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História Para Dormir E Relaxar: João E O Pé De Feijão

by Juliana Tamietti | Canal Meditando

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Avaliação
4.8
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Meditação
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Todos
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História para Dormir e Relaxar: João e o Pé de Feijão Uma versão calma e relaxante do clássico conto, narrada com voz suave para te levar a um sono profundo e tranquilo. Deite-se, feche os olhos e deixe a história te embalar. Esta meditação contada é ideal para acalmar a mente, relaxar o corpo e dormir rápido e profundamente. Perfeita para adultos e para toda a família. Obrigada pela presença!

Transcrição

Olá!

Eu sou a Juliana e essa noite eu vou te contar uma história antiga,

Conhecida.

Mas contada de um jeito bem devagar.

Bem calmo.

Feita só pra uma coisa.

Se levar.

Para um sono profundo e tranquilo.

Agora.

Deite-se de forma confortável.

Ajeite o travesseiro.

Puxe a coberta.

E deixe o corpo afundar um pouquinho mais no colchão.

Enquanto escuta a minha voz.

Contando a história.

João?

E o pé de feijão.

Era uma vez,

Num lugarzinho bem distante daqui,

No fim de uma estrada de terra cercada de capim alto e flores do campo,

Uma casa.

Pequenina.

A casa era simples,

De paredes caídas de branco.

Com um telhado de trilhas vermelhas já desbotadas pelo tempo.

E uma janelinha de madeira.

Que rangia baixinho quando o vento passava.

Nessa casa,

Moravam duas pessoas.

Um menino chamado João.

E sua mãe.

Eles eram pobres,

Muito pobres,

Mas se amavam muito,

E isso aquecia a casa mais do que qualquer lareira.

De tudo que eles tinham no mundo.

O que mais valia era uma vaca,

Uma vaquinha mansa,

De pelo malhado,

Olhos grandes e calmos,

Que vivia no pequeno pasto atrás da casa.

Todas as manhãs.

João ia até a vaquinha.

Encostava o rosto no pescoço quente dela.

E tirava o leite que os dois bebiam.

E o pouco que sobrava,

Eles vendiam.

Mas veio um tempo difícil.

A vaquinha foi ficando bem velhinha e um dia ela enfim parou de dar leite.

A mãe de João,

Então com o coração apertado,

Chamou o filho.

João.

Ela disse com a voz baixa e cansada.

Não temos mais nada para vender.

Preciso que você leve a vaquinha até o mercado da cidade.

E a troque por algumas moedas.

É o que nos resta.

João não queria.

Ele gostava tanto da vaquinha.

Era como uma amiga.

Mas ele olhou para a mãe.

Viu o cansaço no rosto dela?

E entendeu.

Está bem,

Mãe.

Ele respondeu.

Então João se deitou em sua cama.

Fechou os olhos,

Imaginando uma vida mais feliz.

Mais próspera.

Uma vida em que ele não precisava se desfazer de sua amiga vaquinha.

E sonhou com isso durante toda a noite.

O caminho e os feijões.

Na manhã seguinte,

Bem cedinho,

Quando o sol ainda era só um fiozinho dourado no horizonte,

João pegou a corda da vaquinha.

E começou a caminhar pela estrada de terra em direção à cidade.

Amanhã estava fresca.

O orvalho ainda brilhava nas folhas.

Os passarinhos cantavam baixinho como se também estivessem acordando devagarinho.

E a estrada seguia,

Longa,

Calma,

Entre os campos verdes João caminhava sem pressa,

Ouvindo o som dos próprios passos na terra macia.

Sentindo a brisa morna no rosto.

Observando os tons de verde pelos campos.

Sentindo o cheiro de ar puro e da natureza.

João já estava quase chegando na cidade.

Quando numa curva da estrada,

À sombra de uma grande árvore,

Ele encontrou um velho senhor sentado.

O velhinho tinha a barba branca e comprida,

Os olhos brilhantes e gentis.

E um sorriso tão tranquilo que parecia que ele conhecia todos os segredos do mundo.

E nenhum deles o preocupava.

Bom dia,

João.

Disse o velho.

João estranhou.

Como aquele senhor sabia o seu nome?

Mas havia algo tão calmo.

Tão bom naquele velhinho.

Que João não teve nenhum medo.

Só uma curiosidade gostosa.

Você vai vender essa vaquinha,

Não é?

Perguntou o velho ainda sorrindo.

– Vou sim,

Respondeu João.

Então,

Eu tenho uma proposta pra você.

E o velhinho abriu a palma da mão.

E ali,

No centro da sua mão enrugada e experiente,

Havia cinco feijões.

Mas não eram feijões comuns.

Eles brilhavam suavemente.

Como se tivessem uma luzinha morna por dentro.

Cada um de uma cor diferente.

Um era azul como o céu da noite.

Outro.

Verde como uma floresta.

Um era dourado como o sol.

Um era prateado como a lua.

E o 1.

Era de uma cor mais bonita que João já tinha visto.

Uma cor que ele nem sabia o nome.

São feijões mágicos,

Disse o velho com a voz baixa,

Quase um sussurro.

Plante-os esta noite.

E você verá uma maravilha crescer.

João olhou para os feijões,

Olhou para a vaquinha.

Olhou pro velho.

E por algum motivo que ele não conseguia explicar,

Seu coração disse sim.

Ele entregou a corda da vaquinha ao velhinho.

E recebeu os cinco feijões brilhantes na palma da mão.

Eles eram mornos ao toque.

E parecia um pulsar de leve,

Como pequenos corações adormecidos.

Obrigado João,

Disse o velho.

Boa noite de sono pra você!

E quando João piscou.

.

.

O velhinho já não estava mais lá.

À volta e o plantio.

João voltou para casa pela mesma estrada de terra.

O sol já estava mais alto e mais quente a este ponto,

E ele caminhava devagar,

Segurando os feijões com cuidado.

Sentindo o calorzinho deles na mão.

Quando João chegou em casa,

A mãe veio recebê-lo na porta ansiosa.

E então,

Meu filho?

O quanto conseguiu pela vaquinha.

João abriu a mão e mostrou os cinco feijões brilhantes.

A mãe olhou,

Piscou,

Olhou de novo.

Ela estava cansada.

Estava preocupada.

E por um instante,

O coração dela apertou de aflição.

Mas ela olhou para o rosto do filho.

Viu a esperança ali?

E o cansaço dela se dissolveu num suspiro.

Ah,

Meu João,

Ela disse,

E havia mais ternura do que bronca na voz dela.

Você sempre acreditou nas coisas bonitas.

Ela pegou os feijões.

E sem muita fé jogou-os pela janela no quintal escuro lá fora.

E os dois sem jantar quase nada.

Foram se deitar.

Aquela noite caiu mansa sobre a casinha.

O céu se encheu de estrelas.

Uma lua crescente,

Fininha e prateada,

Subiu por cima das colinas.

E enquanto João e a mãe dormiam tranquilos,

Lá embaixo,

Na terra escura do quintal.

Os cinco feijões começaram a acordar.

O pé de feijão cresce.

Primeiro,

Foi só um arrepio na terra.

Um leve tremor.

Suave,

Como quando a gente se espreguiça antes de despertar.

Depois,

De cada feijão,

Brotou um fiozinho verde.

Pequenininho.

Tenho.

CURIOSO E os fiozinhos foram subindo devagar.

Devagarinho.

Esticando-se na direção das estrelas.

Eles se enrolaram uns nos outros,

Entrelaçando-se com carinho.

Formando um único caule,

Grosso e forte.

E o caule foi crescendo.

Crescendo.

.

.

Foi subindo pela noite em silêncio.

Sem pressa nenhuma.

E de cada lado dele iam nascendo folhas.

Folhas largas,

Verdes e brilhantes.

Macias.

Do tamanho de redes de descanso.

E gavinhas que se enrolavam no ar.

Como caixinhos de cabelo.

O pé de feijão subia e subia.

Passando pela altura do telhado.

Passando pela altura das árvores mais altas ao redor.

E ele continuava subindo.

MAI VAU mais alto.

Subiu tanto.

Mas tanto que a ponta dele se perdeu lá no alto.

Entre as nuvens prateadas pela luz da lua.

Tão alto.

Que ninguém lá de baixo conseguiria ver onde ele terminava.

E quando o céu já começava a clarear.

Lá para o lado do amanhecer.

O pé de feijão parou de crescer.

É enorme.

Tranquilo.

Só esperando.

A noite tinha feito o seu trabalho em silêncio enquanto todos dormiam.

Amanhã e à subida.

Quando João abriu os olhos na manhã seguinte,

Alguma coisa estava diferente.

O quarto dele que sempre acordava cheio de luz.

Estava numa penumbra esverdeada e suave,

Como se uma cortina gigante e verde tivesse coberto o sol.

Curioso,

João se levantou.

Fui até a janela.

E abrigo.

E ficou de boca aberta.

Bem ali.

No meio do quintal.

Subia o maior pé de feijão que se poderia imaginar.

Um caule grosso como o tronco de uma árvore centenária.

Todo entrelaçado.

Verde e brilhante de orvalho.

Que subia.

Estupia.

E se perdia lá no alto,

Entre as nuvens.

João ficou olhando aquilo por um bom tempo.

Encantado.

E então?

Dentro do peito dele nasceu uma vontade gostosa de descobrir.

Uma vontade calma,

Sem medo.

Ele queria saber o que havia lá em cima.

Onde aquele caminho ia dar.

Então.

.

.

Devagarinho.

Ele saiu pela janela.

E pôs o pé no primeiro galho.

O caule era firme,

Seguro.

As folhas largas formavam degraus naturais,

Macios sob os pés descalços.

E as gavinhas pareciam se ajeitar para ajudar.

Como pequenas mãos amigas.

Então João começou a subir.

Ele subia sem pressa.

Um passo.

Outro passo.

Passo a passo,

Sentindo a casca lisa e fresca do caule sob as mãos.

O cheiro verde e doce das folhas A brisa que ia ficando mais fresquinha conforme ele subia.

Lá embaixo,

A casinha foi ficando pequena,

Pequenininha.

Do tamanho de um brinquedo.

Os campos verdes se abriram como um tapete enorme.

A estrada de terra virou só um risquinho dourado.

Serpenteando entre as colinas.

E João subia.

Mais um pouco.

Mais um pouquinho.

Passo a passo,

Devagar.

Aos poucos,

Ele foi entrando numa demlina macia,

Nas primeiras nuvens.

Elas eram frescas e leves no rosto,

Como algodão úmido.

E tinha um cheiro limpo de chuva boa.

João atravessou as nuvens devagar.

Tudo ao redor ficou branco.

E suave por um momento.

Silencioso.

Como um sonho dentro de um sonho.

E então,

Ele saiu por cima delas.

O mundo acima das nuvens.

E o que João viu ao sair por cima das nuvens era a coisa mais linda dos seus olhos.

Um mundo inteiro lá em cima.

Havia um chão,

Mas não era um chão de terra,

Era um chão feito das próprias nuvens.

Branco,

Fofinho.

Bem macio.

Que afundava de leve sob os pés e devolvia o passo com gentileza como o colchão mais confortável que existe.

O céu ali em cima era de um azul tão limpo e tão calmo que dava paz só de olhar.

E o sol mais perto agora?

Espalhava uma luz dourada e morna sobre tudo,

Sem ofuscar.

Uma luz suave,

Do jeito que aquece sem incomodar.

E ao longe,

Bem ao longe,

No fim de um caminho de nuvens,

Havia um castelo.

Um castelo enorme,

De pedra clara,

Com torres altas que subiam tão alto que a ponta delas se perdia na luz.

As janelas brilhavam dourado.

E tudo aquilo flutuava ali.

Sereno.

No meio do céu.

João começou a caminhar em direção ao castelo,

Pisando macio nas nuvens.

O ar ali em cima era morno e cheirava a pão fresco e a flores.

De vez em quando passava uma brisa suave que fazia tudo ondular de leve.

As movimentos.

A luz.

O tempo.

Era um lugar onde a pressa não existia.

Onde nada doía.

Onde tudo era calmo.

João sentia o corpo leve.

A mente tranquila.

Como se cada passo naquele chão de nuvens fosse tirando dele qualquer peso que ele ainda carregasse.

O castelo e a giganta gentil.

Quando João chegou ao castelo,

Encontrou um grande portão de madeira entreaberto.

Ele entrou.

.

.

E se viu num pátio imenso,

Todo iluminado por aquela luz dourada e morna.

E foi quando uma voz,

Grande mas suave,

Falou com ele.

Ora,

Ora,

Um visitante pequenininho.

João olhou pra cima e pra cima.

E mais pra cima ainda.

E ali estava uma giganta.

Enorme,

Sim,

Mas com o rosto mais bondoso que se poderia imaginar.

As bochechas rosadas,

Os olhos cor de mel,

Grandes e calorosos.

E um avental de cozinha amarrado na cintura.

Todo polvilhado de farinha.

Você deve estar cansadinho de subir até aqui",

Disse a giganta com a voz macia como veludo.

Venha.

Entre.

Descanse um pouco.

Ela estendeu a mão enorme.

E João subiu nela sem nenhum receio.

Como quem se aninha numa rede.

A palma dela era morna e macia.

E ela o levou.

Com todo o cuidado do mundo até a cozinha do castelo.

A cozinha era quentinha,

Cheirava a pão saindo do forno.

A leite morno.

A canela.

Havia uma lareira grande,

Com um fogo manso crepitando baixinho.

E a giganta sentou João.

Perto do calor.

E lhe deu um pedacinho de pão fresco,

Que pra ela era uma migalha.

Mas pra João era um banquete inteiro.

João comeu devagar,

Sentindo o calor do fogo.

O sabor doce do pão.

O aconchego daquele lugar.

As pálpebras dele começaram a ficar pesadas.

Ali era tão confortável,

Tão seguro.

Meu marido,

O gigante,

Está dormindo lá no salão.

Disse a giganta baixinho pra não perturbar ninguém.

Ele dorme quase o dia inteiro,

Sabe?

É um sono bom,

Um sono pesado.

Fique aí quietinho.

Que ele não vai te incomodar.

O gigante adormecido e os tesouros.

Depois de descansar e se aquecer.

João curioso e já bem mais calmo.

Foi espiar o grande salão do castelo.

E lá estava o gigante.

Mas não havia nada de assustador nele.

Ele estava deitado numa enorme poltrona.

Perto da janela.

Os pés cruzados.

As mãos dobradas sobre a barriga,

Profundamente adormecidas.

E ele roncava.

Mas o ronco dele não era feio.

Era um som baixo e ritmado.

Como um trovão bem distante.

Daqueles que a gente ouve numa tarde de chuva enquanto está deitado e protegido.

Um som grave,

Regular.

Que embalava em vez de assustar.

João ficou ali um tempinho,

Só ouvindo aquele ronco manso que subia e descia como ondas calmas do mar.

E era tão tranquilo que ele próprio sentiu o sono chegar mais perto.

Perto do gigante adormecido,

Sobre uma mesa,

Havia três tesouros.

O primeiro era uma galinha.

Uma galinha branca e gordinha,

De penas macias,

Que cochilava num ninho de palha.

E enquanto ela cochilava De vez em quando,

Ela botava um ovo.

Mas não era um ovo comum.

Era um morro de ouro puro.

Que brilhava com a luz morna do sol.

Ela botava devagar.

Sem esforço e voltava a dormir.

Um ovinho dourado e outro,

Cada um surgindo no silêncio,

Como por encanto.

O segundo tesouro era um saquinho,

Um saquinho de moedas de ouro que reluziam suavemente.

E o terceiro.

Tchau.

O terceiro era o mais bonito de todos.

Era uma árvore.

Uma harpa pequena,

Dourada.

Com cordas finas que pareciam fios de luz.

E essa harpa cantava sozinha.

Baixinho.

Bem baixinho,

A harpa dedilhava as próprias cordas sem que ninguém a tocasse.

E dela saía a melodia mais doce e suave que João já tinha escutado.

Uma canção de Linares Uma canção sem palavras.

Feita só de notas mornas e arredondadas que flutuavam pelo ar.

Como bolhas de sabão.

Subindo.

Girando devagar.

Se desmanchando no silêncio.

A melodia da harpa se misturava ao ronco manso do gigante e os dois sons juntos formavam o embalo mais gostoso do mundo.

Um embalo que descia pelos ouvidos de João.

E pelo corpo dele inteiro.

Amolecendo tudo.

Acalmando tudo.

A giganta apareceu na porta do salão,

Sorrindo com carinho ao ver João tão encantado com a árvore.

Ela gosta de você.

Sussurrou a gigante.

A harpa canta mais bonito perto de quem tem o coração bom.

E ela se aproximou Pegou a arpinha dourada com toda a delicadeza.

E a colocou nas mãos de João.

Leve com você,

Pequeno.

E leve também a galinha dos ovos de ouro.

E um punhado de moedas.

Aqui em cima,

Nós temos de sobras.

E lá embaixo você e sua mãe vão precisar.

É um presente.

De coração.

João agradeceu,

Emocionado.

Com os olhos já pesados de sono.

E o peito cheinho de gratidão.

A galinha aninhou-se mansa no braço dele.

Sem nem acordar direito.

As moedas brilhavam no bolso.

E a harpa encostada no peito de João.

Continuava a cantar baixinho a sua canção de linar.

Agora vá com cuidado.

Disse a gigante.

Lhe dando um beijinho na testa,

Que pra ela foi de leve.

Mas que aqueceu João por inteiro.

Vá.

E durma bem,

Pequenino.

A descida tranquila.

João atravessou o pátio do castelo de volta,

Pisando macio nas nuvens,

Com seus presentes nos braços e a arpinha cantando junto ao seu coração.

Chegou no alto do pé de feijão.

E começar a descer.

A descida foi ainda mais tranquila que a subida.

Agora ele já conhecia o caminho.

E a cada galho que descia,

Ele ia ficando mais perto de casa.

Mais perto da cama.

Mais perto do descanso.

Ele desceu pelas nuvens macias.

Atravessou a neblina fresca.

E foi vendo lá embaixo o mundo dele aparecer de novo.

Devagar.

Os campos verdes.

A estrada dourada.

A casinha branca com o telhado vermelho.

Crescendo aos pouquinhos conforme ele descia.

A harpa cantava.

A brisa sobrava morna.

E João descia galho por galho.

Folha por folha.

Sem pressa nenhuma no embalo da canção.

Quando seus pés finalmente tocaram a terra do quintal.

O sol já se punha.

Pintando o céu de laranja.

E a onza.

E violeta.

A mãe de João estava na porta.

E quando viu o filho voltar,

São e salvo.

E viu a galinha dourada e as moedas e aquela arpinha que cantava sozinha,

Ela abriu os braços e abraçou João bem forte.

Um final feliz.

A partir daquela noite,

João e a mãe nunca mais passaram necessidade.

A galinha botava seus ovinhos de ouro sem pressa,

Um de vez em quando,

O suficiente para nunca faltar nada.

A casinha branca ganhou flores na janela e uma horta no quintal e o cheiro de comida quente todos os dias.

Mas o tesouro de que João mais gostava.

Irá arrepender.

Todas as noites,

Quando o dia se acabava e era hora de dormir.

João deitava na cama,

A mãe apagava a luz e a arpinha dourada começava a cantar baixinho a sua canção de linar.

E João fechava os olhos,

Ouvindo aquela melodia doce e macia,

Lembrando do mundo lá em cima das nuvens,

Todo morno e calmo.

Do ronco manso do gigante adormecido,

Do carinho da giganta gentil.

E ele adormecia,

Todas as noites,

Um sono profundo,

Tranquilo,

Feliz.

E agora,

Essa mesma canção.

Esse mesmo embalo.

Para você.

Você não precisa subir nenhum pé de feijão esta noite.

Você já está exatamente onde precisa estar.

Na sua cama.

Seguro.

Quentinho.

Protegido.

Deixe o corpo pesar ainda mais no colchão.

Como João pesava na palma macia da gigante.

Deixe a respiração ficar lenta e calma como o ronco manso do gigante.

Que subia e descia como ondas tranquilas.

E se algum pensamento ainda aparecia na sua mente.

Não tem problema.

Apenas deixe ele ir embora.

Levite.

Como uma das notas da harpa dourada.

Que sobe.

.

.

Gira devagar.

E se desmancha no silêncio.

Você fez o que tinha pra fazer hoje.

E agora é hora de descansar.

Seu corpo merece descansar.

Sua mente merece descansar.

Seu coração merece descansar.

Deixe a canção de Niná te levar cada vez mais fundo.

Cada vez mais leve.

Para um sono profundo.

Revigorante.

Reparador.

Um sono que vai cuidar de você a noite inteira.

E te devolver amanhã,

Descansado.

Renovado.

Em paz.

Bom descanso.

Bons sonhos Dorma bem.

♪ Legendas pela comunidade Amara.

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