
Quaisquer acumulações e apenas fica o espaço onde tudo de novo pode acontecer,
Onde podemos reescrever toda a nossa história,
Toda a nossa missão,
Onde podemos encontrar a nossa voz interior e viver a nossa verdade,
Explorar a nuvem dentro de ti,
Na zona interior do pescoço.
A nuvem a expandir,
A expandir e a tocar nas extremidades,
Sempre flexível,
Sempre curiosa e sorridente.
A nuvem vai agora para a zona do peito e aí vai crescendo,
Crescendo,
Expandindo,
Vai ocupando toda a zona do peito,
A nuvem.
Então tudo é leve,
Tudo é leve e o caminho por onde seguimos é um caminho de expansão,
Tal como a nuvem que se está a expandir dentro de nós.
É um caminho de liberdade,
De abertura para cada novo momento,
Para cada novo dia.
Sente a nuvem ocupar,
A preencher toda a zona interior do teu peito e sorri perante essa nutrição fresca que agora te preenche e que te dá coragem para caminhar de forma aberta e livre.
A nuvem vai descendo,
Passando pela zona do coração,
Abraçando o coração,
Preenchendo o próprio coração e nós vamos abrir espaço,
Vamos assumir a responsabilidade de perdoar quaisquer mágoas que tínhamos no coração,
De deixar ir quaisquer desgostos emocionais que possamos ter tido.
Já foram,
Já passaram e nós deixamos ir,
Libertamo-nos e abrimos o espaço para a nuvem branca,
Nova,
Leve.
Abrimos espaço no nosso coração,
Observa a nuvem envolver todo o coração e afundir-se com ele.
A nuvem continua o seu passeio,
Descendo até a zona do estômago e nós temos a intenção de a receber,
De lhe permitir ser dentro de nós.
Então,
No estômago,
Vamos libertar-nos dos nossos medos que não nos servem,
Que nos foram passados e que nós reconhecemos que não são nossos,
Que não fazem parte de nós.
Abrimos espaço para a nuvem,
Deixando-se sair quaisquer traumas,
Inseguranças que objetivamente não fazem sentido neste momento.
Libertando-nos dos medos,
A nuvem preenche a zona abdominal com espaço,
Com ar.
Sente a nuvem a expandir dentro de ti,
Sente a leveza a crescer dentro de ti,
Sente que já não tens o que não interessa e que agora tudo pode ser a cada dia,
A cada momento,
Começado do zero.
Porque cada momento é novo,
Cada dia é novo e assumimos a intenção de viver desta forma,
Fresca,
Limpa e renovada a cada novo dia.
A nuvem continua para o interior da zona da anca,
Explorando todo esse espaço sensível.
Quando,
Por vezes,
Guardamos algumas frustrações,
Então vamos abrir espaço para a nuvem,
Para aquela ancha de ar,
De virgindade,
De frescura,
Toda essa zona.
E vamos reconhecendo e aceitando quaisquer frustrações que possamos ter,
Deixando-as ir,
Libertando-nos delas.
Pois com a nuvem nova,
Virão também novas possibilidades,
Novas portas,
Novos encontros.
A nuvem que está expandida,
Percorre agora as nossas pernas,
De forma lenta e suave,
Vai percorrendo em simultâneo ambas as pernas,
Pelo interior das coxas,
Devagar,
Reconhecendo o espaço,
Abrindo o espaço,
Libertando tensões.
A nuvem chega ao interior dos joelhos e preenche esse interior com ar fresco e puro.
Deixa de haver lugar para feridas ou tensões,
Agora só existe espaço limpo,
Ar fresco,
Energia renovada.
Continuamos a descer as pernas,
Na zona interior da tíbia,
A nuvem percorre,
Percorre com espaço,
Passando pelo tornozelo,
Tornando-nos cada vez mais leves para caminhar a cada dia,
Para seguir o nosso caminho.
As pernas agora são leves,
Leves para se movimentarem,
Para saltarem,
Para dançarem,
Com as nuvens a encher o interior dos nossos pés,
Sentimos todo o espaço que foi criado ao longo do corpo e deixamos a nuvem sair pela ponta do dedo dos pés.
Através da nossa respiração,
Do ar que entra,
Que nos nutre,
Que nos preenche,
A cada inspiração,
Reconhecemos todo o espaço que foi criado dentro de nós,
Reconhecemos que o ar puro circula livremente dentro de nós,
A cada inspiração,
Reconhecemos que o ar renovado chega a todos os recantos,
A todas as células,
Que se movimenta livremente dentro de nós,
O nosso corpo é fértil em espaço,
Em vazio,
Em permitir tudo o que é novo,
A abrir-se a energia renovada que nos preenche a cada inspiração,
Inspira,
Sente a renovação interior,
Inspira,
Sente o novo a acontecer,
Inspira,
Sente a leveza que há dentro de ti,
Que nada obstrui,
Que nada resiste,
Que nada bloqueia,
O nosso interior é livre,
Aberto,
Pleno.
Vamos agora,
Com o auxílio de cada inspiração,
Contagiar o espaço à nossa volta,
Com essa leveza que está dentro de nós.
Em cada inspiração,
Alargamos a frescura que está no nosso interior para o espaço em nosso redor.
Inspira,
Sente o espaço livre dentro do interior,
Inspira,
Abraça o espaço à tua volta.
Em cada inspiração,
Alarga esse espaço renovado,
Abrindo-o para tudo o que possa vir do universo,
Abrindo-o para qualquer nova pessoa que suja,
Abrindo-o para qualquer sinal ou situação com o espaço renovado no teu interior,
És livre e fértil para novas ideias,
Novas visões,
Novos sentidos,
Novas sensações,
Novos sentimentos,
Novos desafios,
Novos encontros.
Com esta prática,
A chegar ao seu término,
Ao meu ritmo,
Vou mexendo as mãos,
Mexendo os pés,
Mexendo o corpo tal como ele quiser,
Posso inspirar fundo,
Posso me espreguiçar e levo comigo a sensação da prática,
A continuidade da prática.
Vou abrindo os olhos ao meu ritmo,
Encontrando no silêncio,
No espaço vasto,
A liberdade do que nada contém e que permite que tudo seja.
Muito obrigado por participarmos juntos nesta prática.
Um abraço.